quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A Imperial Ordem da Rosa

Trago hoje aos leitores do blog uma significativa lembrança da época do Império:
Uma Ordem da Rosa recebida em 1870 por um soldado paulista, Voluntário da Pátria na Guerra do Paraguai.
Aproveito para fazer uma breve retrospectiva a respeito desta ordem, que sem dúvida alguma é a mais bonita de todas as condecorações brasileiras.

A Ordem da Rosa é uma ordem honorífica brasileira criada em 1829 pelo Imperador D. Pedro I para perpetuar a memória de seu matrimônio com Dona Amélia de Leuchtenberg.
É formada por uma estrela branca de seis pontas maçanetadas, unidas por guirlanda de rosas. Ao centro, monograma com as letras "P" e "A" entrelaçadas circundado por orla azul com a legenda "AMOR E FIDELIDADE". No reverso a data 2-8-1829 e a legenda "PEDRO E AMÉLIA". Em alguns graus o conjunto traz no topo a Corôa Imperial.

A Ordem da Rosa foi concedida durante o 1o e 2o Império e assim como as demais ordens Imperiais, foi extinta após o banimento da Família Imperial brasileira e o início da República.

Criação da Ordem da Rosa
Reza a lenda que a Ordem da Rosa foi imaginada por D. Pedro I ao ver o vestido de D. Amelia de Leuchtenberg ao desembarcar no Rio de Janeiro. Acontece que seu casamento foi no dia seguinte e logo após este evento deu-se a primeira distribuição das honrarias. Não seria possível que tudo fosse feito de um dia para o outro.

Porém foi enviado um retrato de D. Amelia para que D. Pedro conhecesse sua fisionomia. Uma rosa lhe ornava o toucado.
Inúmeros monumentos foram erguidos por todo o Rio de Janeiro para celebrar o casamento Imperial. Em um deles em especial, na Praça do Comércio, de autoria de Grandjean de Montigny, continha as legendas:
Valor, Lealdade, Prudência, Amor, Fidelidade e Constância.
O que faz parecer que os elementos estavam lá e a criação desta insígnia reuniu estes elementos.

Autoria do projeto das insígnias
Muitos acreditam errôneamente que o desenho da ordem é de autoria de Jean-Baptiste Debret. Abaixo os originais de Eugène de la Michellerie e Pezerat, do arquivo do Museu Imperial de Petrópolis. Esses são os projetos que foram aprovados, ainda que com algumas modificações.

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Agraciados com a Ordem da Rosa
Houve durante o período Imperial uma grande distribuição desta comenda. Poucas foram concedidas no 1o Reinado enquanto no 2o Reinado houve um significativo aumento - mais especificamente durante a Guerra do Paraguai.

Isso deveu-se ao fato de não existir uma medalha específica para atos de bravura individual durante a Guerra do Paraguai (a que existiu nunca foi distribuída - a Medalha aos Mais Bravos). Desta forma o Império contava com as ordens vigentes para preencher tal lacuna. A que foi mais usada foi a da Rosa no seu grau de Cavaleiro, mostrada abaixo.

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Um detalhe interessante é que este conjunto de insígnias de cavaleiro e miniatura, trazem representada a corôa de D. Pedro I. As ordens feitas após a coroação de D. Pedro II apresentam uma corôa mais arredondada no topo da insígnia.
Isso nos permite presumir que esta medalha tenha sido fabricada por volta de 1830 e que tenha ficado em estoque até ter sido concedida em 1870.

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A Ordem da Rosa também tinha uma aplicação civil, e era constantemente usada para condecorar pintores, músicos e pessoas ligadas a arte em geral. No final do império foi usada por D. Pedro II como moeda de troca para incentivar fazendeiros a alforriar escravos. Além de brasileiros foi grande a distribuição desta ordem para membros da corte européia e também militares daquele continente.

Tratamento e honras militares
-Grão Cruz - tratamento de "Excelência"
-Grande Dignitário - tratamento de "Excelência"
-Dignitário - tratamento de "Senhoria"
-Comendador - tratamento de "Senhoria"
-Oficial - honras de Coronel
-Cavaleiro - honras de Capitão

Abaixo o diploma de concessão da Ordem da Rosa recebido pelo Capitão de Voluntários da Pátria.

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Bibliografia:
• Ordens Honoríficas do Brasil, Luiz Marques Poliano, Imprensa Nacional - 1943
• A Guerra do Paraguay na Medalhística Militar Brasileira, Francisco Marques dos Santos – 1937
• Medalhas e Condecorações Brasileiras – Collectanea de Actos Officiaes, Coronel Laurenio Lago – 1935

Um comentário:

  1. Belissima medalha!

    Está tão bem conservada que tem a aparencia de recém cunhada! impressionante.

    Sem duvida uma das medalhas mais bonitas da época do Brasil imperial.

    Tens uma verdadeira reliquia em suas mãos, ricardo, assim como muitas outras que voce já mostrou aqui no blog.

    Grande abraço!

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