quarta-feira, 26 de maio de 2010

Cerimônia MMDC - Câmara Municipal de São Paulo

Aconteceu na noite do dia 25 de maio, a solenidade alusiva ao Dia da Juventude Constitucionalista.
As fotos abaixo trazem o espírito do evento que emocionou e contagiou todos os presentes.
Novamente agradeço publicamente em meu nome e em nome de minha família pela homenagem aos meus avôs e pela indicação da Medalha MMDC. Muito obrigado ao Capitão Gino, Coronel PM Mendes, Coronel PM Ventura e Camila Guidice.

A mesa diretora dos trabalhos, composta pela diretoria do MMDC e convidados.

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Familiares representando ex-combatentes numa tocante homenagem.

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Filha do combatente Manoel Maia Netto e filho do combatente Mario Della Rosa.

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Um contundente discurso do Coronel Ventura sobre a importância do resgate de valores da nossa história.

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Emocionadas palavras do Coronel Paulo T. da Rocha Marques.

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A Banda e Coral da Escola da PM que abrilhantou o evento em uma fantástica apresentação!

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A platéia compareceu com a bandeira da treze listas, homenageando São Paulo.

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Os condecorados com a Medalha MMDC: Camila Guidice, Ricardo Della Rosa e Aguinaldo D´Avlis.

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Saudação a Bandeira Nacional.

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A belíssima Medalha MMDC recebida com muita honra, respeito e orgulho.

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domingo, 23 de maio de 2010

Biografias MMDCA

São Paulo não esquece,
não transige e não perdoa.

Mario Martins de Almeida
Nasceu em São Manuel, no Estado de São Paulo no dia 08 de fevereiro de 1901.
Filho do Coronel Juliano Martins de Almeida e de Dona Francisca Alves de Almeida.
Foi estudante do Mackenzie College, tendo terminado seus estudos sob a direção do Professor Alberto Kullmann.
Era fazendeiro em Sertãozinho, estando no dia 23 de Maio de 1932 de passagem em São Paulo em visita a seus pais.

Euclydes Bueno Miragaia
Nasceu em São José dos Campos no dia 21 de Abril de 1911. Era filho do Sr. José Miragaia e de Dona Emília Bueno Miragaia.
Foi aluno da Escola de Comércio Carlos de Carvalho, de onde passou no terceiro ano para a Escola Alvares Penteado.
No dia 23 de Maio estava no centro a serviço de um cartório.

Drausio Marcondes de Souza
Nasceu a Rua Bresser na cidade de São Paulo em 22 de Setembro de 1917.
Filho do Sr. Manuel Octaviano Marcondes, farmacêutico e de Dona Ottilia Moreira da Costa Marcondes.

Antonio Americo de Camargo Andrade
Nasceu no dia 03 de Dezembro de 1901, filho do Sr. Nabor de Camargo Andrade e de Dona Hermelinda Nogueira de Camargo. Era casado com Dona Inaiah Teixeira de Camargo e deixou três filhos: Clesio, Yara e Hermelinda.

Orlando de Oliveira Alvarenga
Nasceu em Muzambinho, Minas Gerais, no dia 18 de Dezembro de 1899. Filho do Sr. Ozorio Alvarenga e de Dona Maria Oliveira Alvarenga. Deixou viúva Dona Annita do Val e um filho de nome Oscar.
Era escrevente juramentado, e faleceu no dia 12 de Agosto de 1932 vítima dos ferimentos do dia 23.

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sábado, 22 de maio de 2010

O local dos fatos, 78 anos depois...

Milhares de pessoas passam diariamente pelas Ruas Barão de Itapetininga, Dom José de Barros, pela Praça da República...infelizmente pouquíssimas delas sabem que naquele local aconteceram fatos importantíssimos na história paulista.

Estive hoje pela manhã num agradável passeio pelo centro de São Paulo.
É importante dizer que essa parte do Centro, hoje está muito mais limpa, muito bem policiada e com várias edificações antigas sendo restauradas. Há no entanto muito trabalho ainda a ser feito.

Abaixo vemos as esquinas das ruas aonde se desenrolaram os fatos 78 anos atrás.

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Rua Barão de Itapetininga, com a Praça da República ao fundo. Durante o tiroteio as esquinas eram as trincheiras e esta quadra era a terra de ninguém.

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Esquina aonde ficava a sede do PPP vista da Praça da República. Foi daqui que partiram os tiros que imortalizaram os mártires paulistas.

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O marco no local que lembra os acontecimentos de 23 de maio.
Antes da inauguração do Obelisco do Ibirapuera, era aqui que aconteciam as cerimônias e homenagens aos mortos de 1932. Hoje poucos prestam atenção na placa.

