quarta-feira, 16 de março de 2011

7º de Voluntários da Pátria - Paulistas na Guerra do Paraguai

Pouquíssimas pessoas hoje em dia tem conhecimento a respeito da heróica participação dos Voluntários Paulistas na Guerra do Paraguai. Na verdade, até a poucos anos atrás este importante episódio era ensinado de forma absolutamente MENTIROSA e porque não dizer CRIMINOSA nas escolas brasileiras, colocando o louco ditador Solano Lópes no papel de “vítima de um complô anglo-brasileiro” que visava aniquilar as pretensões progressistas de um país que não se curvava ao imperialismo britânico, sendo brutalmente massacrados pelos brasileiros e seus aliados. Atualmente, após estudos baseados em documentos e fatos, entende-se que as causas da guerra foram outras e muito mais amplas, determinadas principalmente pela consolidação dos Estados nacionais na então conturbada região do Prata.

Não é intenção desta breve matéria entrar no mérito da questão acerca das origens do conflito, porém é necessário recordar que Lópes foi o agressor ao iniciar a guerra contra o Brasil, e depois contra a Argentina. Uma guerra que não era almejada pelo Império do Brasil.

Este post fala sobre os paulistas que atendendo ao chamado da Pátria, foram ao Paraguai e aplicaram uma lição em nossos agressores.

A estes Bravos, nosso mais profundo respeito e gratidão.

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Pela Patria! Por Deos! Pelo Mundo!
Rugem feras no negro covil...
Fiquem mudas á voz da Bombarda!
Rolem mortas aos pés do Brasil!

No deserto, bandeira a frente,
Respirando vingança marcha!
Ninguém saiba quem foi o mais valente...
Arda em chammas o vil Paraguay
...
Treme o solo ao tropel dos guerreiros,
Treme ao céo ao troar dos canhões,
Mas não sabem tremer brasileiros.
Nem seus braços, nem seus corações.


A notícia da invasão do Mato Grosso pelas tropas de Lópes em 24 de outubro de 1864 correu como um rastilho de pólvora pela Província de São Paulo. Manifestações populares, comícios e associações patrióticas foram formadas, tal qual aconteceria 68 anos depois nesta mesma cidade...
A “Associação Promotora de Voluntários da Pátria” com sede no Largo da Sé apresentou no início de 1865 um grande contingente de soldados voluntários. Esta mesma associação também os fardou, armou e transportou os voluntários que formaram o 7º de Voluntários da Pátria. Este batalhão era composto de oito companhias tendo cada uma um capitão, um tenente e dois alferes.
Como comandante o Tenente Coronel Francisco Joaquim Pinto Pacca, major reformado do Exército;
Major Joaquim Antonio Dias;
Alferes Ajudante Candido Belisario Quintanilha Jordão;
Alferes Quartel Mestre Francisco Assis Castro e Silva;
Alferes Secretário Henrique Alves de Carvalho;
Capellão Alferes Padre João Francisco de Siqueira Andrade;
Capitão Antonio Ferraz do Amaral;
Capitão Antonio Alves Marques,
Capitão Diogo Antonio de Barros,
Capitão Antonio Carlos da Silva Telles,
Capitão Felício Ribeiro dos Santos Camargo,
Capitão Francisco de Assis Pereira de Castro,
Capitão Fortunato de Campos Freire,
Capitão Joaquim Compton D´Elboux
Tenente Antonio de Pádua Silveira Franco;
Tenente João Antonio Vieira;
Tenente João Francisco de Azevedo;
Tenente Gustavo Adolpho Peixoto de Azevedo;
Tenente Martinho da Silva Prado;
Tenente Antonio Pedroso Goulart;
Tenente Cypriano Francisco de Assis;
Tenente João Monteiro de Toledo;
Alferes Francisco de Paula Penteado;
Alferes Francisco Liborio de Oliveira
Alferes Antonio Nardi de Vasconcellos;
Alferes Antonio Lopes Guimarães;
Alferes Joaquim Monteiro Soares;
Alferes Carlos Augusto Ramalho da Luz;
Alferes Pio Correa da Rocha;
Alferes Claudio de Paula Machado;
Alferes Joaquim Thomas Cardoso de Mello;
Alferes Francisco Justino dos Santos Moura;
Alferes Belisario Augusto de Senna;
Alferes João Antonio de Paula Vieira;
Alferes João Fabiano da Costa Machado;
Alferes José Francisco de Assis Penteado;
Alferes Francisco Benedicto de Mattos;
Alferes José Antonio de Albuquerque.

