Em meados do ano passado um grande amigo do Rio de Janeiro me trouxe este belíssimo álbum de fotos da Revolução de 32. Supostamente com recordações de um soldado paulista.
Ao examinar as fotos eu fiquei desconfiado que o mesmo poderia ser de um soldado que lutou CONTRA os paulistas, mas na mesma hora ele e outro grande amigo (os quais eu mui piedosamente omitirei os nomes) insistiram que tratavam-se de soldados paulistas nas fotos e que eu estava ficando doido. Como são pouquíssimas as legendas no álbum, ficou o dito pelo não dito.
Pois hoje eu posto as principais fotos do álbum e insisto em afirmar que tratam-se de soldados cariocas, ainda que o uniforme seja o mesmo usado pelos paulistas. A medida que mostro as fotos, eu justificarei minhas desconfianças.
Cabe aos fiéis leitores julgar o caso e expressar suas opiniões, sempre muito bem vindas.
***Informação passada pelo leitor João Marcos Carvalho:
"Chamo a atenção para as fotos com o trem ao fundo. Entre os militares, aparece um senhor de terno, chapéu e longo bigode branco e pontudo. Trata-se o "general honorário" gaúcho João Francisco, que participou da Rev. de 1924 em SP ao lado dos paulistas. Ele fez parte do Estado Maior revolucionário, mas abandonou a luta por divergências com seu comandante, gal. Isidoro Dias Lopes, quando as tropas estavam em MS. Em 32, João Francisco lutou contra os paulistas na região de Ourinhos, auxiliando a Briga Militar gaúcha (PM), da qual era tenente-coronel."
EDITADO EM 27/04/2011***

Paulistas ou cariocas? No verso da foto a legenda "Ourinhos, outubro de 1932".
Seriam os últimos paulistas armados em Ourinhos? Com semblantes felizes e despreocupados?




Na foto cômica abaixo a lengenda "Um entrevero dos tenentes Burlamaqui e Pedro, Ourinhos 22-10-1932". Paulistas armados no final de outubro de 32?

ATENÇÃO: O autor do blog oferece uma peça de 1932 para quem conseguir decifrar o que está escrito em giz no vagão que aparece nas duas fotos abaixo. Mandem suas respostas para tudoporsp1932@gmail.com
A primeira resposta que fizer mais sentido leva o brinde, com a postagem paga - além do nome do autor da identificação entrar no "hall da fama" do Tudo por São Paulo.
***O leitor Marcio Redondo decifrou a frase que é SENHORES SARGENTOS e enviou o email as 17:34 do dia 20 de abril, assim sendo ele ganhou o brinde do blog. Obrigado a todos que participaram!***

Dos Campos Elíseos para o Catete ou do Catete para os Campos Elíseos??

Aspectos de trincheiras e terreno.





A foto abaixo traz no verso "5ª G.A.Cav 6-2-1931, Livramento". Seriam soldados cariocas vestidos a caráter no quartel da Cavalaria em Santana do Livramento no Rio Grande do Sul ou espiões paulistas inflitrados??

Abaixo uma imagem do dono do álbum e os amigos (que também aparecem nas fotos militares) em roupas civis com a legenda "Burlamaqui, Pedro e Angelo na Avenida Rio Branco 18-11-1932". Soldados paulistas em turismo no Rio logo após o término das hostilidades? Improvável.
As poucas fotos que traziam legendas estão aqui, porém para mim não resta dúvida que este misterioso álbum (que veio do Rio) é mesmo de um soldado carioca.


