sábado, 11 de junho de 2011

Batalha Naval do Riachuelo, 146 anos

Neste sábado o Tudo por São Paulo traz um post que foge do tema principal do blog, porém abrimos espaço para lembrar da maior batalha naval travada neste continente e que foi importante o suficiente para alterar o rumo de toda uma guerra. Em nome da memória dos 104 brasileiros que morreram na manhã de onze de junho de 1865, vamos lembrar os fatos ocorridos naquele dia.

"O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever."

Photobucket

Em 11 de junho de 1865, a esquadra naval brasileira em operação contra o Paraguai encontrava-se a 15Km ao sul de Corrientes na Argentina, em um trecho conhecido como Riachuelo, na embocadura dos rios Paraná e Paraguai. Naquela fria manhã de domingo o céu estava completamente sem nuvens, uma leve brisa deixava a temperatura de 10o ainda mais gélida. Preparativos estavam sendo feitos para a comemoração religiosa da Santíssima Trindade e a missa que seria celebrada nas naus capitânias Amazonas e Jequitinhonha já estava começando. Estavam presentes naquele momento as seguintes forças brasileiras em um total de 2.287 Homens:

2a Divisão - Chefe de Divisão Francisco Manuel Barroso
Amazonas, Fragata sob o comando de CF Teotônio Raimundo de Brito
Parnaíba, Corveta-aviso, CF Aurélio Gracindo Fernandes de Sá
Iguatemi, Canhoneira, Ten. Justino José de Almeida Coimbra
Araguarí, Canhoneira, Ten. Antonio Luís Von Hoonholtz
Mearim, Canhoneira, Ten. Elisário José Barbosa
3a Divisão - CM José Secundino de Gomensero
Jequitinhonha, Corveta, CT Joaquim José Pinto
Beberibe, Corveta, CT Joaquim Bonifácio de Santana
Belmonte, Corveta-aviso, Ten. Joaquim Francisco de Abreu
Ipiranga, Canhoneira, Ten. Álvaro Augusto de Carvalho

Abaixo uma imagem da Fragata Amazonas.

Photobucket

As 09:00 a Mearim iça o sinal INIMIGO À VISTA. A esquadra paraguaia com oito navios rebocando chatas fortemente armadas vinha descendo rápido a correnteza em direção dos brasileiros. São 2.500 paraguaios embarcados mais 2.000 nas margens. SÃO OITO OS NAVIOS AVISTADOS é o aviso em seguida emitido pela mesma nau. A Amazonas então iça os sinais PREPARAR PARA COMBATE seguido de SAFA GERAL, DESPERTAR FOGOS DAS MÁQUINAS e SUSPENDER OU LARGAR AMARRAS POR ARINQUES E BÓIAS, OU POR MÃO, COMO MELHOR CONVIER.

Photobucket

Ressoam pelo Riachuelo vivas a Sua Majestade o Imperador, à Nação e ao Chefe Barroso, porém o entusiasmo geral torna-se um visceral grito de guerra quando a Amazonas desfralda o aviso O BRASIL ESPERA QUE CADA UM CUMPRA O SEU DEVER, seguido de ATACAR E DESTRUIR O INIMIGO QUE ESTIVER MAIS PRÓXIMO.

