sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Alegoria Paulista por José Wasth Rodrigues

          O ARTISTA
José Wasth Rodrigues (São Paulo, 19 de março de 1891 - Rio de Janeiro, 21 de abril de 1957) foi um pintor, desenhista, ilustrador, ceramista, professor e historiador brasileiro. Foi autor dos brasões do Estado de São Paulo e da Cidade de São Paulo.

Vida e obra

Em São Paulo, Wasth Rodrigues estuda pintura com Oscar Pereira da Silva, entre 1908 e 1909. No ano seguinte, consegue uma bolsa de estudos do Pensionato Artístico do Estado de São Paulo, partindo para Paris. Na capital francesa, matricula-se na Académie Julien, onde estuda com Jean-Paul Laurens. Na École National des Beaux-Arts, freqüenta as aulas de Lucien Simon e Nandi.

Retorna a São Paulo em 1914, participando ativamente da vida artística da cidade. Em 1916, em conjunto com Georg Elpons e William Zadig, inaugura um curso de pintura e desenho. No ano seguinte, executa, com auxílio do poeta Guilherme de Almeida, o brasão da cidade de São Paulo.

Por volta de 1918, dedica-se a estudar história colonial, tornando-se um dos pioneiros no registros das atividades artísticas do período. Excelente desenhista, ficou famoso por seus trabalhos em bico-de-pena, nos quais abordou a paisagem urbana, a arquitetura e o mobiliário coloniais brasileiros.

É o responsável por reintroduzir a tradição de pintura em azulejos nos obras de arte públicas de São Paulo. Executou painéis decorativos para os quatro monumentos que ornamentam a Calçada do Lorena e a estrada velha de Santos. Na capital paulista, criou a decoração em azulejos da Ladeira da Memória. Como pintor, destacou-se por seus trabalhos históricos, minuciosos na reconstituição dos fatos e detalhes dos acontecimentos retratados.

Em 1932, passa a integrar a Sociedade Pró-Arte Moderna. Ilustrou diversos livros (Urupês, de Monteiro Lobato; Uniformes do Exército Brasileiro, de Gustavo Barroso; Brasões e Bandeiras do Brasil, de Clóvis Ribeiro; Vida e Morte do Bandeirante, de Alcântara Machado, etc.). Entre 1935 e 1936, concebe o projeto de restauração dos bancos e gradis da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Ouro Preto.

Publicou diversos estudos (Documentário Arquitetônico Relativo à Antiga Construção Civil no Brasil, 1945; Mobiliário do Brasil Antigo e Evolução de Cadeiras Luso-Brasilieras, 1948) e executou diversas obras heráldicas para o governo. Também atuou como cenógrafo e figurinista, assinando peças e cenários de espetáculos de Alfredo Mesquita, como Noite de São Paulo, de 1936, e Casa Assombrada, de 1938. (fonte: Wikipedia)

Esta é uma tela original de Wasth Rodrigues, retratando um soldado paulista morto em combate (mais informações abaixo).





O Bom Washt Rodrigues
por CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


Não vi nos jornais do Rio notícia do falecimento de José Wasth Rodrigues, ocorrido na noite de 21 de abril, nesta mesma cidade. Isso dá idéia do que foi esse homem ilustre e discreto, que podia muito bem reivindicar para si o título de um dos maiores historiadores brasileiros não pela palavra escrita, mas pela imagem. Todo o imenso trabalho de Wasth Rodrigues, muito estimado pelo estudiosos, é quase desconhecido do público. Ele nada fez por tornar-se notícia. Sua sombra me desculpará se agora o converto em crônica.

Wasth Rodrigues era pintor, com prêmio de viagem, à Europa, mas o Brasil antigo o preocupava mais que a realidade de hoje. Então saiu pelo Brasil de agora a pesquisar o antigo e praticamente não há casa, igreja e ponte coloniais que ele não houvesse fixado, em desenho ou aquarela, a título documental. Antes de expandir-se o gosto pela documentação fotográfica, já o seu lápis tomava apontamentos fiéis de coisas que não mais existem foram desfiguradas, e esses croquis serviriam ao inventário de nossas riquezas artísticas como elementos preciosos de informação. A muitos anos de passagem por um objeto digno de contemplação histórica, a memória de Wasth era capaz de reconstituí-lo num desenho seguro, feito à canhota.

Mas não era só um fixador de formas antigas, no papel ou na tela. Das três coisas entendia como gente grande, e não sei se alguém ganharia dele na perspicácia em identificá-las: o móvel, a indumentária e a arma. O conhecimento do mobiliário antigo, de velhos uniformes e de velhas espadas e clavinotes armazenava-se ordenadamente em sua cabeça, tornando-o enciclopédia viva e, o que é mais admirável, sem traço de presunção. Wasth não ostentava ciência possuía-a simplesmente. Ninguém o via deitando doutrina em rodas de artistas, críticos ou pesquisadores; consultado, informava e calava-se, comum silencia astuto de caipira - esse caipira civilizado, quem pendurava ainda na sua voz, como dizem que distinguia também a de seu coestaduano Almeida Júnior. Diante de, falastrões, olhava, no máximo sorria de leve, não contraditava. Rodrigo M. F. de Andrade observou que ele não tinha o menor empenho em fazer prevalecer o seu ponto de vista.

