quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Capacetes com emblemas

Alguns capacetes do período da Revolução de 1932 eram decorados pelos veteranos combatentes durante ou após a revolução, no intuíto de orgulhosamente marcar sua passagem por esta história.

Trago hoje aos leitores do blog, dois belíssimos capacetes paulistas que apresentam este tipo de diferenciação.
Um deles já havia sido apresentado aqui, mas graças a um grande amigo pude ter um contato mais próximo com esta belíssima peça. Trata-se de um capacete paulista de um engenheiro-combatente, que esteve nas mais diversas frentes de combate e que serviu em um dos Trens Blindados, o TB5.

Na parte frontal o combatente soldou o emblema da arma de Engenharia, que é popularmente chamado até hoje de "Castelo Mal Assombrado".

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As passagens do combatente estão assinaladas e datadas na carneira do capacete.

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Uma foto do Trem Blindado 5 na estação de Eleutério no ramal de Itapira, retirada do excelente livro "São Paulo a Máquina de Guerra" de Mário Monteiro.

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Abaixo um outro capacete, que apresenta os canhões cruzados da arma de Artilharia - que pode significar a passagem do combatente por uma Bateria de Morteiros. Como não há outras inscrições na peça isso é apenas uma suposição.
Na parte interna do capacete, um modelo mais raro de carneira de couro com as inscrições "Oferta do Povo Paulista".

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sábado, 25 de setembro de 2010

Mensagem do Capitão Gino Struffaldi / Matéria na TV Tribuna

Com muita alegria e emoção, recebi a seguinte mensagem sobre a matéria dos aviadores Bittencourt e Gomes Ribeiro:

"Prezado Sr. Ricardo Della Rosa.
Parabens pelo interesse em divulgar o feito heróico de Gomes Ribeiro e Machado Bittencourt. Assisti à passagem do avião deles quando iam atacar o cruzador atracdo nas proximidades da Moema. Eu estava no morro do Jurubatuba, na Fortaleza de Itaipú, em setembro de 32. Vimos a fumaça da explosão do avião e a seguir ouvimos o estrondo. Mais tarde vim a saber que o ataque fora planejado pelo Major da aviação Militar (Exército) Lysias Rodrigues, e nele tomariam parte tres aviões (só vi um). Mas tarde, em 1935, conheci o Tenente Coronel Lysias ainda do Exército e mais tarde, com a criação da Aeronáutica, ele foi Brigadero do Ar.

Muito obrigado.
Cap. Ref. EB Gino Struffaldi
Presidente da Soc. vet 32 - MMDC
"

Agradeço ao Capitão Struffaldi pelas palavras.
É uma HONRA receber um elogio vindo de um combatente de 1932, que participou e foi testemunha ocular dos fatos!
A matéria veiculada na TV Tribuna pode ser assistida no link abaixo:
http://portaltvtribuna.grupoatribuna.com.br/videos/?video=4020&idcat=14

Uma foto do autor do blog com o Capitão Struffaldi, tirada no Obelisco do Ibirapuera em maio de 2009.

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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

78 anos da morte de Mario Machado Bittencourt e José Angelo Gomes Ribeiro

"Tombados heroicamente
no cumprimento de um dever sagrado"

Na data de hoje completam-se setenta e oito anos da morte dos aviadores Bittencourt e Gomes Ribeiro.
Neste link é possível conhecer a breve porém marcante passagem destes dois jovens por este mundo.

Abaixo algumas relíquias a respeito destes aviadores, uma delas o diploma da Campanha do Ouro recebido pelos familiares de Bittencourt, tão cheio de significado e tão verdadeiro:
"A Família do Aviador Mario Machado Bittencourt deu ouro para o bem de São Paulo em Setembro de 1932."

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O autor do blog gravou para a TV TRIBUNA/REDE GLOBO de Santos uma matéria que será exibida hoje no Jornal da Tribuna sobre os aviadores e sobre o abandono do monumento na Praia das Pitangueiras no Guarujá que também faz aniversário hoje e encontra-se abandonado e sem nenhum significado para os que ali passam.