Os Uniformes aparentemente legalistas e o perfil, o jeitão de carioca nessa última foto acredito que deixa mais que evidente que se trata de cariocas.
ResponderExcluirNOBRE Ricardo!
ResponderExcluirPermite a opinião, né?
Pra mim, são tropas sulistas e, possivelmente, cariocas.
Por quê?
Perceba:
- os chapéus de aba larga;
- a presença do lenço escuro (possivelmente vermelho) em alguns;
- o lenço branco seria paulista, mas é totalmente aceitável lembrando que gaúchos usam lenços tradicionalmente;
- existe um sujeito de paletó e lenço escuro numa das fotos;
- o uso de cavalos (tradicionalíssimo na Cavalaria Gaúcha);
- a palavra "entrevero", tradicionalíssima no RS;
- a origem das fotos -- Ourinhos, setor SUL da Campanha de 32;
- na foto próximos ao canhão, principalmente, perceba que a maioria não usa a bota (borzeguim) com perneira de couro, mas a bota assanfonada (típica do RS);
- o uso de capotão contra o frio por alguns;
- a foto de lembrança do Rio de Janeiro (por que guardar lembrança da cidade natal e não da "Capital, visitada após a vitória"?);
- na penúltima foto (tirando minhas dúvidas): uso de chimarrão, boina, bombacha, lenços fartos, guasca, chapéus de aba larga, bota assanfonada e alpargatas -- mais gaúcho, impossível!
... Talvez um contato entre "legalistas"? Enfim...
Que ESPLÊNDIDO exercício, rapaz! DEUS o abençõe, amigo! ... Fiquei emocionado.
ABRAÇÃO!
Parabéns pelo "album misterioso" de fotos cariocas/gauchescas. Tomei a liberdade de mostrá-las para "renomados especialistas" sobre o assunto, nos muitos churrascos/chopadas que enfrentei neste terrível e prolongado feriado, entre os quais "comemoráva-se" um enforcamento seguido de esquartejamento, um açoitamento seguido de crucificação, um possível desaparecimento de cadável, comermos bacalhau, cuja cabeça jamais foi vista, apesar de procurada, compactuar com a mentira de que mamíferos ( coelhos !! ) botam ovos e ainda por cima de chocolate !! Sem contar a "romaria" ate Monte Alegre do Sul, para Fecharmos Nossos Corpos ( conhece a história ???), na Sexta Feira Santa.
ResponderExcluirOs cavaleiros e os atiradores ( de clube de tiro ) foram unânimes em concordar de que se trata de "tropa hostil", com certeza cavalaria gaúcha. Adoramos a pouca padronização de fartamento e armamentos, coisas que erroneamente achavamos que só ocorria com "tropa amiga", notamos que não aparecem capacetes de aço ( nem inglês e nem francês ), mas ouve dúvida quanto a um sujeito ao lado do canhão, que parece estar com um capacete de aço modelo francês ( ou seria um capacete de pano ??). Mesmo os enormes chapéus de feltro tem modelos diferentes, na segunda foto ao lado do vagão de trem, dois sujeitos estão com os chapéus colocados de lado ( !! ), muitas botas de couro fino, de cano médio com sanfonamento na parte de baixo, alguns não usam calças culotes, mas sim calças de bombachas, muitos lenços em pescoços, armas níqueladas, possivelmente particulares, pois as armas militares são oxidadas ( pretas ), fivelas de cintos diferentes
entre si, algumas retangulares e com dois pinos, outras quadradas de pino central, até cintas "não regulamentares" com coldres em couro, vimos um canhão ( obuseiro) possívelmente de artilharia hipomóvel, capacetes-de-pano sem alça de queixo, os que não
