O próprio nome do regimento indica a forte ligação com a Revolução de 32, sendo que esta unidade se deslocou para a frente de combate logo após o início da revolução e atuou em diversos setores até o fim das hostilidades em outubro.
Como sempre, a cordialidade na recepção foi enorme e pude conhecer todo o quartel em detalhes. O que encontrei foi profissionais qualificados e preparados que cuidam de maneira fraternal dos belíssimos cavalos que servem o tradicional regimento. Agradeço ao Ten Cel PM Ricardo Andrioli, Comandante do Regimento (e autor de um livro sobre a história do mesmo) pela atenção e pelas inúmeras informações e curiosidades a respeito do batalhão. Além desta matéria, publicarei logo na sequência uma outra sobre a Sala da Memória - um verdadeiro museu sobre a história do regimento que fica nas dependências do quartel.

--------------------------------
O Regimento de Cavalaria está situado no Quartel da Luz recentemente apresentado aqui no blog.
O Corpo de Cavalaria foi criado pela Lei Nº 97-B, de 21 de Setembro de 1892 e em 11 de Outubro de 1892, o efetivo da extinta Companhia de Cavalaria é deslocado para o "Quartel da Luz", onde encontra-se até os dias de hoje. O primeiro Comandante foi o Tenente Coronel Inácio Batista Cardoso, Oficial do Exército, avô do futuro Presidente Fernando Henrique Cardoso.


Em outubro de 1895 foi criada a Banda de Clarins, do Corpo de Cavalaria, sob o comando do Ten Cel Edmundo Wright. O primeiro instrutor da fanfarra foi o Cap Francisco Cândido de Brito Maciel. Desde então a Banda de Clarins vem se destacando em desfiles e escoltas, sendo a única no gênero no Brasil.

Em 1906, Frédéric Stattmuller, do 11o Regimento de Couraceiros do Exército Francês, quarto militar francês a integrar a Missão de Instrução, chegou exclusivamente para conduzir a instrução prática dos dois esquadrões do Regimento de Cavalaria da Força Pública.


Homenagem ao General Miguel Costa, que atuou como instrutor de equitação na década de 1910 durante a Missão Militar Francesa.



Durante a Revolução de 1932, o Regimento de Cavalaria da Força Pública dividido em três esquadrões e sob o comando do Ten Cel Azarias da Silva, combateu em Itararé, Cruzeiro, Rio Pardo, Ribeira e Queluz. Morreram durante a campanha um oficial e dez praças: Cadete Ruytemberg Rocha; Sd Antonio de Camargo; Sgt Ignácio Leopoldo de Camargo; Sd Armando Barbosa; Sgt Luiz Gonzaga Martins Ribas; Sd Benedicto Egydio Barbosa; Sd Galdino Rosa; Sgt João Alves Dias; Cb José de Aguiar; Sd José Maria de Moura; Sd Raul Eustáquio dos Santos.

Homenagem ao General Júlio Marcondes Salgado.

Aspectos da arquitetura de Ramos de Azevedo.

Os cavalos do batalhão fazem parte do dia-a-dia e da vida dos militares que ali servem. É mais do que uma simples relação de trabalho. É uma relação de amizade.


Alguns dos militares e seus cavalos participam de importantes provas hípicas internacionais. No regimento também acontece a Equoterapia - método que utiliza o cavalo como principal recurso terapêutico, visando o desenvolvimento e reabilitação de pessoas portadoras de deficiência ou necessidades especiais.



Os cavalos são tratados da alvorada ao pôr do Sol, passando por alimentação, banho e tosa, inspeção médica e adestramento.




A Formação Veterinária do Regimento, FVR, além de formar os veterinários, cuida dos animais do regimento em um ambiente totalmente equipado para realizar dos mais simples tratamentos até as cirurgias mais complexas.



Abaixo as viaturas de transporte da tropa montada, conhecidas como "BIGs".


A partir de 1955 o Regimento de Cavalaria recebeu a denominação de Regimento "9 de Julho", em homenagem a Epopéia Paulista.

A atuação da tropa montada em locais de densas concentrações de pessoas e no policiamento urbano é altamente eficaz em face das inúmeras vantagens proporcionadas pelo emprego do cavalo.

Le Cheval
Ou trouver dans le monde noblesse
Sans arrogance,
Amitié qui ne soit jalouse,
Beauté sans vanité?
La grâce ici s´allie à la puissance
Et la force se fait douceur.
Si son combat est loyauté,
Sa fidélite n´est jamais esclavage.
Notre Histoire se lit dans ses pas;
Si nous sommes ses héritiers,
Il est son unique héritage:
Le cheval!
O Cavalo
Onde no mundo encontrar
Nobreza sem arrogância,
Amizade que não seja ciumenta,
Beleza sem vaidade?
Aqui a graça alia-se ao poder
E a força se faz doçura.
Ele é leal no combate,
E fiel sem jamais se tornar escravo.
Nossa história é lida em seus passos;
Se somos seus herdeiros,
Ele é sua única herança:
O cavalo!

Agradeço ao Comandante do "9 de Julho" Ten Cel Ricardo Andrioli, ao Sub-Comandante Major Rodrigues, ao Sgt Bastos, Cb Francis e ao Soldado Rochael pela colaboração na montagem desta matéria.
BIBLIOGRAFIA: O livro "Regimento de Cavalaria 9 de Julho" de autoria do Ten Cel Ricardo Andrioli, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo pode ser aquirido neste link.


Empolgante ver como a Polícia Militar de São Paulo guarda, de fato e de Direito, nossas mais caras tradições Paulistas.
ResponderExcluirDifícil vermos outra instituição tão fiel à nossa Paulistanidade!
Semana passada, a surpresa matando parte da saudade do Momumento da "minha" Campinas... Hoje, esta AULA.
ResponderExcluirPARABÉNS, Ricardo!!!
A primeira foto, tenho usado como imagem do msn. Vc sabe dizer qm eh ou onde foi feita a foto?
A nobreza simples e leal do cavalo casa mto bem com o Paulista de 32, porque de sacrifício se formatam.
Belo trabalho!
Abraço!
Caríssimo Ricardo:
ResponderExcluirO Museu do RC 9 de Julho é ótimo. Mas correções são necessárias. Explico: o uniforme vestido no manequim é uma reprodução da farda de 32 feito no início dos anos 90, e que traz equívocos.
1 - No uniforme original, os espaçamentos entre os sete botões é bem menor;
2 - O conjunto de cinto, coldre e cantil usado no boneco é dos anos 50. Em 32 não havia este tipo de equipamento;
3 - A cor cáqui original é bem mais clara que a do uniforme no manequim. Era, na época, chamada de cáqui-amarelo;
4 - As divisas de sargento originais (de 32) são
de padronagem diferente das usadas no boneco-modêlo,e também são dos anos 50.
Faço estas observações para que cineatas e diretores de TV não deturpem ainda mais os uniformes de época usados em filmes e miniséries. O que se vê hoje são aberrações.
A maioria desses profissionais extraem o figurino de seus trabalhos baseado no que vêem em museus. E os erros cometidos em museus automaticamente são reproduzidos por quem bebe nessa fonte. O esmero no cuidado com esses detalhes é fundamental para preservação de nossa memória histórica.
Grato.
Abraços.
Uniformes originais de época podem ser vistos em detalhes aqui mesmo no blog. Abraços,
ResponderExcluirEu Amei as fotos ,overso ,pois sou civil e amo a montaria e cavalos ,Atodos meus parabens
ResponderExcluirVania Jundiai