terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Capacete do Regimento de Cavalaria 9 de Julho

Trago nestes dias finais de 2014 algumas imagens de um dos mais belos itens do fardamento militar paulista, com sua existência envolta em pura tradição: O Capacete de gala do Regimento de Cavalaria 9 de Julho.

O capacete foi inspirado no capacete usado por Frédéric Stattmuller, do 11o Regimento de Couraceiros do Exército Francês, quarto militar francês a integrar a Missão de Instrução, e que veio ao Brasil exclusivamente para conduzir a instrução prática dos dois esquadrões do Regimento de Cavalaria da Força Pública. O capacete atual é uma homenagem do Regimento de Cavalaria ao seu criador.

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No Museu do Regimento 9 de Julho, o capacete original de Stattmuller.

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Abaixo vemos detalhes do capacete atual, fabricação artesanal e impecável da O. Filizzola - uma das mais tradicionais fabricantes de equipamentos militares paulistas.

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Em uma das laterais do capacete, uma das primeiras insígnias usadas no Brasil.

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A riqueza de detalhes nas peças é absolutamente impressionante.

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A seguir dois momentos do uso deste belíssimo capacete, um deles no passado durante um sepultamento no Cemitério São Paulo com a presença do Governador Abreu Sodré a direita e de braços cruzados na foto, o jornalista e ex-combatente de 32, Paulo Duarte. A outra imagem é da guarda de honra em uma cerimônia no Obelisco do Ibirapuera.

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Feira de antiguidades da Praça Benedito Calixto

Muita gente me pergunta como eu consigo encontrar tantas antiguidades paulistas para meu acervo. A resposta é sempre a mesma: Garimpando. Para encontrar ouro é preciso garimpar! E isso tem que acontecer nos lugares certos.

Um destes lugares é justamente a feira de antiguidades da Praça Benedito Calixto, no bairro de Pinheiros em São Paulo, que ocorre desde 1987 sempre aos sábados. Nas centenas de barracas é possível além de encontrar objetos antigos, conhecer especialistas das mais diversas áreas do colecionismo - É difícil não se surpreender assistindo senhores de barba branca dando verdadeiras aulas sobre figurinhas de futebol ou brinquedos antigos. A paixão pela história transita livremente por ali entre fotografias, documentos, porcelanas, esculturas, móveis e toda sorte de objetos.

Para dar uma pequena amostra aos leitores, resolvi neste último sábado sair para o garimpo acompanhado da minha fiel câmera fotográfica. O resultado vocês podem ver nas imagens a seguir. Obviamente dou destaque aos itens pertinentes a este blog, mas nas feiras de antiguidade você pode encontrar literalmente qualquer coisa!

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Uniformes, medalhas e capacetes antigos podem ser encontrados com alguns vendedores especializados no tema. Com um mesmo expositor encontramos desde um capacete alemão da segunda guerra até uma curiosa "Carta de Cocheiro" emitida pela Prefeitura em 1922!

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Munição inerte de artilharia. O passar do tempo muda a função de uma terrível arma com alto poder de destruição para um singular objeto decorativo.

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Quem gosta da história de São Paulo não resiste a dar uma longa espiada nos itens de um comerciante que tem tantos ícones paulistas em exposição...

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Encontrei esta caneca do IV Centenário de São Paulo totalmente pintada a mão. Já tinha visto muitas peças com esta temática, mas esta era inédita para mim!

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Quem gosta de livros e documentos antigos vai encontrar muitos títulos raros e esgotados na feira. São inúmeras publicações com descrições e imagens de uma São Paulo que nossos antepassados viveram.

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Onde mais seria possível encontrar a partitura de uma valsa dedicada ao Viaduto do Chá?

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Nas fotos abaixo vemos uma pequena amostra de verdadeiros tesouros para qualquer paulista interessado em suas origens.

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Cartaz original da Campanha do Ouro de 1932.

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Em uma das extremidades da Praça Benedito Calixto a bela Igreja do Calvário domina a paisagem.

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Na feira é possível pedir para se abrir uma vitrine e examinar em mãos o objeto desejado. Esse contato tão próximo com as antiguidades traz inúmeros colecionadores para o convívio da feira, que possibilita justamente a troca de informações e o constante aprimoramento do conhecimento - ferramentas essenciais a qualquer colecionador de antiguidades.

