Boletim n. 71, de 5 de outubro de 1932
Camaradas! Chegou o momento de separar-me de vós. Não é preciso que eu elogie os vossos feitos. Tendes todos sabido honrar e cumprir o vosso dever!
Destes tudo o que podíeis dar, inclusive o vosso esforço sobrehumano, em favor da causa que abraçastes. O vosso denodo, o vosso valor e os vossos feitos são páginas fulgurantes de civismo, patriotismo e desprendimento pela vida. E ficarão gravados na história de nossa estremecida Pátria.
Terminada está a nossa missão nesta fase de nossa vida.
Voltem, pois, aos vossos lares, cabeça erguida e olhar para o alto. Não fostes vencidos!
Abraçando-vos, comovido me despeço de vós.
Grimualdo Teixeira Favilla
Coronel-Comandante
Através do blog tive contato com
Paulo Sérgio Santanna, bisneto do
Coronel Grimualdo Teixeira Favilla, Comandante do
7º BCR - Batalhão de Reservistas de Santos cuja história já foi relatada
neste link. Seu bisneto gentilmente me enviou algumas fotos inéditas do acervo pessoal do Coronel Favilla, que trazem detalhes do dia-a-dia do batalhão.
Tenho certeza que os leitores gostarão bastante de ver estas imagens. Não deixem de ler também o livro "Santistas, nas barrancas do Paranapanema" publicado
neste link, de onde extraí o trecho abaixo que resume em poucas linhas o que representou o Coronel Favilla para São Paulo:
"Foi um militar à altura dos seus deveres. Deu aos seus soldados e a S. Paulo o máximo de sua abnegação. E da bravura pessoal que o caracteriza. Norteou a sua conduta com sabedoria e prudência. Não se precipitou, como outros, que, à custa do extermínio de vidas preciosas, queriam conquistar galões...
Mas não recuou, também. Observou sempre o que a sua consciência esclarecida de homem desambicioso lhe ditava. E sofreu muito porque se conservou nessa atitude elevada. Não faltou quem tentasse deprimir o seu valor. Inúmeros foram os golpes de perfídia desferidos contra a sua dignidade militar. Mas tudo em vão. O soldado deixou a guerra, quando esta terminou. Tão leal e tão honrado como quando para a guerra entrara. A inveja de uns, o ódio de outros e a canalhice de muitos não o atingiram.
Ele aí está! Hoje, mais do que ontem, respeitado e querido dos voluntários que comandou durante setenta e três dias de campanha."
Não foi apenas em 1932 que o Coronel Favilla se destacou. Durante a
revolta de 1924, o então Capitão Grimualdo Favilla foi o responsável pelo alerta da sublevação militar ao General Abílio de Noronha, comandante da 2a Região Militar que retomou o
4º Batalhão de Caçadores para a legalidade:
"Como os oficiais revolucionários haviam se deslocado para o Centro, não foi difícil ao general retomar o quartel. Com os elementos que lá encontrou organizou uma força e marchou rumo aos quartéis da Luz." (São Paulo, cidade aberta - Sérgio Rubens de Araújo Torres).
Abaixo foto tirada no ano de 1930 4o B.C. em Santana.
O 7º BCR em campanha no ano de 1932.
Uma rara imagem do serviço de saúde em ação, evacuando um soldado para um hospital de sangue na retaguarda.
Abaixo a trisneta do Coronel Favilla, Beatriz (a esquerda) logo após o
desfile do 9 de Julho segurando orgulhosamente o capacete do seu trisavô - uma relíquia da família.