O Documentário Arquitetônico, em oito volumes, a iconografia dos Uniformes do Exército Brasileiro, e numerosos estudos esparsos sobre temas de sua especialidade constituem, subsídios inapreciáveis para a subsídios para a história da arte em geral e dos ritos civis e militares no Brasil. Á eles deve juntar-se o exaustivo Dicionários de Armaria, que deixou concluído, e umas deliciosas memórias de comprador de antigüidades, que andava escrevendo nos últimos tempos, para distrair o espírito nas horas da enfermidade. Tive o privilégio de ler os originais e, encantou-se mais de uma história do padre Lucindo, o famoso vigário e colecionador de Santa Bárbara, ou a do pato preto, com dentes e chifres, que toda a tarde ia torrar um pé de cana no sítio de um casal mineiro: a mulher, do gênero praguejante, vivia invocando o nome do demo, e este passou a freqüentar-lhe a plantação, da qual só se retirou depois de um severo pito" do santo arcebispo d. Silvério, extensivo à agitada senhora. Essas coisas, Wasth as ia recolhendo na sua peregrinação pelo Brasil barroco, e é pena que a morte não o deixasse concluir notações assim despretensiosas e cheias de humor, que colorem a seriedade de seus estudos.

Em Paris, na mocidade, foi companheiro de quarto - e de pobreza - do pintor Modigliani, que lhe fez o retrato e lhe deu inúmeros quadros, infelizmente perdidos. Wasth estava longe de prefigurar o renome mundial do amigo, de quem louvava a grande bondade. Por sua vez, morre pobre, como é tradição entre artista e estudiosos brasileiros. Colaborador silencioso da D.P.H.A.N., doador de livros e desenhos de sua autoria ao acervo da repartição, o bom Wasth Rodrigues foi em tudo um brasileiro exemplar, pela dignidade, pelo profundo saber, pela encantadora modéstia.
        O HERÓI


Clineu Braga de Magalhães (Voluntário)
"Dia funesto para as nossas forças da zona Sul, 18 de Setembro o foi especialmente para o Batalhão 14 de Julho, que nesse dia perdeu varios dos seus mais valentes soldados. Entre elles Clineu Braga de Magalhães, componente de um grupo heroico que, isolado e cercado pelas forças adversárias, no Serrado, resistiu e combateu até a aniquilação quasi total de todos os seus soldados. Nos assentamentos de campanha consta que o soldado número 22 do 2o Pelotão da 2a Cia, Clineu de Braga Magalhães, foi um heroe morto em combate com um tiro no coração.

Sepultado em Capão Bonito, foram seus restos transladados para o Cemitério São Paulo, na Capital, a 10 de outubro do mesmo anno.

Dados Biographicos - Nascido em Taquaritinga em 22 de agosto de 1911, Clineu era filho do Sr. Renato Alves de Magalhães. Cursava em 1932, o 3o anno de engenharia do Mackenzie College, curso em que demosntrou ser um artista nato, capaz de grandes realizações e de, também, captar amizades e sympathias sinceras, posteriormente demonstradas em repetidas homenagens de que sua memória foi alvo.
Seu nome figura hoje de uma das principais ruas de sua terra natal. Tinha elle três irmãos: Neusa, Paulo e Climene, esta senhora Doutor José Leme Lopes."
(fonte: Cruzes Paulistas)

“Clineu Braga de Magalhães, soldado do heróico batalhão 14 de julho, que com o seu sangue de paulista, moço e independente, pagou o crime de querer dar uma Carta ao Brasil e desejar a autonomia de seu Estado, que há 2 anos vive ocupado e pisado pela camarilha que o seu próprio tesouro sustenta”.
(fonte: Revista Politécnica, 1933)

Clineu Braga de Magalhães está sepultado no Cemitério São Paulo.
CUMPRINDO SEU DEVER
TOMBOU POR SÃO PAULO
AMPARAE-O SENHOR

Um comentário:

  1. Douglas S. Aguiar Jr,8 de março de 2010 09:05

    Ricardo,

    Na grande maioria das vezes, os itens de coleção são pedaços de história que nos rementem a uma época ou a um episódio histórico em particular. É esse contato direto com estas testemunhas mudas que leva alguns poucos perseverantes a resguardar estes momentos através de suas coleções.

    No entanto, no caso específico deste quadro, vai-se além, muito além disso. Preserva-se a memória de uma vida encerrada ainda em seu início. Tem-se um nome, tem-se um rosto, uma família, uma lembrança. Tudo isso sacrificado no alte de Marte em busca de uma causa pela qual ele, embora ainda jovem, acreditou, lutou e morreu.

    Muitos diriam que foi um desperdício. Mas você, mantendo-o vivo com esse gesto tão simples de compartilhar sua história, mostra que ele e seus irmãos de armas n~so foram esquecidos. E nunca serão por aqueles que se julgam verdadeiros cidadãos paulistas e brasileiros.

    Continue com esse trabalho!

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