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Capacetes de diferentes épocas e usos distintos. Um dos temas que é constantemente explorado aqui no blog.

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Lâminas, espadas e espadins são uma área "nobre" do colecionismo de militaria. Peças que requerem cuidados especiais no manuseio e um bolso capaz de arcar com preços mais salgados - a recompensa porém vem em objetos que são capazes de contar muita história a quem se arrisca pesquisá-los.

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A troca de informações sobre os detalhes minuciosos em casa peça é que torna o colecionismo de antiguidades uma verdadeira paixão para muitos. Uma pequena marcação de menos de 1 centímetro pode determinar se a peça é muito rara ou apenas comum.

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Nem só de espadas, capacetes e fardas vivem os antiquários. Brinquedos com mais de meio século na caixa e funcionando perfeitamente fazem a alegria de muito marmanjo por aí!

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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

CSM/AM Centro de Suprimento e Manutenção de Armamento e Munição

Recentemente tivemos a oportunidade de fazer uma visita ao CSM/AM - Centro de Suprimento e Manutenção de Armamento e Munição da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Esta é mais uma unidade histórica da PM que apesar do trabalho de excelência que realiza há décadas nos quesitos pesquisa, análise de material, aquisição, recebimento, estocagem, fornecimento e manutenção - é praticamente "invisível" para a sociedade em geral, motivo pelo qual nos interessamos ainda mais em trazer para o blog um pouco do impressionante serviço realizado por seus funcionários e da gestão inovadora do comando atual.

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O atual CSM/AM já teve inúmeras designações no passado: Gabinete de Munições,  Repartição de Material, Serviço de Material Bélico - entre outras. Sua origem foi em 1917 na ala direita do quartel da Guarda Cívica na Várzea do Carmo - unidade que cuidava do reaproveitamento de cartuchos Mauser usados após exercícios de tiro. No início da década de 20 o "Gabinete de Munições" funcionava a pleno vapor sob o comando do gênio construtor e inventivo Major Nathaniel Prado, que através de sua iniciativa empreendedora fabricava granadas de fuzil e granadas aéreas - e posteriormente com a aquisição de maquinário especializado conseguia aos poucos reduzir os altíssimos custos nas aquisições de munição e material bélico para a Força Pública realizadas no exterior. Sua marcante participação na história da corporação foi tragicamente interrompida em maio de 1926 por conta de um desastre ocorrido no Quartel da Luz. Na imagem abaixo, o Major Nathaniel.

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Em uma sala do Quartel da Luz ao lado da sala da banda de música da Força Pública, funcionava a "sala de troféus da Revolução de 1924" a cargo do Major Nathaniel Prado e do Cabo Pedro Américo de Freitas. Neste pequeno museu eram expostos granadas descarregadas e bombas aéreas usadas nos combates na capital durante a revolução. Na tarde de 27 de maio de 1926 uma gigantesca explosão sacudiu o bairro da Luz, ocorrida ao se desarmar uma enorme bomba aérea de setenta e cinco quilos. Faleceram no local o Major Nathaniel Prado, o Capitão Benedicto Assis Lorena, o 1o Sargento Domingos Pirvelo e o Cabo Pedro Américo de Freitas - além de quatro outros soldados que sofreram mutilações. O Major Nathaniel Prado estava com 36 anos, tendo entrado na Guarda Cívica em 1907. Rapidamente galgou as graduações e em 1916 foi promovido ao posto de 1o Tenente, Era dono de uma cultura invejável e embora não tivesse curso superior em engenharia desenhou e supervisionou a construção do primeiro veículo blindado construído na América do Sul, além de desenhar e fiscalizar a construção do maquinário do Gabinete de Munições. É de sua autoria a Medalha do Mérito Militar e a Medalha da Legalidade. (Informações extraídas do livro "Quartel da Luz, Mansão da Rota" do Ten Cel Paulo Adriano Telhada).

