sábado, 30 de outubro de 2010

Facão de Mato

Como já foi mostrado neste link, além dos capacetes de aço algumas indústrias paulistas fabricaram durante o esforço de guerra um facão de mato para equipar o soldado constitucionalista.
Abaixo vemos um exemplar de lâmina longa e com a inscrição original ainda presente.
É muito difícil encontrar uma destas facas atualmente, pois após a revolução elas continuaram a ser usadas por civis e militares - e poucas resistiram a 78 anos de serviço.

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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

São Paulo e a Batalha da Inglaterra

Hoje trago uma peça curiosa, parte de mais um episódio do glorioso passado de São Paulo:
Um brevê da Fraternidade do Fole.

Criada em 1940 por Tom W. Sloper, a Fraternidade do Fole era uma associação que angariava fundos para adquirir aviões para a Royal Air Force que defendia o solo britânico contra os ataques da Luftwaffe de Adolf Hitler.
A Fraternidade do Fole colaborou com a compra de 9 aeronaves "Hawker Typhoon" e de 17 "Spitfire" durante a Segunda Guerra Mundial. A campanha atingiu dez estados brasileiros, sendo que em São Paulo chegou a contar com quase 14 mil membros.

Abaixo vemos um dos brevês SÃO PAULO SPITFIRE FUND que eram recebidos de acordo com a doação em prol da campanha.

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Neste link você encontra uma excelente matéria sobre o assunto na Revista Aerovisão, publicada pela Força Aérea Brasileira.
O site abaixo (em inglês) também traz informações sobre o assunto.
http://www.rafharrowbeer.co.uk/bellows_of_brazil.htm

domingo, 24 de outubro de 2010

A placa que originou a frase PRO S. PAULO FIANT EXIMIA

Um pequeno adendo ao último post.
Fui em busca da placa a que se refere o texto da criação do Brasão de São Paulo, no reservatório da Rua 13 de Maio.
Confesso que fiquei muito satisfeito em encontrá-la em perfeito estado no mesmo local em que foi colocada a 115 anos atrás. Mais uma peça importante da nossa história.

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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Livreto de apresentação do Brasão do Estado de São Paulo

Conforme vimos neste post, o Brasão do Estado de São Paulo criado por José Wasth Rodrigues em 1932 teve sua origem no desenho dos diplomas, medalhas e anéis da Campanha do Ouro.
Abaixo um raro exemplar do livreto de apresentação do brasão, publicado durante a revolução pela Associação Comercial de São Paulo e vendido para angariar fundos para a campanha. Através desta publicação o paulista conheceu o seu brasão, sendo esta a primeira "aparição pública" do desenho de Wasth Rodrigues.

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O antigo dono deste livreto retirou o desenho a cores do brasão e colocou em uma moldura. Repare nas iniciais do autor abaixo do brasão.

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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Peças comemorativas dos anos 50

Conforme já apresentamos neste post, a Associação das Emissoras de São Paulo fez diversas homenagens aos combatentes de 1932 por toda a década de 50, especialmente em 1954 (IV Centenário de São Paulo) e em 1957 no aniversário de 25 anos da revolução. Abaixo vemos mais algumas destas peças, relíquias de um tempo aonde a história paulista era devidamente cultuada e tratada com o respeito que merece.

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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Insígnias da antiga Força Pública do Estado de São Paulo

Publico hoje algumas lembranças da Força Pública do Estado de São Paulo - o poderoso exército paulista que dentre inúmeras outras passagens gloriosas em nossa história foi o núcleo militar durante a Revolução de 32. Em 1970 a fusão da Força Pública e da Guarda Civil pelo governo militar deu origem a atual Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Insígnias de boina e colarinho com a esfera armilar, ambas ainda com a predominância da cor azul.

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Os fuzis cruzados que posteriormente foram substituídos pelas pistolas bucaneiras, atual símbolo das Polícias Militares.

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Par de abotoaduras em ouro e esmalte com o antigo brasão da Força Pública.

