segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Medalhas brasileiras da Guerra do Paraguai - Parte I

Tenho recebido algumas mensagens e emails de leitores me incentivando a falar um pouco mais sobre a Guerra do Paraguai, este fascinante e quase esquecido episódio da nossa história. Já publiquei algumas breves matérias sobre os Voluntários Paulistas, sobre a Ordem da Rosa, a Batalha Naval do Riachuelo e sobre a Medalha de Bravura instituída durante este conflito. No intuíto de atender a estes leitores, pretendo aos poucos apresentar algumas das medalhas brasileiras criadas durante este longo e penoso conflito.

Para isso vou me valer do estudo de Francisco Marques dos Santos, grande mestre historiador e colecionador que deixou um legado impressionante a respeito da nossa medalhística. É dele a frase a seguir:
"Nosso enthusiasmo em colleccionar medalhas militares não consiste na posse de frios discos de metal. Ellas transcendem! Têm a grandeza dos monumentos de praça publica. Evocam-nos os surtos de bravura dos patriotas."

Medalha do Forte de Coimbra, Decreto 3492 de 8 de Julho de 1865.

Pelo Sul do Mato Grosso começou a invasão paraguaia. O Forte de Coimbra era a chave da Província e nenhum navio poderia subir o Rio Paraguai sem dar combate e vencê-lo.
A Divisão Barrios atacou o Forte de 26 a 28 de dezembro de 1864, sendo repelida por sua guarnição e auxiliada pelo navio "Anhambahy", nosso único navio artilhado na área. O Forte de Coimbra estava guarnecido por 10 oficiais, 99 praças, 10 índios, 4 vigias da alfândega, 4 civis e 17 presos. O assalto paraguaio iniciou-se ao meio dia do dia 27 e durou até a noite. No dia seguinte os paraguaios que dipunham de 54 peças de artilharia em vários navios, visavam a abertura de uma brecha na muralha do Forte. Novamente a guarnição brasileira consegue se manter por mais um dia e durante a noite recompletavam a munição. Na manhã do dia 28 as muralhas do Forte amanheceram juncadas de cadáveres paraguaios. Na tarde deste mesmo dia, com a tropa exausta e isolada é feita a retirada através do "Anhambahy" e do "Jaurú" que havia subido o rio para buscar reforços. Tomar o Forte de Coimbra custou aos paraguaios cerca de 400 combatentes.

Pelo Decreto 3492, Sua Majestade o Imperador Dom Pedro II concedeu o uso de uma medalha a guarnição do Forte que durante três dias repeliram um inimigo em número superior e aos marinheiros da frotilha de Mato Grosso que participaram do combate e auxiliaram na evacuação do Forte.

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Rendição de Uruguayana, Decreto 3515 de 20 de Setembro de 1865.

A 10 de Julho de 1865, a 1 hora da tarde partiu D. Pedro II e sua comitiva no vapor "Santa Maria" rumo ao Rio Grande. Em 11 de setembro Sua Majestade Imperial chegava ao centro de operações aliadas, que estava em plena condução do cerco as tropas paraguaias em Uruguaiana. Inúmeros preparativos sendo feitos e finalmente no dia 18, antes de desencadear um ataque de grandes proporções, um emissário foi enviado até o comandante paraguaio Coronel Estigarribia propondo uma rendição sem derramamento de sangue. Estigarribia aceitou o que havia recusado dias antes, e os chefes aliados tomaram lugar ao lado de D. Pedro II para assistir o desfile dos 5.545 soldados paraguaios desarmados rumo a prisão. Solano Lopes, chefe militar que era considerado "frio e impassível" chorou ao saber da derrota paraguaia em Uruguaiana. O curso da guerra começava a mudar e os aliados levariam a guerra para o solo paraguaio.

Digno de nota é que quatro dias depois da rendição, o Imperador ainda naquela localidade, recebeu um formal pedido de desculpas do emissário da Rainha da Inglaterra, Sir Edward Thornton a respeito da Questão Christie - o que consistiu em uma importante vitória diplomática brasileira, que restabeleceu as relações diplomáticas entre Brasil e Inglaterra.

A Medalha de Uruguayana traz à lembrança estes felizes episódios que aconteceram no meio da Guerra do Paraguai e foi criada para agraciar os que estiveram presentes e tomaram parte na rendição do exército paraguaio que ocupava a Villa de Uruguayana.
A medalha antagônica a de Uruguayana é a Medalha de Matto Grosso - a medalha dolorosa da Campanha do Paraguai, que custou sangue, dor, miséria e peste aos seus detentores. Ela será assunto de uma futura postagem aqui no blog.

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2 comentários:

  1. Prezadíssimo Ricardo, fui eu um dos leitores que pediu para que você falasse mais sobre a Guerra da Tríplice Aliança. Gostei das medalhas, que por sinal, não conhecia!

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  2. Parabéns. Instigante o seu trabalho sobre esse tema (Medalhas de Forte Coimbra) por mim também desconhecido. Embora paulista, moro em Corumbá, região onde Forte de Coimbra está localizado. Parabéns.

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