segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Placa Comemorativa

A peça que apresento abaixo foi encontrada em um depósito de material de demolição.
Trata-se de um bronze datado de 1962, de autoria do escultor italiano Miguel Langone (autor da famosa Medalha de São Paulo) inspirado na medalha do Batalhão Paes Leme apresentada aqui, e que era afixado como placa comemorativa em alguns edifícios. Uma belíssima peça salva do lixo e do descaso.

Photobucket

Photobucket

Photobucket

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Casa Guilherme de Almeida

Não podemos ter de volta a Villa Kyrial, posta abaixo em 1961, porém temos a Casa Guilherme de Almeida – uma joia incrustada no bairro paulistano de Perdizes.

A convite do Arquiteto Carlos Fernando Coelho Nogueira, fui conhecer a Casa Guilherme de Almeida, reaberta ao público após décadas. A surpresa, além de grande, foi muito positiva. É uma grande satisfação perceber a iniciativa do Governo do Estado de São Paulo - por intermédio da Secretaria do Estado da Cultura em executar e manter um projeto que une tantos atrativos culturais em um só local, mesmo que (ainda) seja desconhecido do grande público.
O projeto arquitetônico e museográfico de Carlos Fernando ficou absolutamente sensacional, mantendo os ares intimistas de uma casa e, ao mesmo tempo, funcionando como museu e polo cultural. Tudo isso de maneira gentil e inteligente, ao modo do antigo dono.

A impressão que se tem ao entrar pelo simpático portão principal, é a de estar de volta a São Paulo dos anos 1940 e, ainda mais que isso, a presença de Guilherme de Almeida é tão forte a ponto de parecer que se está prestes a tomar um café com o poeta na agradável sala de estar.
O acervo de obras de arte exposto pela casa é outra razão para ficar de queixo caído em cada cômodo: Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Lasar Segall, Brecheret são alguns dos nomes que decoram as paredes da casa, em obras que reforçam ainda mais a impressão de vivenciar a São Paulo genial e borbulhante daqueles dias. Se a campainha tocar, pode atender sem sobressalto; deve ser o Mário de Andrade para mais uma longa conversa na aconchegante mansarda, esta diga-se de passagem, o local mais emocionante da casa.

Após a leitura de um poema escrito pelo dono da casa sobre as escadas que levam à mansarda, sobe-se cada degrau imaginanado quantas vezes o Príncipe dos Poetas deu os mesmos passos e, ao término dos degraus, o visitante entende a razão daquela bela poesia escada abaixo.
Neste local que exala cultura encontram-se os vestígios da passagem de Guilherme de Almeida pela Revolução de 32. Capacete de Aço (Coroa de louros do herói que lutou, Auréola santa do mártir que tombou), fuzil Mauser 1908, distintivos e brasões paulistas que inspiraram e foram criados pelo combatente que, depois da revolução, reconstruiu aqueles dias com as poesias e frases mais belas de que se tem notícia. Não pude deixar de lembrar os inúmeros versos que me emocionam e arrepiam todos os meus fios de cabelo e imaginar que a grande maioria deles viu naquela mansarda a luz do dia.

Além de museu, a Casa Guilherme de Almeida é um centro de estudos de tradução literária, oferecendo cursos e atividades relacionadas à tradução e à obra de Guilherme de Almeida. O acervo do museu, cujos livros pertenceram ao poeta, traz livros importantes e raros, primeiras edições e um vasto acervo na área de literatura estrangeira.
A equipe que me recebeu e que cuida do projeto e do acervo é formada por profissionais qualificados e conhecedores da obra de Guilherme de Almeida, o que torna a visita e a consulta ao acervo ainda mais prazerosa. Agradeço a enorme hospitalidade do Carlos Fernando, da Karen Kipnis e da Marlene Laky, que me mostraram cada detalhe da Casa Guilherme de Almeida com olhares apaixonados voltados para cada parede e para cada livro - típico daqueles que amam o que fazem. A direção do museu é do Professor Marcelo Tápia.