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No brasão acima, as dezesseis estrelas representam:
  • 1ª ESTRELA - 15 de dezembro de 1831, criação da Milícia Bandeirante;
  • 2ª ESTRELA - 1838, Guerra dos Farrapos;
  • 3ª ESTRELA - 1839, Campos dos Palmas;
  • 4ª ESTRELA - 1842, Revolução Liberal de Sorocaba;
  • 5ª ESTRELA - 1865 a 1870, Guerra do Paraguai;
  • 6ª ESTRELA - 1893, Revolta da Armada (Revolução Federalista);
  • 7ª ESTRELA - 1896, Questão dos Protocolos;
  • 8ª ESTRELA - 1897, Campanha de Canudos;
  • 9ª ESTRELA - 1910, Revolta do Marinheiro João Cândido;
  • 10ª ESTRELA - 1917, Greve Operária;
  • 11ª ESTRELA - 1922, "Os 18 do Forte de Copacabana" e Sedição do Mato Grosso;
  • 12ª ESTRELA - 1924, Revolução de São Paulo e Campanhas do Sul;
  • 13ª ESTRELA - 1926, Campanhas do Nordeste e Goiás;
  • 14ª ESTRELA - 1930, Revolução Outubrista-Getúlio Vargas;
  • 15ª ESTRELA - 1932, Revolução Constitucionalista;
  • 16ª ESTRELA - 1935/1937, Movimentos Extremistas.
Sendo que o brasão em uso atualmente possue mais duas estrelas:
  • 17ª ESTRELA - 1942/1945, 2ª Guerra Mundial;
  • 18ª ESTRELA - 1964, Revolução de Março.
Para saber mais sobre a história da Força Pública, da Guarda Civil e da Polícia Militar recomendo uma visita ao excelente Museu de Polícia Militar do Estado de São Paulo www.museupm.com.br que conta com uma equipe extremamente profissional e atenciosa aos visitantes, além de um Arquivo Histórico completíssimo, pelo qual é possível traçar diversos aspectos da História de São Paulo.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Livro "O ESTADO DE SÃO PAULO" 1918

Hoje desvio um pouco do ano de 1932 e apresento um formidável livro publicado em 1918 sobre o Estado de São Paulo.
Impresso em Barcelona pela SOCIETÉ DE PUBLICITÉ SUD-AMÉRICAINE, MONT DOMECQ´ & CIE, esta publicação de mais de 700 páginas e pesando aproximadamente oito quilos é ricamente ilustrada com belíssimas fotos, trazendo a organização política e social do Estado, personalidades da elite paulista da época e os principais estabelecimentos comerciais e industriais.

Uma obra que retrata de forma minuciosa São Paulo e sua sociedade dominante no início do Século XX. Difícil de se encontrar, mas essencial para quem estuda a História de São Paulo.

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A bandeira paulista já em uso no dia-a-dia em 1918.

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Antigos palacetes da Avenida Paulista e dos Campos Elíseos e seus habitantes são apresentados em diversas páginas do livro.

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Abaixo uma foto da tradicional família Baruel, e como curiosidade um cartão também datado de 1918 no qual Francisco Nicolau Baruel felicita o historiador Affonso A. de Freitas pela descoberta dos despojos do Padre Diogo Feijó.

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Sede do Jornal o Estado de São Paulo e seu diretor Dr. Júlio de Mesquita.

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Nomes tradicionais de São Paulo que ecoam até os dias de hoje.

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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Monumento e Mausoléu ao Soldado Constitucionalista de 1932

"AOS ÉPICOS DE JULHO DE 32 QUE FIÉIS CUMPRIDORES DE
SAGRADA PROMESSA FEITA A SEUS MAIORES - OS QUE
HOUVERAM AS TERRAS E AS GENTES POR SUA FORÇA E FÉ
- NA LEI PUSERAM SUA FORÇA E EM SÃO PAULO SUA FÉ."
Guilherme de Almeida

O Mausoléu aos Heróis de 32 localizado no Parque do Ibirapuera em São Paulo, é o local de descanso dos soldados tombados na Revolução de 1932. Obra do escultor italiano e ex-combatente Galileo Ugo Emendabili o obelisco é feito em puro mármore travertino. Sob o obelisco, um mausoléu em formato de cruz que abriga os restos mortais dos combatentes com acesso diante ao parque.
Inaugurado em 9 de julho de 1955 é neste local que a população paulista presta anualmente a mais de cinco décadas, homenagens aos seus heróis em solenidades que contam até hoje com a participação de veteranos da revolução e seus familiares. Não seria exagero dizer que este é um dos lugares mais simbólicos de São Paulo, aonde o paulista expressa constantemente seu amor por seu passado e sua História.