As 09:25 disparam-se os primeiros tiros de artilharia com dupla carga de bala e de metralha. A Mearim afunda uma chata paraguaia com um tiro a queima-roupa. A Jequitinhonha e a Paranaíba atacam a Jejuí. Tiros de metralha (pedaços de correntes, pregos e ogivas) são disparados de muito perto e o convés dos navios "encontram-se escorregadios devido ao sangue dos mortos".
10:50. Move-se a esquadra brasileira, com a Belmonte na vanguarda investindo pelo canal e seguida pelos demais navios. A capitânia Amazonas volve águas-abaixo com Barroso aos brados no passadiço: "Atacar e desruir o inimigo mais próximo". Comanda no grito e é prontamente obedecido. A Belmonte busca as margens para combater as peças em terra e acaba apanhada por fogo cruzado indo encalhar na Ilha Cabral. Todos os demais navios se batem ferozmente.
11:25. A Amazonas investe na vanguarda, abrindo fogo à distância de tiros de pistola da bateria inimiga, seguida pela Beberibe, Mearim e Araguari, que repele uma tentativa de abordagem e paga um duro tributo imposto pelas baterias paraguaias.
12:10. A Ipiranga monta a mosquetaria Santa-Catarina e abre fogo realizando a passagem com avarias numerosas acima e debaixo da borda.
13:00. A Parnaíba e a Jequitinhonha sofrem abordagem de diversos navios inimigos.
"O contingente que defende a praça d´armas e câmara, juntamente com o grosso que se armara no convés, acomete enérgicamente o inimigo a tiro de fuzil e a ferro frio". Eram 575 atacantes contra 263 defensores da Parnaíba.
Morrem o guarda-marinha João Guilherme Greenhalg defendendo a bandeira brasileira e o marinheiro Marcílio Dias, que lutando com quatro paraguaios ao mesmo tempo, consegue matar dois mas é ferido mortalmente. Em socorro a Parnaíba quase tomada pelos paraguaios, acorrem a Amazonas, a Beberibe e a Mearim. Juntas conseguem repelir o assalto paraguaio. Barroso então manda subir o sinal SUSTENTAE O FOGO QUE A VITÓRIA É NOSSA e executa a manobra decisiva para o sucesso da batalha: Usa o seu navio de ariete para afundar o Jejuí, o Marquês de Olinda e o Salto.

Das nove da manhã as quatro da tarde foi renhido o combate entre as duas esquadras.
Os quatro navios paraguaios restantes batem em retirada perseguidos pela Araguari do Ten. Antonio Luís Von Hoonholtz, o futuro Barão de Teffé. A luta prosseguiu nas barrancas até o pôr-do-sol. A noite o Paraguai já estava definitivamente isolado e sem acesso ao mar, o domínio da esquadra brasileira era total. Com essa importante vitória o Brasil começa a mudar o rumo da Guerra do Paraguai e passa a controlar os rios da bacia platina até à fronteira com o Paraguai.
104 mortos, 123 feridos e 20 desaparecidos brasileiros. O inimigo teve fora de combate, a bordo, entre mortos, feridos, afogados, comprimidos pelos costados dos navios e prisioneiros aproximadamente 1.500 praças.

Transcrever aqui no blog os inúmeros trechos das cartas que narram a batalha escritas pelos Comandantes dos navios seria impossível, mas recomendo fortemente à todos que se interessem pelo episódio que procurem a bibliografia citada no final deste post. É absolutamente impressionante o que ocorreu durante aquele dia entre as duas esquadras, e lamentável que o fato seja tão pouco lembrado ultimamente.

Abaixo a Medalha do Combate Naval do Riachuelo, criada em 18 de Novembro de 1865 sob o decreto nº 3529.

Photobucket

PETRUS II.D.G.CONST.IMP.ET.PERP.BRAS.DEF
D. Pedro II, com a Graça de Deus Imperador Constitucional e Perpétuo Defensor do Brasil.

Photobucket

No Centenário da batalha, inúmeras peças comemorativas foram criadas. Abaixo vemos algumas delas.

Photobucket

Os sinais náuticos mais célebres daquele glorioso dia.

Photobucket

O Almirante Barroso ao descrever a batalha em carta para o Visconde de Tamandaré, inicia a mesma com "Não fizemos tudo, mas fizemos tudo o que pudemos".

Photobucket

Almirante Barroso, Greenhalgh e Marcílio Dias.

Photobucket

Photobucket

"Um país sem memória não é apenas um país sem passado. É um país sem futuro."
Rui Barbosa

BIBLIOGRAFIA: Riachuelo, Comemoração da Gloriosa Jornada. Ernesto Senna, Rio de Janeiro 1908; Riachuelo, Didio Costa, Imprensa Naval 1949; Dicionário das Batalhas Brasileiras, Hernâni Donato, BIBLIEX 1996.

Nenhum comentário:

Postar um comentário