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quinta-feira, 20 de maio de 2010

23 de Maio de 1932 - A Batalha da Praça da República

O mês de maio daquele ano de 1932 já tinha se iniciado com muita tensão no ar:
Greves, comícios, articulações políticas e militares iam aos poucos dando forma ao movimento revolucionário.
Vargas por sua vez, acenava com a Assembléia Constituinte apenas para o ano seguinte, causando indignação e descontentamento entre os paulistas.
No dia 13 de maio outro grande comício na Praça da Sé reúne comerciantes, estudantes, entidades de classe e políticos que exigem eleições imediatas além de um secretariado verdadeiramente paulista.

Porém, foi no dia 22 que o pavio foi definitivamente aceso com a chegada de Osvaldo Aranha a mando de Vargas com o intuíto de mediar a questão do secretariado.
Com o apoio da imprensa, os frentistas alardeiam que a real intenção de Aranha é não outra a não ser dividir a Frente Única. Este, que já não tinha a simpatia dos paulistas chega a cidade como um verdadeiro intruso.

De um lado, a Legião Revolucionária (força paramilitar comandanda por Miguel Costa que apoiava a ditadura Vargas) que planejava receber Osvaldo Aranha com todas as honras. Do outro lado a massa paulista que cerca, vaia e hostiliza o emissário de Vargas por todo o seu caminho.
Durante a tarde uma carga de cavalaria da Força Pública é lançada contra os protestantes na Avenida Tiradentes, mas logo a situação se acalma com o pedido de desculpas e a garantia que não haveria mais repressão aos manifestantes - vindos do comandante em exercício da Força Pública Cel. Elisário de Paiva.

Na manhã do dia 23 de Maio, Miguel Costa é definitivamente afastado do comando da Força Pública e em seu lugar é nomeado um aliado da Frente Única, o Coronel Júlio Marcondes Salgado.
Osvaldo Aranha, que tinha passado a noite abrigado no Quartel General do Exército, retorna ao Rio de Janeiro totalmente alarmado com a situação em São Paulo.
Durante essa tarde jornais tenentistas são invadidos pela multidão que toma as ruas enquanto lojas de armas são saqueadas. Pequenos choques contra provocadores da Legião Revolucionária acontecem nas estreitas ruas do centro. A situação se agrava a cada minuto. Sangue paulista será derramado.

A Batalha da Praça da República

No início da noite a massa indomável se dirige pela Rua Barão de Itapetininga e finalmente alcança a esquina da Praça da República. Ali funciona a sede do Partido Popular Paulista, braço político da Legião Revolucionária.
No seu interior, legionários frustrados com a deposição de seu chefe, armados e dispostos a tudo pretendem defender a sede do partido custe o que custar.
A massa se divide entre as esquinas da Rua Dom José de Barros e a Praça da República. Quem entrasse pela Barão de Itapetininga virava alvo dos legionários entocados. No primeiro ataque tombam Euclides Miragaia, estudante de direito e Antonio de Camargo Andrade, além de inúmeros feridos.

Os que estão embaixo na rua e na praça contam com poucas armas. A massa apesar de decidida é contida pelos defensores na sede do PPP. Mais tiros e muita gritaria.

Um bonde é tomado pelos manifestantes e ao apontar na esquina é crivado de balas vindas de cima. A rajada atinge o estudante Mário Martins de Almeida que virá a falecer no pronto socorro da Polícia Central.
São mais de quatro horas de tiroteio, quando no início da madrugada um destacamento da Força Pública negocia a rendição de oito atiradores enquanto a massa é mantida afastada. No chão jaz o garoto de quatorze anos Dráusio Marcondes de Souza. Ferido gravemente está Orlando de Oliveira Alvarenga - que falecerá no dia 12 de agosto. Os ocupantes do PPP são retirados em um caminhão e levados dali.

No dia 24 de maio, as iniciais dos nomes dos mortos formarão a sigla da sociedade secreta que traçará o destino do Revolução Constitucionalista: MMDC. Anos depois a história faria justiça a Alvarenga, e a sigla seria complementada formando MMDCA.

Alguns pins dos diversos partidos que formaram a Frente Única, e um raro pin do MMDC feito no início da revolução.

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Três variações do pin da Legião Revolucionária. Na foto Miguel Costa reunido com mesmbros da Legião.
(Objetos do acervo de Marcelo Tibúrcio)

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Abaixo um exemplar original do Estado de São Paulo trazendo na capa as fotos de Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo.

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Retiradas de um álbum de recortes de jornais de um veterano de 32, as imagens abaixo mostram o enterro dos jovens de 23 de maio e algumas fotos da sede do PPP logo após os incidentes daquele dia.

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(Bibliografia: A Revolução de 32 - Hernani Donato, Círculo do Livro; 1932 O Brasil se Revolta - José Alfredo Vidigal Pontes, Editora Terceiro Nome; Jornal Estado de São Paulo - Edição de 25 de agosto de 1932)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Folhetos de Propaganda - A Guerra de Papel

Uma quantidade enorme de material impresso foi produzida por ambos os lados durante a Revolução de 32: Cartazes, folhetos, jornais, partituras e opúsculos. Alguns enalteciam o povo paulista, outros denegriam a imagem de Vargas e seus aliados. O Governo Federal também publicava informativos atacando a liderança paulista visando atingir psicologicamente a população de São Paulo, outros apresentavam a revolução como um movimento separatista - denegrindo a imagem de São Paulo com os demais estados.