Futuramente abordaremos aqui no blog a simbologia e os significados desta magnífica obra, assim como também mostraremos um pouco da biografia dos Heróis que ali descansam.
Neste momento a idéia é mostrar um pouco da história do Mausoléu e o seu significado para a população de São Paulo, para isso farei uso de imagens (algumas delas inéditas) tiradas ao longo dos anos neste local sagrado para todos os paulistas.


Campanha e Construção
Desde o final da revolução a população de São Paulo demandou um monumento que pudesse prestar uma justa homenagem aos seus heróis. Para isso criou-se uma Comissão e uma Campanha Pró Monumento e Mausoléu ao Soldado Paulista de 1932.
Em 1934 durante a gestão do interventor federal Armando de Salles Oliveira, um concurso público foi proposto para a escolha do projeto do futuro monumento. O projeto escolhido foi o de Galileo Ugo Emendabili em co-autoria com o Engenheiro Mario Pucci.

"Quando cheguei ao Brasil, integrei-me completamente na vida brasileira. Nada tinha a não ser minha esposa e eu mesmo. Nove anos após minha chegada estourou a Revolução Constitucionalista. Pode parecer estranho que um italiano tenha sentido tão profundamente este movimento tipicamente brasileiro. Mas em nove anos, aprendi a querer bem o Brasil e particularmente São Paulo. Em virtude desse amor à causa paulista, por ter compreendido a santa finalidade da revolução que procurei lembrar para sempre os feitos dos soldados de São Paulo nesse movimento."
Galileo Emendabili

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Ainda que o concurso tenha sido realizado em 1934, foi apenas em 1949 que a sua pedra fundamental foi lançada. Durante este longo período a Comissão Pró Monumento fez diversas campanhas para a arrecadação de fundos entre a população uma vez que o Governo Estadual alinhado ao Governo Federal de Vargas não colaborava com a verba necessária para a construção. Porém, em 1951 as obras finalmente começaram aceleradas pela proximidade aos festejos do IV Centenário. Em 1954 foram depositados no mausoléu os primeiros restos mortais de combatentes, mas a obra só seria de fato concluída em 1955.

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Maquete de Emendabili. Repare que nesta altura do projeto ainda não havia o poema de Guilherme de Almeida, apenas a marcação do espaço que seria usado para este fim.

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O escultor em frente a uma das cenas retratadas no Obelisco.

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Uma imagem da construção da estrutura do monumento tirada em 1954 na inauguração do Parque Ibirapuera.

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Anos 50 e 60
A partir de sua inaguração, as comemorações de 23 de Maio e 9 de Julho organizadas pela Associação de Veteranos deixam de ocorrer apenas na Praça da República e são também celebradas no Parque do Ibirapuera.
Nas imagens a seguir vemos diversas solenidades que contavam com a presença de inúmeros veteranos desfilando cheios de orgulho em frente ao recém inaugurado Monumento. (Imagens do acervo do autor do blog)

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Visitantes ilustres
O Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira visita o Mausoléu e usa um capacete comemorativo na lapela.
Juscelino serviu nas tropas mineiras que combatiam as tropas constitucionalistas, porém grande estadista que era não deixou de homenagear os soldados paulistas.

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O poeta Guilherme de Almeida cumprimenta o também veterano Dirceu Nogueira Arruda. Mais tarde o poeta teria ali no Mausoléu o local de seu descanso eterno.

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Atualmente
Organizadas pela Sociedade Veteranos de 32 MMDC juntamente com a Polícia Militar do Estado de São Paulo, ocorrem três solenidades anuais no Obelisco nos dias 23 de Maio, 9 de Julho e 2 de Outubro.
Vemos a seguir algumas imagens recentes tiradas pelo autor do blog nas datas acima.

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Amparados por seus familiares, veteranos que fazem questão de desfilar em homenagem aos que tombaram pela lei e pela ordem. Sem dúvida alguma o momento mais emocionante dos desfiles.

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A artista plástica, Diretora de Comunicação do MMDC e neta de combatente, Camila Lourenço Guidice.

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Os paulistas comparecem em peso para participar das homenagens. A cada ano aumenta o público deste tradicional desfile.

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Cap. Ex-Combatente Gino Struffaldi - Presidente do MMDC, Cel. PM. Ref. Antônio Carlos Mendes - Vice-Presidente da Diretoria Executiva do MMDC e o Ex-Combatente Sr. Oswaldo Diana.

