Walter Kuhlmann de Azambuja (1910-1972)
7º BCR Batalhão de Reservistas de Santos
1ª CIA/Soldado 97
Hoje trago algumas cartas e objetos referentes a participação do voluntário
Walter Kuhlmann de Azambuja na Epopéia de 32, que chegaram até as minhas mãos através de sua neta
Maria Angela Azambuja Lonzetti Vieira de Carvalho e sua bisneta, minha amiga
Camila Lonzetti Vieira de Carvalho.
Aproveito a oportunidade para agradecê-las imensamente pelos tesouros que a mim foram confiados. Muito obrigado!!
7º BCR - Batalhão de Reservistas de Santos
O Batalhão de Voluntários de Santos foi formado oficialmente a 13 de Julho de 1932 sob o comando do
Coronel Grimualdo Teixeira Favilla.
Na manhã do dia 18 de Julho a população santista acompanha em massa a partida dos voluntários para São Paulo. Um momento de grande festa na cidade como vemos no trecho abaixo do livro
Santistas, nas barrancas do Paranapanema de
Santos Amorim, publicado em Novembro de 1932. Este livro traz um ótimo relato do dia-a-dia da 1a CIA do 7o BCR, da qual o soldado Walter Azambuja fazia parte.
"Manhã esplêndida de sol a de 18 de julho de 1932. Uma vibração intensa nas ruas da cidade. Toda a população nas ruas. Das praias e bairros afastados a onda humana, cada vez mais volumosa, rumo ao centro urbano, avassalava-o por completo. Ver os voluntários que deixavam Santos era o desejo coletivo. Ficar em casa, sem levar um adeus aos soldados, equivaleria a um pecado sem remissão. E o povo santista é essencialmente católico. E patriota.
Por isso mesmo, veio toda a gente para o burburinho do asfalto. Da Ponta da Praia. Da Nova Cintra. Do José Menino. Do Campo Grande. Do Macuco. Do Saboó. De S. Vicente. Da Praia Grande. Do Guarujá.
...
Jamais Santos terá visto espetáculo tão soberbo de fé. Tão imponente de civismo. Tão significativo de beleza moral, do que esse da inesquecível manhã de 18 de julho. "
Da data de sua formação até o final da revolução, o 7º BCR se movimentou e combateu na Frente Sul no setor de Buri e Itararé até a fronteira do Paraná nas localidades de Engenheiro Hermillo, Victorino Carmillo, Ligiana, Aracassú, Aterradinho, Bom Sucesso, Porto Velho, Fartura, Itapetininga, Porto Delfino, Gramadinho, S. Miguel Arcanjo, entre inúmeras outras. Abaixo detalhe do mapa dos combates na região, desenhado por
Wasth Rodrigues.
Abaixo vemos algumas das cartas que o soldado Walter Azambuja enviava para sua futura esposa,
Srta. Mariana L. Fernandes. Cartas estas repletas de carinho, afeto e uma visível preocupação em não deixar a noiva alarmada com a situação de perigo constante vivida nas trincheiras.
Nas cartas é possível notar aspectos interessantes das batalhas e da vida militar de um voluntário:
"Escrevo-te esta dentro da trincheira da nossa metralhadora pesada, de cuja guarnição eu faço parte como 2o municiador. Temos tido diversos combates que trazem resultados sempre favoráveis a nossa causa. Ainda esta noite tivemos um tiroteio danado mas que não causou estrago algum. Agora estou mais habituado a esta vida de trincheira..."
"...Fizemos uma viagem horrível por uma estrada péssima, com um temporal medonho.
O nosso caminhão encalhou até os eixos umas vinte vezes, obrigando-nos a descer e empurrar, o que fazíamos com lama até os joelhos. Você nem pode calcular o que foi esta viagem na qual gastamos 24 Horas para apenas 40 quilômetros"
"...tomei hontem um optimo banho, coisa que já não fazia já há uma porção de tempo. Estou com uma barba enorme apresentando quasi um aspecto selvagem."
Segue agora um trecho do livro de Santos Amorim:
"Dia 14. Um domingo ensolarado. Definiram a nossa situação. O próprio coronel Favilla, que pela manhã viera ao nosso encontro. O 1º Pelotão foi para as trincheiras de Porto Velho. O 2º para a fazenda Cruzeiro do Sul. O 3º ficou em Aterradinho. Estava, assim, dividida a 1ª Cia."
...
"Chegamos em Fartura. Ao romper da manhã de 6. Noite inteira viajando. Sem dormir. Fomos para o Grupo Escolar. Servem-nos café e pão. À vontade. Procuramos descansar. Não pudemos. Somos mandados para as trincheiras. Com urgência. Recebemos munição. Abundante. O caso é grave... Avançamos. Quatro quilômetros adiante. Onde a fuzilaria não cessa. Ouvindo, perfeitamente, o tiroteio. Cerrado. Impressionante.
Sob fogo vivíssimo tomamos posição. Junto de destemidos voluntários de Presidente Prudente e bravos soldados da Força Pública. Combatendo tropas paranaenses. Que estão perto. Na montanha fronteiriça. Comanda-nos o tenente Ferraz. Militar valoroso. Abnegado. Que não arreda pé do seu posto de honra. No decorrer do dia. Por três ou quatro vezes. Trocamos balas com o inimigo."
Abaixo algumas imagens do capacete de aço do soldado Walter Azambuja, material recebido pelos homens da 1a CIA no dia 13 de agosto de 1932, e com o qual ele passou por toda a campanha. A grande maioria dos combatentes que não foram presos pelas tropas de Vargas retornou para seus lares usando o capacete de aço - demonstração do orgulho paulista.
"Boletim n. 71, de 5 de outubro de 1932
Camaradas! Chegou o momento de separar-me de vós. Não é preciso que eu elogie os vossos feitos. Tendes todos sabido honrar e cumprir o vosso dever!
Destes tudo o que podíeis dar, inclusive o vosso esforço sobrehumano, em favor da causa que abraçastes.
O vosso denodo, o vosso valor e os vossos feitos são páginas fulgurantes de civismo, patriotismo e desprendimento pela vida. E ficarão gravados na história de nossa estremecida Pátria.
Terminada está a nossa missão nesta fase de nossa vida.
Voltem, pois, aos vossos lares, cabeça erguida e olhar para o alto. Não fostes vencidos!
Abraçando-vos, comovido me despeço de vós.
Grimualdo Teixeira Favilla"
"Do Boletim do Q.G. de Itapetininga, 20-8-932
As forças constitucionalistas no setor Sul, nos dias 15 e 16 de agosto, escreveram uma página de bravura e civismo. A maneira brilhante com que suportaram o ataque da artilharia inimiga, que perdurou pelo espaço de 10 horas; o denodo com que se mantiveram nas trincheiras para deter as sucessivas investidas de assalto, que eram precedidas de vivo fogo, dizem bem alto do Soldado Paulista e da justiça da causa de São Paulo."
1ª Cia. do 7º Batalhão
Foram estes os voluntários que formaram a 1ª Cia do 7º B.C.R. de Santos:
Josias Pedro Leite. Eugênio Reis. José Augusto Wanderley. Eduardo Ribeiro Wright. Antonio Toledo. Orlando Prioli. Adolpho Oliveira. Fausto Negrão. Jayme Pires. Guilherme Pinto de Barros. Gastão Rodrigues. Alberto Morgado. Alfredo Engler Pinto. Theobaldo C. Meira. Antonio Leite do Canto. Elpído de Carvalho. Paulo Toledo Arruda. Alfredo Bompeixe. Alcices Pupo de Godoy. Victor Lovecchio. José Knundsen Filho. Horácio Santos Silva. Hermes Santos Silva. Polydoro Bittencourt. Antonio E. da Silva. Altamir Andrade Coelho. João Carlos de Almeida. Octávio Weber. Mário Lima Glória. Clóvis Prado Alves. Celso Moraes Camargo. Quintino B. Ratto. Ruy de Moraes Barros. Raymundo Furtado. Dráusio M. Nogueira Filho. Paulo de Moraes Camargo. Alexandre R. Xisto. Laurindo Raposo Medeiros. Olivério Pilar Antunes. Annibal Caetano. Virgílio Pinto de Oliveira. José João de Carvalho. Eugênio de Almeida. Rômulo da Costa e Silva. M. Ferreira Júnior. Albino Fernandes. Renato Pimenta. Lauro Porto. Bernardino Rodrigues. Edgard da Silva Marques. José Corrêa. Nelson Faria. Adhemar Soares do Couto. Álvaro Augusto Peixoto. Sólon Pires. Washington Costa. Erse Bassani. José de Toledo Arruda. Álvaro Pereira Alves. Antonio Lobo Vianna. Raul Schmidt de Toledo. Carlos Costa. Nabor Pereira da Silva. Floriano Teixeira. Francisco Oswaldo de Figueiredo. Fábio Leite de Moraes. Jayme Pires Lopes. Antonio Gomes Paim. João Carlos de Souza Filho. Domingos Ernesto Rodrigues. Antonio Marcellino. José Sacramento. Antonio Espinhel. Fausto Guimarães Sampaio. Américo Rizzo. Eurico Martanno dos Santos. Edgard de Souza Aranha. Eduardo Riskalla. Eurico Neves. Francisco Guaraná Menezes. José Ximenes Franco. Othon Carneiro de Castro. Manoel Gabriel dos Santos. Raymundo Soter de Araújo. José Ferreira Coelho. Jorge D. Zacarias. Antonio Giusti. João Taboada Barreiro. Manoel Stockler Pinto. Luiz de Oliveira Passos. Nelson Cunha Garcia. João Desner. Alarico Corrêa da Silveira. Antonio Reis.
Walter Azambuja. Carlos Machado. Rodolpho Soares Filho. Benito Moura. Antonio Rocha. José Pupo. Marcello José Rios. José Maria Marques. Bento Moreira. Domingos Chiarelli. Pompillio Lemos de Souza. Cláudio de Mello Pires. Benedicto Ferraz de Arruda. José Fontes. Renato de Souza Queiroz. Lino Vieira. Djalma Porchat de Assis. Joaquim Madeira. Heródoto Santos Silva. José Gonçalves. Ernesto Sallum. Djalma Carneiro Leão. Gilberto Godoy Martins. Diamantino M. Coelho. Casimiro Araújo. José Antonio de Oliveira. Dillermando Sager. João Camillo. Flávio Ávilla Domingues. Paulino de Carvalho. Renato Mello. Antonio Nunes. Tormar Pereira. Jason Tupynambá. Mário Duprat Fonseca. José Soriano. Gentil Queiroz de Souza. Romeu Rocha. Américo Amaral Júnior. Valentim Oliveira Leite. Elyseu de Andrade. José Baccarat Júnior. Geraldo Moraes Costa. José Miguel. Aristides Pedro de Castro. Príamo Lucindo. Orlando Salles. Oscar Alcover. Sebastião Claudino de Oliveira. Joel Paes d'Avilla. Manoel Moran. Cyro da Lima Glória. Daniel Torrecilla. Antonio Pereira da Cunha. José Alves Rodrigues. José Lydio de Castro. Constantino Molitza. Péricles Pitta. Antonio Santos Amorim.
Para ler o livro
Santistas, nas barrancas do Paranapanema de
Santos Amorim na íntegra, basta acessar
este link.