Recomendo a visita a Casa Guilherme de Almeida para todos que se interessam pela história de São Paulo, pela Semana de Arte Moderna de 1922, pelo Movimento Constitucionalista de 1932, por literatura, arte ou arquitetura. Seja qual for o seu foco de interesse, a visita será fascinante.
Para saber mais acesse www.casaguilhermedealmeida.org.br
As fotos a seguir são do autor do blog.

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Retrato de Baby de Almeida por Lasar Segall. Belkiss "Baby" Barrozo do Amaral, casou com Guilherme de Almeida em 1923 e viveram juntos até a morte de Guilherme em 1969.

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Surpresas a cada parede da casa, como neste croqui original do Monumento do Ibirapuera ou na foto com dedicatória de Walt Disney.

Photobucket

Photobucket

Os cômodos mantidos ao modo do uso de Guilherme de Almeida.

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

O trabalho de restauração e conservação das obras é feito em um estúdio no próprio local.

Photobucket

O arquiteto Carlos Fernando, responsável pelo projeto arquitetônico e museográfico e a bela vista do Pacaembú e da Avenida Paulista.

Photobucket

Photobucket

Photobucket

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Lembrança dos combates no Túnel da Mantiqueira II

Em adição ao post sobre o Túnel da Mantiqueira, trago mais duas peças que lembram os combates naquele local.
A primeira é uma antiga flâmula baseada na famosa foto da boca do túnel, com a inscrição em latim:
HIC, HOSTIS NON TRANSIT (Aqui o inimigo não transita).

Photobucket

Photobucket

A outra é o distintivo com o símbolo adotado pelas tropas que combateram no túnel, um simpático Tatú.

Photobucket

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Insígnias antigas de São Paulo

Neste domingo trago aos leitores do blog algumas peças que tive o prazer de encontrar em um antiquário:
Três antigas insígnias das forças policiais de São Paulo, objetos que fizeram parte da história da cidade.
A primeira delas do 1o Batalhão de Caçadores da Força Pública, oval em metal com a figura do bandeirante Domingos Jorge Velho.

O 1o BC é a mais tradicional unidade policial de São Paulo, "cellula mater" da atual Polícia Militar do Estado. Criado em 1831 o Batalhão lutou na Guerra do Paraguai, na Revolta da Armada, na Guerra de Canudos, na Revolução de 1924 e em 1932 comandado pelo CEL Virgílio Ribeiro dos Santos o 1o BC cobriu-se de glórias no setor de Cunha e defendeu o solo paulista no Túnel da Mantiqueira.
Em 1951 sob o comando do CEL José Canavó Filho recebeu a denominação Batalhão Tobias de Aguiar.
A partir de outubro de 1970 o batalhão passa a operar como Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar e permanece atualmente como ponta-de-lança da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Photobucket

A outra uma belíssima insígnia esmaltada da extinta Guarda Civil de São Paulo, provavelmente anos 40.

Photobucket

E por fim uma insígnia de quepe de fabricação antiga e primorosa que foi usada tanto pela Força Pública de São Paulo, quanto pela atual Polícia Militar.

Photobucket

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

UM ANO do TUDO POR SÃO PAULO

No sábado passado completou-se o aniversário de um ano deste projeto.
Agradeço aos internautas pelas mais de 20 mil visitas e pelas 50 mil páginas visitadas.
É um enorme prazer poder colaborar para que a memória dos nossos Heróis esteja sempre viva.
Vamos com tudo para mais um ano de muita história!

TUDO POR SÃO PAULO!!!

Abraço,
Ricardo

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O conturbado epílogo da Revolução de 32

Hoje em dia, décadas após o término da revolução, é consenso afirmar que a rendição nos campos de batalha oferecida pela Força Pública de São Paulo ao Governo Federal foi uma atitude que visava unicamente poupar vidas, visto que a vitória militar não era uma opção possível para São Paulo - sem recursos e cercada por todos os lados pelas tropas federais.
Foi a rendição desta tropa, a mais importante militarmente falando, que acabou por gerar a cessação da luta pelos voluntários paulistas e pelas forças do Exército lutando por São Paulo nos diversos setores do estado.