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Cel. PM Ref. Mário Fonseca Ventura - Secretário da Diretoria Executiva do MMDC.

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A 2a CIA do 12o Batalhão de Polícia Militar cujo significativo brasão reproduzo abaixo, é a responsável pela conservação e patrulhamento do Mausoléu e seu entorno. O Comando deste batalhão juntamente com o MMDC planeja re-abrir o Mausoléu para a visitação pública nos próximos meses. Será uma importante contribuição à formação das nossas crianças que atualmente tão pouco sabem sobre a História de São Paulo.

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Memorabília
Convites e impressos alusivos as solenidades acontecidas no Obelisco do Ibirapuera ao longo das décadas.

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Braçais usados pelos veteranos nos desfiles das décadas de 50 e 60.

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Uma imagem do autor do blog em frente ao Obelisco, tirada por seu pai, no final dos anos 70.

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A   E S P A D A   D E   P E D R A

DE UM PLAINO NO ALTIPLANO
VERTICALMENTE JORRA,
EM TETRAEDRO IMENSO,
RUMO NADIR-ZENITE,
PETRIFICADO JACTO.
ASSIM, NO ALTIVO APRUMO,
É DE QUE ESPECTRO PRISMA?
DE QUE PALMEIRA FUSTE?
DE QUE PORTAL COLUNA?
DE QUE NAVIO MASTRO?
DE QUE CONFINS BALISA?
DE QUE BANDEIRA POSTE?
DE QUE ALTO MAR FAROL?

E OUVIU-SE: - NEM PRISMA,
NEM FUSTE OU COLUNA,
NEM MASTRO OU BALISA,
NEM POSTE OU FAROL.
EU SOU A ESPADA
QUE A MADRE TERRA,
QUANDO AO SEU SEIO
SE ACONCHEGARAM
OS FILHOS MORTOS,
MATERNALMENTE
DESEMBAINHOU.
FEITA DE PEDRA
MAS PEDRA FEITA
DE OSSOS E CINZAS
E CALCINADA
PELA CANDÊNCIA
DO SEU AMOR,
TORNEI-ME A ESPADA
DA RESISTÊNCIA.
TÊMPERA IMPERTÉRRITA
À INTERPÉRIE AVESSA
SOU A REFRATÁRIA
CONTRA MIM NEM MESMO
AS ADVERSAS FÔRÇAS
DOS QUATRO ELEMENTOS
TERRA, AR, ÁGUA, FOGO
PREVALECERÃO.
NÃO HÁ CHÃO QUE ME CORROMPA,
NÃO HÁ VENTO QUE ME VERGUE
NÃO HÁ CHUVA QUE ME OXIDE,
NÃO HÁ SOL QUE ME DERRETA.

ALÇADA SOBRE O SILÊNCIO
DE ETERNIZADA TRINCHEIRA,
VIGIA DE QUATRO SÉCULOS,
EXPOSTA AS QUATRO ESTAÇÕES
E AOS QUATRO PONT0S CARDEAIS
EU SOU A ESPADA DE PEDRA
PEDRA ANGULAR DE UMA PÁTRIA
PEDRA-DE-TOQUE DA RAÇA
PEDRA DO LAR E DO ALTAR
QUE NA QUADRIGÚMEA LÂMINA
TRAZ A LEGENDA QUE REZA:

AOS ÉPICOS DE JULHO DE 32 QUE FIÉIS CUMPRIDORES DE
SAGRADA PROMESSA FEITA A SEUS MAIORES - OS QUE
HOUVERAM AS TERRAS E AS GENTES POR SUA FORÇA E FÉ -
NA LEI PUSERAM SUA FORÇA E EM SÃO PAULO SUA FÉ.

GUILHERME DE ALMEIDA

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Agradeço ao Cap. PM Flávio Baptista, Comandante da 2a CIA do 12oBPM/M e a Camila Guidice, Diretora de Comunicação Social do MMDC pela colaboração na montagem desta matéria.
Bibliografia: Anais do Museu Paulista, volume 6/7, 1998-1999 (Paulo Cesar Garcez Martins - O Parque do Ibirapuera e a construção da identidade paulista); Ibirapuera, Maria Celestina Teixeira Mendes Torres - Arquivo Histórico da Prefeitura de São Paulo; A Revolução de 1932 - Hernâni Donato.