Abaixo a reportagem entrevista um turista que como muitos desconhece o significado do que restou do monumento nas Pitangueiras.

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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Porcelanas da Casa São Nicolau

Antigamente era comum as pessoas usarem como decoração em suas casas, com muito orgulho, objetos com motivos patrióticos. Algumas das mais tradicionais lojas de São Paulo comercializavam esses objetos, como é o caso destes dois pratos de louça decorados com os brasões paulistas.

Fabricados pela Porcellana Mauá e comercializados pela Casa São Nicolau, esses pratos pintados à mão trazem uma riqueza de detalhes que raramente são vistos hoje em dia.

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Abaixo vemos um anúncio da Casa São Nicolau, publicado no Álbum Paulista.
Ela ficava em um célebre endereço no centro da cidade, na Praça do Patriarca.

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Detalhe de Cartão Postal dos anos 20, mostrando a Praça do Patriarca ainda com o monumento conhecido como "Cabide". Neste local durante a Revolução de 1932 aconteciam os mais importantes comícios e reuniões da população em prol da causa revolucionária. Esta importante praça será em breve assunto de um post especial aqui no blog. Aguardem!

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sábado, 18 de setembro de 2010

Rara medalha de 1932

Apresento hoje mais uma das poucas medalhas que foram cunhadas durante a Revolução de 1932.
Trata-se de uma pequena peça em bronze que era concedida aos voluntários paulistas em cerimônias públicas. Cunhada pela MONTINI, não se conhece o número exato de exemplares fabricados. Aparece no Álbum Paulista na figurinha de número dezoito.

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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Capacete paulista com pintura decorativa

Esta bela peça encontra-se no acervo do meu amigo e também colecionador, Alfredo Duarte.
Trata-se de um capacete paulista modelo inglês, pintado no front pelo próprio veterano. É uma peça única e bastante curiosa. As fotos falam por si mesmo!

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É interessante notar o desenho da caveira neste capacete.
O uso da caveira em insígnias militares é uma tradição que remonta ao Século XVIII com os Lanceiros Reais da Inglaterra em 1759 e do "Regimento de Hussardos da Morte" na França em 1792. Na 1ª Guerra Mundial o "Totenkopf" foi amplamente usado pelos alemães, especialmente pelas tropas prussianas. Foi no entanto, em 1933 com o uso da caveira pelos Freikorps alemães e pela infame SS de Adolf Hitler que o símbolo se tornou sinônimo de terror e atrocidades.

Hoje em dia a caveira ainda é usada como insígnia em regimentos militares espalhados pelo mundo, como por exemplo o COE Comando de Operações Especiais do 4°BPChq da Polícia Militar do Estado de São Paulo e pelo BOPE do Rio de Janeiro.

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Os desenhos decorativos apresentam o mesmo desgaste que a pintura verde do capacete, sendo que as marcas de oxidação afetam a peça de maneira uniforme. São indícios que nos permitem acreditar que a pintura decorativa foi feita em uma época muito próxima a pintura original do capacete.
Por outro lado é muito raro encontrarmos esse tipo de decoração nos capacetes de combate, pois uma marca deste tamanho e desta cor se torna um belíssimo alvo para atiradores inimigos e é bom lembrar o aço destes capacetes não eram capazes de segurar um impacto direto de projétil de fuzil.

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O desenho do soldado paulista foi inspirado em um dos Cartões Postais do MMDC que circulavam pelo front naquela época.

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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Mario Hilario Dallari 1912-1932

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Nascido no dia 13 de Janeiro de 1912, filho do Sr. Alfredo Dallari e de Dona Maria Dallari, Mario Hilario Dallari foi incorporado ao Batalhão Marcílio Franco em São Paulo no dia 14 de Julho, dois dias depois seguiu para o Setor Sul. Pela sua inteligência, denodo e bravura foi subindo de posto até ocupar o cargo de 2o Tenente.