Abaixo temos um pouco desse vasto material produzido em 1932.
Alguns deles foram publicados e distribuídos no Rio de Janeiro, a favor de São Paulo.
Um dos folhetos atacando Vargas acaba com uma tenebrosa quadrinha:

"Sobre ti, rei dos trahidores,
Desca, Deus, a maldição;
Que tenhas, em vez de flores,
Só brazas em teu caixão."

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sábado, 8 de maio de 2010

Revolta de 1924 - Medalha da Legalidade

A Revolta de 1924

Também conhecida como "A Revolução Esquecida" a Revolução de 1924 foi mais um episódio do movimento tenentista da década de 20. Por vinte e três dias a cidade de São Paulo e sua população vivenciaram uma verdadeira guerra com inúmeras perdas humanas e materiais. As fotos do conflito não deixam a menor dúvida sobre a intensidade e violência dos combates.

Comandada pelo General Isidoro Dias Lopes (que anos mais tarde participaria de 32), a Revolta de 1924 contou também com a participação de inúmeros envolvidos na revolta do Forte de Copacabana. Lutavam contra o governo de Arthur Bernardes e de seus aliados. No caso de São Paulo, o Presidente do Estado Carlos de Campos.

No dia 5 de Julho de 1924, um sábado, pontos estratégicos da cidade já amanheceram ocupados e algumas batalhas já aconteciam no bairro da Luz e em Santana.
Durante a tarde desse mesmo dia os revoltosos investiram algumas vezes contra a sede do governo paulista, no Palácio dos Campos Elíseos. Mas a defesa do palácio foi mais forte e conteve os avanços rebeldes.
A cidade começava sofrer danos materiais com a artilharia rebelde que visava os edifícios oficiais - mas errava feio os alvos, espalhando destruição por vários pontos da cidade.

Finalmente no dia 8 de Julho, Carlos de Campos abandona a sede do governo.
Se não fosse pela ação decidida do Prefeito Firmiano Morais Pinto, a cidade estaria abandonada a própria sorte. Após uma reunião com o General Isidoro Dias Lopes, o Prefeito cria a Guarda Municipal e a Comissão de Abastecimento - que garantiram um mínimo de ordem para a população civil.

Por outro lado as Forças Legalistas fechavam lentamente o cerco a cidade e aos rebeldes. Isidoro considera então uma retirada para Jundiaí - ordem que foi recusada pelo Coronel Miguel Costa que ainda acreditava no rompimento do cerco.
São Paulo passa então a viver uma guerra declarada, inclusive com batalhões formados por europeus veteranos da 1a Guerra Mundial engrossando as fileiras rebeldes.

Inicia-se então o bombardeio indiscriminado contra a cidade: Aviões e granadas atingem impiedosamente a população civil.
Nas imediações do Monumento do Ipiranga, tropas legalistas lideradas pelo General Tertuliano Potiguara montam posições de artilharia e abrem fogo contra os bairros do Brás, Belenzinho e Móoca - densamente povoados.
A cidade começava a ser tornar um amontoado de entulho. A população aterrorizada fugia para o interior, tal qual fizera seis anos antes durante a Gripe Espanhola.
Por volta do dia 14 de Julho, a chuva de fogo e aço já arrasava as ruas da Liberdade, Aclimação e Vila Mariana. A cidade fica "juncada de cadáveres".

Nada resta aos rebeldes a não ser a ouvir o clamor popular pedindo a cessação da luta. No dia 27 de Julho os rebeldes iniciam a retirada. Na madrugada de segunda-feira a população civil teria que lidar da melhor forma possível com as tropas governistas, que ainda agiam com muita violência.

Aos poucos os paulistas vão saindo dos abrigos e retornando as suas casas.
A população assiste em garnde número o retorno de Carlos de Campos aos Campos Elíseos.
Para os rebeldes era apenas o início de uma longa marcha - mas esta é uma outra história.

As ilustrações a seguir são adaptações de originais retirados de uma publicação da época. Elas mostram um pouco do que a cidade viveu naqueles dias.

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A Medalha da Legalidade

Mais um importante fragmento em bronze da nossa história.
Oferecida aos soldados e oficiais da Força Pública que lutaram pela restituição da legalidade em 1924, a medalha foi cassada em 1930 e depois teve seu uso autorizado novamente como vemos a seguir na interessante sequência de recortes abaixo:

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Para quem quer saber mais sobre a Revolução de 1924, recomendo os livros "Bombas Sobre São Paulo - A Revolução de 1924" da Professora Ilka Stern Cohen e "1924 - O Diário da Revolução - Os 23 dias que abalaram São Paulo" de Duarte Pacheco Pereira.