são cavalarianos devem ser "irregulares" ( voluntários e reservistas ), nestes as fardas já são bem parecidas com as paulistas, usa botinas e polâinas. Há pessoal da infantaria "regular" do exército, mas devem ser oficiais, pois estão de botas de montar com esporas ( lembrar que naquele tempo os oficiais do Exército usavam cavalos para ser locomover entre as diferentes posições de suas tropas ). Por fim a cavalada não tem arreiamento padronizado, um dos animais está com pelêgo de carneiro em uma sela com cabeçada com placa em alpaca, coisa nada militar, mas muito guachesca..!! Há até um cavalariano na primeira foto ao lado do vagão de trem ( cujos escritos estão em francês e brevemente revelarei o seu significado ...deixe-me beber mais um pouco !!!) que está com um punhal de cabo em prata atravessado em sua cinta, coisa esta "muito tropeira".
Enfim, esperamos, entre um gole e outro, ter contribuído para ajudar a decifrar o mistério dos "gaúchos cariocas".
Obrigado pela atençâo, um abraço,
Mauri Cunha.
Agradeço pelos comentários e análises por email e pelo blog. É muito bom poder contar com opiniões tão balizadas e apaixonadas!
ResponderExcluirTemos um vencedor da frase do vagão que já foi notificado por email...postarei seu nome em breve, junto com (mais uma) participação fantástica do Marcus! Agradeço também ao Mauri Cunha pela ajuda dele e dos amigos!
Abraços,
Caro Ricardo,todos os comentários postados são pertinentes. Mas chamo a atenção para as fotos com o trem ao fundo. Entre os militares, aparece um senhor de terno, chapéu e longo bigode branco e pontudo. Trata-se o "general honorário" gaúcho João Francisco, que participou da Rev. de 1924 em SP ao lado dos paulistas. Ele fez parte do Estado Maior revolucionário, mas abandonou a luta por divergências com seu comandante, gal. Isidoro Dias Lopes, quando as tropas estavam em MS. Em 32, João Francisco lutou contra os paulistas na região de Ourinhos, auxiando a Briga Militar gaúcha (PM), da qual era tenente-coronel.
ResponderExcluirCorrigindo: auxiliando a Brigada Militar gaúcha ...
ResponderExcluirPrezado João Marcos, acredito que com o seu comentário não resta sombra de dúvida sobre qual a origem da tropa. Muito obrigado!
ResponderExcluirVou inclusive adicionar sua informação no final do post para futuras referências.
Um abraço,
Caro Ricardo,
ResponderExcluirSubmeti as fotos do "Álbum Misterioso" à apreciação do Cel. do EB Lima Castro, hoje com 87 anos, e cujo pai, gal. Luiz de Castro (1892 -1976) foi ten.cel. getulista em 32, atuando no 15º Batalhão de Caçadores. Segundo Lima Castro, os chapelões tipo escoteiro que se vê nas fotos, eram usados exclusivamente pela cavalaria. Tem mais: ele acredita que as fotos do álbum foram tiradas logo após a vitória da Revolução de 1930, e não a de 32. Para chegar à esta conclusão, o cel. se baseia no fato de os uniformes estarem quase impecáveis. Ainda segundo ele, após dias de trincheira e combates, as fardas geralmente ficam sujas e em frangalhos. Ele está convencido que as fotos com trens ao fundo são do embarque de tropas no sul do Paraná, em direção a Itararé, em 30. Nessa ocasião, o gal. João Francisco (de quem já falamos),comandava um esquadrão de cavalaria ligeira, operando na linha de frente em conexão com Miguel Costa, comandante geral das forças revolucionárias de 30, que invadiram SP a partir de Itararé, chegando ao RJ em 3 de nov., quando GV foi empossado como chefe da Revolução.
Conforme já foi dito, em 32 João Francisco atuou contra os constitucionalistas, também atuando a partir do Paraná.
Para finalizar, eu acho que os rapazes de terno são soldados gaúchos caminhando pelas ruas do RJ, em 1931. Mas isso é apenas uma dedução minha diante das circunstâncias e evidências que emergem das fotos.
Abraços.
Prezado João Marcos,