Oficiais addidos:
Capitão Elias José de Oliveira;
Capitão Tristão de Almeida;
Tenente Valentim José Rodrigues;
Tenente Roldão Martins de Britto;
Alferes Matheus Marques de Moura Leite;
Alferes Joaquim José de Almeida;
Alferes Francisco de Paula Nogueira;
Alferes Pedro Palhares de Andrade;
Alferes Raymundo do Espírito Santo Fontenelle;
Alferes João José da Silva Costa;
Alferes Affonso Aurora Terra;
Alferes Eugenio Luciano de Sampaio.
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“Era o 7º um corpo luzido, formado com a flôr da mocidade paulistana, estuante de brio, de enthusiasmo patriota e de desejos de marchar para o theatro de lucta, que se feria em toda vasta fronteira do Sul. Anciavam os voluntários pela ordem de marcha, que aguardavam, havia já seis longos meses.”
Em 1º de agosto de 1865 com o efetivo de 759 homens, o 7o levantou acampamento das colinas do Ipiranga aonde estavam aquartelados e seguiram para Santos, onde embarcaram no “Princeza de Joinville” com destino final no Rio Grande.
Em Porto Alegre o batalhão teve instrução e treino por pouco mais de um mês, infelizmente tempo suficiente para vitimar 33 praças e um oficial, mortos por varíola. No dia 7 de outubro, o 7º batalhão embarcou no “Vapor São Paulo” iniciando a longa viagem rumo a Corrientes. Durante os próximos quatro meses o 7º acampou em diversos pontos da fronteira paraguaia e se juntou com o 42º também de São Paulo. Teve a honra de ter sido passado em revista pelo venerável General Osório que afirmou:“Esses são soldados! E devem sel-os, pois os paulistas, seus antepassados, foram bravos, como certifica a história”

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Finalmente no dia 10 de abril de 1866 o 7º “cobriu-se de virentes louros” na Ilha do Ataio, ao lado de Itapirú, em solo paraguaio. A missão dada ao 7º no dia 5 de abril consistia em tomar, ocupar e manter a Ilha do Ataio – ponto estratégico fortemente defendido pelo inimigo. Durante a noite sob o manto da escuridão completa, o 7º desembarcou um chatas e montou um sistema de trincheiras e dispuseram 6 peças de sua bateria.
Ao clarear do dia a linha brasileira era vista pelos paragauios da fortaleza de Itapirú. A bandeira do 7º tremulando “como um desafio lançado às faces de Lopéz e sua gente”.

A partir daí uma tempestade de metralha e aço caiu sobre os voluntários do 7º. Durante quatro dias o combate prosseguiu rude de parte a parte. Na madrugada do dia 10 os inimigos calculados em 1200 homens divididos em três batalhões atacaram ferozmente as tropas brasileiras. A ilha foi tomada ao custo de 153 mortos do 7º contra mais de 600 paraguaios tombados em combate.
“Quando escasseou a munição, o commandante Pinto Pacca fazendo das mãos porta voz gritou:
Camaradas! A Província de São Paulo vos contempla! Em seguida mandou tocar carga à baioneta. Como um só homem toda a tropa extendida em atiradores, surgiu nos parapeitos das trincheiras, que ficaram eriçadas de baionetas, brilhando aos raios do sol dessa manhã memorável”...”Os ferros tingiram-se de sangue inimigo, que jorrou em abundancia...Riachos de sangue serpenteavam em todas as direcções.”
Na clássica Batalha de Tuiuti em 24 de Maio, o 7o que incorporara ao seu efetivo o 42o "bateu-se por longo espaço de tempo com uma força de infantaria superior em número, com a cavallaria e foguetes a congreve, tendo fóra de combate seis oficiais e cento e dezenove praças. A bandeira findo o combate, apresentava tres orificios produzidos por balas"

Principais combates do 7º de Voluntários da Pátria:
12 de Abril – Itapirú
20 e 21 de Abril - Rojas
24 de Maio – Tuiuti
13 de Junho
16 e 17 de Julho - Punta Nãró
18 de Julho – Isla Carapá (40 mortos do 7º nesta data)
20 de Setembro – Tujucué
19 de Fevereiro de 1868 – Estabelecimento
8 de Agosto – Perecué / Assunção
13 de Dezembro – Villeta
30 de Dezembro – Angustura
30 de maio de 1869 – Tupiram
11 e 12 de Agosto – Cordilheiras

Até o mês de março de 1870, o 7º de São Paulo atravessou o Paraguai passando por diversas localidades no encalço de colunas inimigas remanescentes através de descampados, chacos, rios e picadas no mato. Partindo em 30 de março para o Brasil após quase cinco anos em campanha, chegou em São Paulo em 25 de Abril quando foram recebidos com uma enorme festa popular na Estação da Luz “que se achava adornada com esmero”. "A população de São Paulo recebeu cheia de jubilo e enthusiasmo os valentes chegados do 7o de Voluntarios naquelle dia".

O 7º partiu com aproximadamente 800 homens, recebendo em suas fileiras elementos adicionais de dois batalhões durante a campanha, além das reposições de pessoal. Retornava com 350, sendo somente 84 deles da formação original do Batalhão.
Aproximadamente 6000 homens jamais retornaram.

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Abaixo ilustração de José Wasth Rodrigues, com o esquema de cores usado na Bandeira Imperial do Regimento de Cavalaria, similar a bandeira do 7o na foto acima.