No dia 10 de setembro, na Capela dos Ferreiras em Capão Bonito, foi atingido por uma bala de fuzil e teve morte instantânea. Foi sepultado em Itapetininga e posteriormente seus despojos foram transladados para a sua terra natal, Serra Negra. No dia em que partiu para o front, enviou aos seus familiares uma carta em que prenunciava a sua própria morte:

"Bendita e adorada mãe, querido pai, inesquecíveis irmãos, sobrinhos e cunhados:
A Deus peço ter-vos sob sua bendita guarda. Talvez, entes do meu coração, ao chegar estas linhas em vossas mãos, já o meu corpo se corrompa na podridão esfalecedora dos vermes asquerosos, ou talvez ainda eu esteja me batendo pela causa sacrossanta de SÃO PAULO e do nosso amado BRASIL.

Se vos endereço esta carta, no dia de minha partida para o front, é para pedir-vos perdão pelos desgostos que vos tenho dado e dizer-vos que, se parti para a frente de batalha, não foi por falta de conselhos de meus queridos amigos AURÉLIO LEME DE ABREU, Dr. NELSON, ROQUE, dona AINDA e meu tio FERRÚCIO, que me pediram muita prudência para tomar essa decisão.

Parti, porque assim me ordenava o coração e assim exigem os meus brios de paulista e de brasileiro. Levo sobre o meu coração, a medalha que minha abençoada mãe me deu, quando deixei minha casa para servir o Exército. Se, por desventura, uma bala me ferir e eu tenha tempo, beijarei a imagem do Sagrado Coração de Jesus, da medalha, e pedirei perdão a meu pai, e o Sagrado Coração De Maria Santíssima, como sendo minha mãe.

Não culpem ninguém por este meu ato. Se eu morrer, sentir-me-ei honrado morrendo por SÃO PAULO e pelo BRASIL. Lembranças minhas aos padrinhos FELIPE e MARIA JOSÉ e aceitem um forte abraço do filho que vos pede a bênção, do irmão, tio e cunhado,

Mário
VIVA SÃO PAULO, VIVA O BRASIL.
VIVA A DEMOCRACIA.
SÃO PAULO, 13 de julho de 1932 "

A carta publicada acima chegou ao blog através do Cel. Mario Ventura, que recebeu o texto do Dr. Hélcio Dallari Júnior.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Punhal Paulista

Esta peça chegou em minhas mãos através de familiares de um veterano que participou das revoluções de 1924 e 1932. Trata-se de um punhal (ou faca-de-ponta) muito antigo, trabalhado em alpaca com a lâmina re-aproveitada de uma espada da época do Império. É possível ler na lâmina "S. Paulo" além do belíssimo entalhe HONRA e GLÓRIA. No verso as iniciais do ferreiro, DFM.

A "faca-de-ponta" é uma tradicional arma-branca brasileira que foi muito usada no século passado no Nordeste e no Sul.
São peças artesanais e artísticas feitas sob encomenda por ferreiros especializados usando vários materiais e técnicas para acabamento. Esses belos punhais foram objeto de estudo de Oswaldo Lamartine de Faria, no seu livro "Apontamentos sobre a Faca de Ponta" publicado em 1988.

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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Insígnias do quepe do Exército em 1932

Hoje trago uma linda foto e um interessante par de insígnias usadas no quepe do Exército em 1932.
As insígnias eram o tope redondo com as cores nacionais e a outra os dois fuzis cruzados, antigo símbolo da Infantaria - adotados no início do Século XX.

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Vemos abaixo uma montagem com imagens retiradas do livro Uniformes do Exército Brasileiro de Gustavo Barroso com ilustrações de José Wasth Rodrigues, editado em 1922.

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A foto a seguir mostra um soldado paulista não identificado usando a combinação de insígnias.

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Após a Revolução e as mudanças no plano de uniformes militares, as insígnias de quepe foram alteradas para outro padrão que pode ser visto aqui.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

7 de setembro de 1932

Texto de Guilherme de Almeida, publicado no Jornal das Trincheiras (redigido e publicado pela LDP) em 8 de setembro de 1932. Uma boa oportunidade para um momento de reflexão.

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