quinta-feira, 20 de maio de 2010

23 de Maio de 1932 - A Batalha da Praça da República

O mês de maio daquele ano de 1932 já tinha se iniciado com muita tensão no ar:
Greves, comícios, articulações políticas e militares iam aos poucos dando forma ao movimento revolucionário.
Vargas por sua vez, acenava com a Assembléia Constituinte apenas para o ano seguinte, causando indignação e descontentamento entre os paulistas.
No dia 13 de maio outro grande comício na Praça da Sé reúne comerciantes, estudantes, entidades de classe e políticos que exigem eleições imediatas além de um secretariado verdadeiramente paulista.

Porém, foi no dia 22 que o pavio foi definitivamente aceso com a chegada de Osvaldo Aranha a mando de Vargas com o intuíto de mediar a questão do secretariado.
Com o apoio da imprensa, os frentistas alardeiam que a real intenção de Aranha é não outra a não ser dividir a Frente Única. Este, que já não tinha a simpatia dos paulistas chega a cidade como um verdadeiro intruso.

De um lado, a Legião Revolucionária (força paramilitar comandanda por Miguel Costa que apoiava a ditadura Vargas) que planejava receber Osvaldo Aranha com todas as honras. Do outro lado a massa paulista que cerca, vaia e hostiliza o emissário de Vargas por todo o seu caminho.
Durante a tarde uma carga de cavalaria da Força Pública é lançada contra os protestantes na Avenida Tiradentes, mas logo a situação se acalma com o pedido de desculpas e a garantia que não haveria mais repressão aos manifestantes - vindos do comandante em exercício da Força Pública Cel. Elisário de Paiva.

Na manhã do dia 23 de Maio, Miguel Costa é definitivamente afastado do comando da Força Pública e em seu lugar é nomeado um aliado da Frente Única, o Coronel Júlio Marcondes Salgado.
Osvaldo Aranha, que tinha passado a noite abrigado no Quartel General do Exército, retorna ao Rio de Janeiro totalmente alarmado com a situação em São Paulo.
Durante essa tarde jornais tenentistas são invadidos pela multidão que toma as ruas enquanto lojas de armas são saqueadas. Pequenos choques contra provocadores da Legião Revolucionária acontecem nas estreitas ruas do centro. A situação se agrava a cada minuto. Sangue paulista será derramado.

A Batalha da Praça da República

No início da noite a massa indomável se dirige pela Rua Barão de Itapetininga e finalmente alcança a esquina da Praça da República. Ali funciona a sede do Partido Popular Paulista, braço político da Legião Revolucionária.
No seu interior, legionários frustrados com a deposição de seu chefe, armados e dispostos a tudo pretendem defender a sede do partido custe o que custar.
A massa se divide entre as esquinas da Rua Dom José de Barros e a Praça da República. Quem entrasse pela Barão de Itapetininga virava alvo dos legionários entocados. No primeiro ataque tombam Euclides Miragaia, estudante de direito e Antonio de Camargo Andrade, além de inúmeros feridos.

Os que estão embaixo na rua e na praça contam com poucas armas. A massa apesar de decidida é contida pelos defensores na sede do PPP. Mais tiros e muita gritaria.

Um bonde é tomado pelos manifestantes e ao apontar na esquina é crivado de balas vindas de cima. A rajada atinge o estudante Mário Martins de Almeida que virá a falecer no pronto socorro da Polícia Central.
São mais de quatro horas de tiroteio, quando no início da madrugada um destacamento da Força Pública negocia a rendição de oito atiradores enquanto a massa é mantida afastada. No chão jaz o garoto de quatorze anos Dráusio Marcondes de Souza. Ferido gravemente está Orlando de Oliveira Alvarenga - que falecerá no dia 12 de agosto. Os ocupantes do PPP são retirados em um caminhão e levados dali.

No dia 24 de maio, as iniciais dos nomes dos mortos formarão a sigla da sociedade secreta que traçará o destino do Revolução Constitucionalista: MMDC. Anos depois a história faria justiça a Alvarenga, e a sigla seria complementada formando MMDCA.

Alguns pins dos diversos partidos que formaram a Frente Única, e um raro pin do MMDC feito no início da revolução.

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Três variações do pin da Legião Revolucionária. Na foto Miguel Costa reunido com mesmbros da Legião.
(Objetos do acervo de Marcelo Tibúrcio)

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Abaixo um exemplar original do Estado de São Paulo trazendo na capa as fotos de Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo.

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Retiradas de um álbum de recortes de jornais de um veterano de 32, as imagens abaixo mostram o enterro dos jovens de 23 de maio e algumas fotos da sede do PPP logo após os incidentes daquele dia.

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(Bibliografia: A Revolução de 32 - Hernani Donato, Círculo do Livro; 1932 O Brasil se Revolta - José Alfredo Vidigal Pontes, Editora Terceiro Nome; Jornal Estado de São Paulo - Edição de 25 de agosto de 1932)

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