A sede atual na Rua Alfredo Maia foi inaugurada em 1927, como "Repartição de Material" abrangendo diversos serviços e unificando as inúmeras oficinas dispersas a serviço da Força Pública. Na Oficina de Cartuchos toda a maquinaria existente era fruto das pesquisas do Major Nathaniel. Já a Oficina de Armas reparava e fabricava peças de reposição para as armas utilizadas na época, além de realizar outros serviços como marcenaria para a fabricação de coronhas e a eletrogalvanoplastia usada na niquelação do armamento. Com o decorrer dos anos grandes progressos foram realizados nestas oficinas, a ponto de viabilizarem a fabricação completa de veículos hipomóveis para uso das tropas paulistas.

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Com o término da Revolução de 1932 e sob o comando do interventor federal General Waldomiro Castilho de Lima, a partir de outubro daquele ano a Repartição de Material vai sofrendo um esvaziamento e a descentralização de suas funções, com a clara intenção de manter o estado de São Paulo "desarmado" - situação que só começou a ser revertida em 1963 com o restabelecimento do Serviço de Material Bélico como unidade autônoma, instalado ainda na Rua Alfredo Maia - local em que permanece até o presente.

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Hoje quase dez décadas após sua origem, o CSM/AM é responsável pela pesquisa, análise de material, aquisição, recebimento, estocagem, fornecimento e manutenção de todo o equipamento bélico e de proteção individual de uma corporação com aproximadamente 110 mil policiais espalhados por todo o estado de São Paulo. Isso requer uma estrutura eficaz e ágil, capaz de lidar com uma demanda enorme, mantendo um alto padrão de qualidade em seus serviços dos quais dependem a integridade da sociedade civil e dos policiais militares em serviço.

Nas imagens abaixo vemos algumas etapas da manutenção e limpeza do armamento usado pelos policiais em seu dia-a-dia. O CSM/AM também forma os seus armeiros através de cursos especializantes ministrados na própria unidade. É interessante notar que desta cadeia de produção também se beneficiam outras polícias militares brasileiras - que recebem do CSM/AM doação de material bélico usado pela Polícia Militar do Estado de São Paulo, após cuidadosa revisão e revitalização de seus componentes mecânicos.

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Na imagem abaixo vemos antigas metralhadoras usadas pela Força Pública, que são restauradas e acabam fazendo parte do acervo de museus que guardam a história militar paulista, como o Museu do Regimento de Cavalaria 9 de Julho.

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Abaixo vemos parte do maquinário usado não apenas para a fabricação de peças, mas também para o aperfeiçoamento do material bélico usado pela polícia paulista visando melhorias no desempenho de suas funções e também o melhor aproveitamento de seu ciclo de vida útil.

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Um exemplo de material pesquisado e aperfeiçoado no CSM/AM: Escudos de proteção individual das tropas de Força Tática e de Choque. A constante pesquisa de como o material deve funcionar gera uma constante demanda por aperfeiçoamentos aos fornecedores da Polícia Militar - resultando em um aumento no padrão de qualidade não só nos equipamentos mas também nas indústrias que os fabricam. Nas duas imagens a seguir vemos um antigo escudo balístico e uma versão atual do escudo usado pelo Choque.

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Em oficinas modernas, os armeiros do CSM/AM realizam pesquisas e manutenção do equipamento.

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Com um estande de tiro próprio, o CSM/AM realiza testes em uma variada gama de armas e munições de diferentes calibres.

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O CSM/AM possui ainda uma moderna pista de testes de balística, totalmente computadorizada e que opera dentro das mais rígidas normas técnicas. Nela são desenvolvidos estudos de materiais que poderão ser empregados pela corporação. O detalhe é que toda a estrutura e equipamento foi desenvolvida internamente pelo próprio CSM/AM, sendo a polícia militar paulista a única polícia brasileira que dispõe de uma estrutura como esta.

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Agradeço ao Cel PM Valter Padulla - Comandante do CSM/AM,  ao Ten Cel PM Galdino Vieira da Silva Neto, ao Major PM Ramalho, ao Capitão PM Henrique, ao 2o Sargento PM Galan, ao Cabo PM J. Carlos, ao Soldado PM Silva e ao amigo José Luis Lorenzi Lima pela colaboração na elaboração desta matéria.