Acontece que a população civil não enxergava o plano geral das operações militares, e a imprensa paulista por sua vez só noticiava as grandes vitórias durante os três meses de luta, sendo as derrotas omitidas sistematicamente.
Quando a dura realidade da rendição finalmente ganhou os jornais e o rádio, a população surpreendida se sentiu traída e desamparada. Muitos se rebelaram contra esta suposta "trahição".

Uma série de panfletos circularam em São Paulo, frutos desta primeira impressão de traição e derrota.
Muitos deles eram datilografados e distribuídos mão-a-mão. Abaixo mostro alguns deles, lembrando aos nossos leitores que os mesmos se encaixam dentro de um contexto e refletem apenas um determinado momento dentro da história da revolução.
Isso posto, convido aos leitores do blog para conhecer três peças as quais eu nunca havia visto em nenhum outro arquivo:

Postal que circulava clandestinamente pelo estado no início de 1933.

Photobucket

Panfleto datilografado em papel de seda e distribuído no centro da cidade.

Photobucket

Panfleto mimeografado.

Photobucket

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Fotos de Estúdio

Uma das lembranças mais comuns que os soldados paulistas trouxeram da revolução foram as fotografias.
Muitos fotógrafos famosos na época colocaram seus préstimos à disposição de quem quisesse enviar uma foto em formato de cartão postal para a amada ou para a família.
Dentro desse universo de fotografias existem um tipo bem mais raro, que são as fotos tiradas em estúdio - ou seja, no atelier do fotógrafo. São fotos interessantes e muito belas, que trazem em detalhes o orgulho de usar um uniforme constitucionalista. Trago hoje algumas que estão em meu acervo, com o tempo mostrarei outras.

Como colecionador de capacetes paulistas não posso deixar de amar esta foto.
Um retrato que mostra em close o uso do capacete modelo francês. O soldado não está identificado na parte de trás.

Photobucket

Aqui vemos a guarda do MMDC de Morumgaba/Amparo em foto datada de 6 de agosto de 1932. Fortunato Milani, B. M. Sant´anna, Dr. Juarez de Godoy e Benedicto Barbosa são os nomes manuscritos no verso.

Photobucket

Photobucket

Para finalizar um voluntário não identificado, consta no verso apenas Baurú - Setembro de 1932. Digno de nota é o uso de um distinctivo paulista na lapela.

Photobucket

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Monumento e Mausoléu ao Soldado Constitucionalista - Parte III

Concluíndo a série de matérias sobre o Monumento e Mausoléu do Ibirapuera trago hoje algumas fotos e informações sobre parte interna do mausoléu, aonde repousam os Heróis de 1932. Infelizmente pouca gente conhece este belíssimo espaço, que aproxima o visitante dos Heróis que escreveram a mais bela página da história de São Paulo.

Através de três portões em forma de arco tem-se acesso a cripta e as capelas.
São 1400 metros quadrados que além dos columbários com os despojos dos Heróis acomodam quatro grandes painéis em mosaico veneziano: I- São Paulo Cidade do Trabalho; II- Natividade; III- Sacrifício; IV- Ressureição.
Andando peça cripta e observando cada columbário é possível identificar dividindo o mesmo espaço nomes históricos e soldados anônimos que repousam juntos da mesma forma que lutaram por São Paulo.

O mausoléu fica aberto ao público nas datas comemorativas da Revolução. Além destas datas a Sociedade Veteranos de 32 juntamente com a Polícia Militar do Estado de São Paulo, tem promovido visitas guiadas para estudantes da rede pública de ensino.

As fotos foram tiradas pelo autor do blog em condições precárias de iluminação para fotografia, mas mostram um pouco da beleza e importância do Mausoléu.

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket