sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Casa Guilherme de Almeida

Não podemos ter de volta a Villa Kyrial, posta abaixo em 1961, porém temos a Casa Guilherme de Almeida – uma joia incrustada no bairro paulistano de Perdizes.

A convite do Arquiteto Carlos Fernando Coelho Nogueira, fui conhecer a Casa Guilherme de Almeida, reaberta ao público após décadas. A surpresa, além de grande, foi muito positiva. É uma grande satisfação perceber a iniciativa do Governo do Estado de São Paulo - por intermédio da Secretaria do Estado da Cultura em executar e manter um projeto que une tantos atrativos culturais em um só local, mesmo que (ainda) seja desconhecido do grande público.
O projeto arquitetônico e museográfico de Carlos Fernando ficou absolutamente sensacional, mantendo os ares intimistas de uma casa e, ao mesmo tempo, funcionando como museu e polo cultural. Tudo isso de maneira gentil e inteligente, ao modo do antigo dono.

A impressão que se tem ao entrar pelo simpático portão principal, é a de estar de volta a São Paulo dos anos 1940 e, ainda mais que isso, a presença de Guilherme de Almeida é tão forte a ponto de parecer que se está prestes a tomar um café com o poeta na agradável sala de estar.
O acervo de obras de arte exposto pela casa é outra razão para ficar de queixo caído em cada cômodo: Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Lasar Segall, Brecheret são alguns dos nomes que decoram as paredes da casa, em obras que reforçam ainda mais a impressão de vivenciar a São Paulo genial e borbulhante daqueles dias. Se a campainha tocar, pode atender sem sobressalto; deve ser o Mário de Andrade para mais uma longa conversa na aconchegante mansarda, esta diga-se de passagem, o local mais emocionante da casa.

Após a leitura de um poema escrito pelo dono da casa sobre as escadas que levam à mansarda, sobe-se cada degrau imaginanado quantas vezes o Príncipe dos Poetas deu os mesmos passos e, ao término dos degraus, o visitante entende a razão daquela bela poesia escada abaixo.
Neste local que exala cultura encontram-se os vestígios da passagem de Guilherme de Almeida pela Revolução de 32. Capacete de Aço (Coroa de louros do herói que lutou, Auréola santa do mártir que tombou), fuzil Mauser 1908, distintivos e brasões paulistas que inspiraram e foram criados pelo combatente que, depois da revolução, reconstruiu aqueles dias com as poesias e frases mais belas de que se tem notícia. Não pude deixar de lembrar os inúmeros versos que me emocionam e arrepiam todos os meus fios de cabelo e imaginar que a grande maioria deles viu naquela mansarda a luz do dia.

Além de museu, a Casa Guilherme de Almeida é um centro de estudos de tradução literária, oferecendo cursos e atividades relacionadas à tradução e à obra de Guilherme de Almeida. O acervo do museu, cujos livros pertenceram ao poeta, traz livros importantes e raros, primeiras edições e um vasto acervo na área de literatura estrangeira.
A equipe que me recebeu e que cuida do projeto e do acervo é formada por profissionais qualificados e conhecedores da obra de Guilherme de Almeida, o que torna a visita e a consulta ao acervo ainda mais prazerosa. Agradeço a enorme hospitalidade do Carlos Fernando, da Karen Kipnis e da Marlene Laky, que me mostraram cada detalhe da Casa Guilherme de Almeida com olhares apaixonados voltados para cada parede e para cada livro - típico daqueles que amam o que fazem. A direção do museu é do Professor Marcelo Tápia.

Recomendo a visita a Casa Guilherme de Almeida para todos que se interessam pela história de São Paulo, pela Semana de Arte Moderna de 1922, pelo Movimento Constitucionalista de 1932, por literatura, arte ou arquitetura. Seja qual for o seu foco de interesse, a visita será fascinante.
Para saber mais acesse www.casaguilhermedealmeida.org.br
As fotos a seguir são do autor do blog.

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Retrato de Baby de Almeida por Lasar Segall. Belkiss "Baby" Barrozo do Amaral, casou com Guilherme de Almeida em 1923 e viveram juntos até a morte de Guilherme em 1969.

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Surpresas a cada parede da casa, como neste croqui original do Monumento do Ibirapuera ou na foto com dedicatória de Walt Disney.

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Os cômodos mantidos ao modo do uso de Guilherme de Almeida.

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O trabalho de restauração e conservação das obras é feito em um estúdio no próprio local.

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O arquiteto Carlos Fernando, responsável pelo projeto arquitetônico e museográfico e a bela vista do Pacaembú e da Avenida Paulista.

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7 comentários:

  1. Recebi, muito satisfeito, a Visita à
    casa de Guilherme de Almeida, bem detalhada e com a agravante de me
    trazer saudades pois morei nas Perdizes até iniciar minha carreira no
    Exército Brasileiro. Eu a conheci por fora, nunca houve a oportunidade
    de entrar, o que agora faço graças às suas fotos. Parabéns.
    Aproveitei e "fucei" o seu blog procurando as lembranças da Revolução
    de 32. Muito bom
    Um abraço de Luiz Cavalcanti de Albuquerque

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  2. Boa Tarde,Ricado vc tem o dom de passar os seus sentimentos atravez das suas palavras.
    Adorei o comentario, mais ainda seu trabalho no blog, vou repassar p/ todos meus amigos.
    Ro Pompeo

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  3. Me emocionei muito ao ver as fotos, obrigado por ter me informado do fato.
    Imagine só o quanto deveria ser agradável e civilizada a nossa São Paulo dos anos 40, pelas histórias que ouço e ouvi de meus familiares devia ser um lugar ótimo ou.
    A velocidade do mundo era outra; as preocupações e necessidades eram muitíssimo menores creio que dava para ver a vida passar sem tantas atribulações como as que temos hoje.
    Cordial e fraterno abraço no patrício,
    Francisco neto

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  4. tenho um anel da canpanha dei ouro...
    gostariae vendelo intereçados ligar 015 81030464

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  5. Parabéns por chamar atenção para este novo museu, que é uma verdadeira jóia perdida na cidade! As pessoas ainda não se deram conta de sua importância, pelo acervo, pelo ineditismo do conceito de reforma de arquitetura e da excelente museografia! Sem falar na programção de grande qualidade!! Não há nada parecido no Brasil. É uma experiência de aconchego, de inteligência plena, de beleza e requinte! E pertence ao povo de SP. Novamnente, parabéns ao blog e à instituição. Fulco V. Modrone

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  6. Muito bom! Patrimônio Cultural da Cidade de São Paulo.

    Visitarei em breve com meus pais.

    Abs,

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  7. Fiquei maravilhado. Ei de estar lá, pessoalmente, num dia. Em minha cidade, Jahu-SP, o 09 de julho nunca passa em branco. Há sempre grande e importante comemoração. Agora estamos tentando organizar a 1ª semana Guilherme de Almeida.

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