ResponderExcluirAs fotos estão datadas de 1932 conforme relatei no post. Um abraço,
Caro Ricardo,
ResponderExcluirVai aqui mais uma dedução: mesmo datadas como sendo de 32, quem as datou pode ter feito isto (a datação) muitos anos depois.
Exemplo: tenho entre meu material de pesquisa uma foto de um grupo de cavalaria do EB datada de 1932. Entretanto, vê-se claramente que o uniforme é o verde-oliva, adotado a partir de 33.
O que presumo é que anos depois da foto ser feita, alguém perguntou: "e essa foto, de quando é?" O dono deve ter respondido: "ah, deve ser de 32, durante a Rev."
"Bom, então vamos datá-la. Vou botar 32..." teria dito ao dono dela o suposto cara que via a foto.
Claro, isso tudo não passam de conjecturas de minha desconfiada mente de pesquisador.
Abraços.
Olá João Marcos,
ResponderExcluirRealmente pode ser possível, mas as fotos em questão são postais WESSEL com datas e dedicatórias - e nas datas dia, mês e ano.
Seja como for, são estas conjecturas que nos fazem ir além quando estamos estudando história!
Abraço,
É isso aí, caríssimo. Concordo plenamente. Mas já que entramos numa área tão interessante, como saber quem era quem nas fotos em preto e branco, faço aqui uma sugestão: que tal o portal abrir um debate sobre a pergunta que não quer calar: se as tropas combatentes dos dois lados usavam uniformes semelhantes, que tática era usada para se evitar fogo amigo?
ResponderExcluirCaro vou extrapolar. Para mim, tyrata-se de uma Brigada gaúcha, a mesma que foi ao Rio de Janeiro e amarrou os cavalos no obelisco da avenida Rio Branco. Coisa que os cariocas jamais perdoaram aos guascas.
ResponderExcluirmário chimanovitch
Meu pai foi soldado constitucionalista, do Batalhão 14 de julho, e em nenhuma das fotos dele com as tropas paulistas há pessoas sem o capacete, em nenhuma ninguém usa chapéu de abas largas ou finas, nem bombachas! E ninguém mostra esses sorrisoa, muito pelo contrário! Como mulher, tenho 6º sentido, hehehe, claro que não são paulistas... Patrícia Pinto
ResponderExcluirPois É. A tese de que se trata de tropa gaúcha comemorando a vitória da Rev. de 30 no Rio, ganha força. Vamos aprofundar o debate em nome da verdade histórica.
ResponderExcluirAbraço a todos.
ORA, SE AS FOTOS ESTÃO COM DATA EU ENTÃO NÃO ENTENDO A POLÊMICA. ALIÁS EU POSSO LER A DATA DATILOGRAFADA NA ÚLTIMA FOTO. PARA MIM SÂO TROPAS FEDERALISTAS EM 1932.
ResponderExcluirRICARDO...NÃO EXISTE A POSSIBILIDADE DE OBTER MAIS DOCUMENTOS DESTE MESMO LOTE??
Agradeço ao Mario, a Patrícia e ao Evandro pelas opiniões. Concordo com o João Marcos no sentido que as fotos preto e branco dificultam uma identificação 100% positiva, porém baseados nas datas das imagens podemos chegar a conclusão que são tropas federais em ação em Ourinhos, durante a Campanha de 1932.
ResponderExcluirA respeito dos uniformes essa sempre foi uma questão, sendo que praticamente todos os uniformes do início dos anos 30 eram na cor cáqui. Acredito que existam exceções e vou pesquisar na obra do Gustavo Barroso/Wasth Rodrigues. O que já li em memórias de veteranos é que a coisa era tão complicada que o SOTAQUE era levado em consideração em um encontro noturno durante uma patrulha.
Estimado meu nome é Erika Goulart e eu sou neta do Comandante da Legiao Negra Gastao Goulart. Como eu tenho uma Vinícola em Mendoza aonde os nomes dos meus vinhos e historia estao todos baseados na revolucao de 32, um dos meus consumidores me enviou o seu blog hoje para ver as fotos.. Lindissimas.. Obrigada por comprati-las.
ResponderExcluirUm abraco
Erika Goulart