Mais uma peça alusiva a Campanha do Ouro de 1932, um dos objetos mais significativos do período na minha opinião.
A Moeda Paulista traz os belos versos de Guilherme de Almeida reproduzidos abaixo. Essa peça simboliza de uma forma sublime o que foi a arrecadação de bens entre a população com o propósito de financiar a guerra.
O que foi este movimento que fez as pessoas tirarem dos dedos suas alianças de casamento e noivado para entregá-las por um ideal? É difícil até de IMAGINAR uma coisa dessas nos dias de hoje.
Não tenho a informação precisa sobre como essas peças eram distribuídas.
Quando da doação de alianças de ouro, é sabido que se recebia em troca as
alianças DEI OURO PARA O BEM DE SÃO PAULO. Imagino que a Moeda Paulista era entregue também, já que ela trata exatamente da doação de alianças.
Uma outra hipótese é que essas peças eram vendidas. De todo modo a Moeda Paulista não é mencionada no
Relatório da Campanha do Ouro.
Caso alguém tenha mais informações, por favor clique em COMENTÁRIOS logo abaixo das fotos.
Algumas destas peças são numeradas, outras não - mas todas são muito bem feitas e impressiona a qualidade da cunhagem com suas letras minúsculas. Segundo o catálogo de Kurt Prober de 1965, essas moedas foram cunhadas em prata pelo escultor Miguel Langone. Porém a informação que Prober nos dá sobre a tiragem (2000 exemplares) está equivocada uma vez que abaixo vemos uma numeração mais alta que isso.
Existe ainda uma outra versão desta peça, com duas faces - que apresentarei em um futuro próximo.
MOEDA PAULISTA
Guilherme de Almeida
Moeda Paulista, feita só de alianças,
feita do anel com que Nosso Senhor
uniu na terra duas esperanças:
feita dos elos imortais do amor!
Quanto vale essa moeda? Vale tudo!
Seu ouro eternizava um grande ideal:
e ela traduz o sacrifício mudo
daquela eternidade de metal.
Ela, que vem na mão dos que se amaram,
Vale esse instante, que não teve fim,
em que dois sonhos juntos se ajoelharam,
quando a felicidade disse: SIM.
Vale o que vale a união de duas vidas,
que riram e choraram a uma só voz
e, simbolicamente desunidas,
vão rolar desgraçadamente sós.
Vale a grande renúncia derradeira
das mãos que acariciaram maternais,
o menino que vai para a trincheira,
e que talvez... talvez não volte mais...
Vale mais do que o ouro maciço:
vale a glória de amar, sorrir, chorar,
lutar, morrer e vencer... Vale tudo isso
que moeda alguma poderá comprar!