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A Bandeira do 7o Batalhão de Voluntários da Pátria.
A bandeira costurada em seda lavrada foi bordada e oferecida ao batalhão pelas senhoras paulistas por intermédio de D. Francisca Paulina da Fonseca e de D. Maria Amelia Pinto Mauricio. A bandeira abrigou os Voluntários do 7o e depois parte do 42o e 45o também de São Paulo através de Tujucué, Estabelecimento, Surubuhy, Palmas, Angustura, Chaco, Villeta, Piquiricy, Assunção, Rosário, Tupium, Luque, Taquaral, Caraguatahy, Arroio-Verde, Bella Vista e Cerro Corá.

Na lança da bandeira, a Ordem do Cruzeiro do Sul com a qual o governo Imperial condecorou o Batalhão após o combate da Ilha do Ataio. Junto a insígnia do Cruzeiro encontra-se a imagem da Conceição moldada em ouro do Jaraguá, "oferecida ao Batalhão por uma respeitável senhora da família Quartim."
"A insígnia apresenta-se separada em duas partes, por bala recebida na batalha de 24 de maio."

Segundo pesquisa realizada pelo autor do blog, a bandeira do 7o Batalhão de Voluntários encontra-se no acervo do Museu de Arte Sacra que recebeu o acervo do antigo Cabido Paulopolitano , enquanto que a insígnia do Cruzeiro encontra-se na Basílica de Nossa Senhora de Aparecida. Essas informações estão sujeitas a confirmação.

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Abaixo ilustração da insígnia da Ordem Imperial do Cruzeiro, semelhante a recebida pelo 7o.
Instituída pelo Decreto de 1º de dezembro de 1822, a Ordem do Cruzeiro foi utilizada durante a Guerra do Paraguai para condecorar atos de bravura. Alguns navios da Esquadra Brasileira que participaram das batalhas de Riachuelo e Humaitá também foram agraciados com esta ordem.

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Assinaram a ata da entrega da bandeira do 7o Batalhão ao Cabido Paulopolitano em abril de 1870, os seguintes oficiais:
Tenente Coronel Antonio Martins de Amorim Rangel;
Major Manoel Antonio Carrilho;
Major Tristão Firmino de Almeida;
Major Manoel Antonio de Lima Vieira;
Capitão Carlos Baucoult;
Capitão Affonso Aurora Terra;
Capitão Antonio Lopes Guimarães (cuja foto da Ordem da Rosa por ele recebida encontra-se neste link);
Capitão Antonio Nardi de Vasconcellos;
Capitão José Rodrigues Pereira de Miranda;
Tenente João Batista Ebeckem;
Alferes Henrique Herculano Guerra Leal;
Alferes Bernardo Antonio de Araujo.

Todas as informações contidas nest post foram resumidas do original "O Espírito Militar Paulista" do Tenente Coronel Pedro Dias de Campos, publicado em 1923.

4 comentários:

  1. ... O Ricardo consegue surpreender, tão facilmente, que seu trabalho é cada vez mais valoroso e rigoroso no que diz respeito à História enquanto ciência.
    PARABÉNS pelo post, amigo!
    Francamente, não me surpreendo com sua dedicação incomparável; mas me chama a atenção sua cultura seu conhecimento e sua atenção às atualizações destes estudos! Falou MUITO BEM no início do post! Detalhou, destacou e deu tom atual ao assunto!
    É saboroso acompanhar este blog!
    Que Deus o ilumine para que tantas outras vezes nos possa compartilhar tantos brilhos de cultura.
    SUCESSO, RAPAZ!

    Viva São Paulo.

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  2. Excelente como sempre, Ricky!
    Será que dá pra fotografar a bandeira na Curia de São Paulo?
    Comentário interessante sobre como a guerra do Paraguai era abordada, pois, equivale a dizer que Hitler não teve culpa pela segunda guerra mundial e que os alemães eram todos coitadinhos defendendo Berlim.

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  3. lUIZ rICARDO nOQUEIRA vASCONCELLOS12 de setembro de 2011 22:12

    rICARDO VOCE JA E UM IMORTAL pARA OS pAULISTAS VOCE NOS ENCHE DE ORGULHO DE SERMOS pAULISTAS E pAULISTANOS TEMOS SIM QUE MANTER A NOSSA MEMORIA VIVA DE NOSSOS HEROIS DESDE OS BANDEIRANTES VOLUNTARIOS DA PATRIA E NOSSOS HEROIS DE 32 AMIGO SOMOS TODOS IRMAOS E AMANTES DE NOSSO QUERIDO pAIS QUE E sAO pAULO

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  4. ALGUM DIRETOR DEVERIA INVESTIR NO CINEMA NACIONAL E FAZER FILMES SOBRE ESSES FATOS HISTÓRICOS E GLORIOSOS QUE A POPULAÇÃO BRASILEIRA E PAULISTANA NÃO CONHECE SE BEM QUE HOJE EM DIA QUEM É PAULISTA PURO DE VERDADE????SÃO POUCOS MAS NO FINAL SOMOS TODOS BRASILEIROS AMEN.....

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