quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Binóculo alemão usado durante a Revolução

Durante os meses de agosto e setembro de 1932 aconteceu a "Campanha do Binóculo" que arrecadou esse tipo de instrumento para abastecer o front de operações e também para serem transformados em telêmteros de artilharia nas oficinas da Politécnica. Na imagem abaixo vemos uma solicitação veiculada pelo jornal O Estado de São Paulo no início de agosto de 1932 (acervo do autor do blog).

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Abaixo vemos um modelo de binóculo militar de um tradicional fabricante alemão. Pelo seu número serial é possível datar sua fabricação entre 1917 e 1919.

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Fundada em 1846, a empresa Carl Zeiss Jena foi assim denominada em homenagem ao seu fundador e a cidade de Jena. Atualmente a empresa chama-se Carl Zeiss AG.

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domingo, 25 de setembro de 2011

Medalha da Legalidade 1924

No ano passado postei aqui uma versão desta medalha em bronze e um breve relato sobre a Revolta de 1924. Hoje trago aos leitores do blog a versão em prata da Medalha da Legalidade, completa com sua fita e passador. Na minha opinião, uma das peças mais evocativas da história de São Paulo.

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INSTRUCÇÕES PARA A CONCESSÃO DA MEDALHA DA LEGALIDADE

Artigo 1.º - A medalha militar, que terá o nome de Medalha da Legalidade distina-se exclusivamente aos officiaes e praças da Força Publica de São Paulo, que, por sua bravura, esforço e lealdade, se distinguiram na lucta pela restauração da legalidade, iniciada nesta Capital, em 5 de Julho de 1924.

Artigo 2.º - A medalha terá a fórma, dimensões e emblemas do desenho annexo, tendo no verso, em alto relevo, a effigie do Regente Feijó com os dizeres Estados Unidos do Brasil; no verso, em fórma circular, na parte superior, os dizeres, Estado de São Paulo, na parte inferior dois ramos de louro; e no centro, os dizeres « Pela Lei. Decreto N. 3726-A », e será usada pendente do peito esquerdo por fita.

Artigo 3.º - Será de ouro a medalha concedida aos officiaes de quaesquer patentes da Força Publica; de prata as concedidas aos inferiores e de bronze, as concedidas as praças.

Artigo 4.º - Não fazem jús a esta medalha militar da Legalidade e perdem o direito á que tiverem recebido, sendo prohibidos de usala, os militares que tenham sidos condemnados por sentença passada em julgado, quer no juizo criminal quer no civil, ainda que tenha havido perdão da pena. Tambem não terão direito á medalha militar da Legalidade os officiaes e praças que tenham commettido repetidas faltas disciplinares ou tenham incorrido em faltas que affectem a sua dignidade e das quaes não se tenham pedido justificar.

Artigo 5.º - A concessão da medalha da Legalidade terá o seguinte processo: Mediante informações dos commandantes de corpos e das repartições onde se achem escripturadas as folhas do pessoal, proporá o Commandante Geral a concessão das medalhas ao Secretario da Justiça, que, com o seu parecer, a submetterá ao Presidente do Estado que decidirá si o official ou praça está ou não, nos casos de obter a medalha.

Artigo 6.º - Os militares que, ao tempo da reforma possuirem a medalha da Legalidade, poderão continuar a usa-la.

Artigo 7.º - As medalhas e fitas serão fornecidas gratuitamente pelo Governo, sendo o seu uso obrigatorio nas formaturas e solemnidades officiaes.

Artigo 8.º - Revogam se as disposições em contrario.

São Paulo, 7 de Setembro de 1924.
Carlos de Campos
Bento Bueno.
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A medalha é assinada por Miguel Langone, o mesmo artista que anos depois em 1932 criaria a célebre Medalha de São Paulo.

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O que torna esta medalha ainda mais interessante é o fato que em 1930, após a tomada do poder por Vargas, o uso da medalha foi proibido e as medalhas recolhidas e derretidas. Apenas em 1947 na Constituição Estadual ela foi restituída, mas a maioria daqueles que poderiam usá-la já não estavam mais no serviço ativo.

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Comandante da Força Pública de São Paulo entre Maio de 1928 a Abril de 1931, Coronel Joviniano Brandão.

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General Júlio Marcondes Salgado.

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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Boicote durante a Revolução

Durante os turbulentos dias de 1932, a população paulista boicotou a compra de produtos que não fossem fabricados em São Paulo. Alguns volantes e folhetos circularam nesta época e abaixo temos alguns exemplares que resistiram a oito décadas - peças muito interessantes e que nos mostram um retrato daquele período.

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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Medalha da Força Policial do Estado de São Paulo

Durante o período do chamado "Estado Novo", Getúlio Vargas suprimiu todos os símbolos estaduais em um ato simbólico visando mostrar uma maior unificação do país e um enfraquecimento dos poderes regionais e estaduais. Além do banimento das bandeiras e brasões estaduais, esta prática chegou até a medalhística militar - e a Medalha de Tempo de Serviço da Força Pública de São Paulo (que passou a se chamar Força Policial) também foi modificada.

Abaixo vemos um exemplar da medalha da Força Policial de 20 anos de serviço e uma medalha da Força Pública para comparação. Além da substituição das cores de São Paulo da fita pelo verde e amarelo, o centro da medalha traz o Cruzeiro do Sul. Esta versão da medalha foi usada entre 1937 a 1945, período de duração do Estado Novo.

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O ex-Comandante do 1o Batalhão, Ten CEL Jaime Bueno de Carvalho usando uma medalha da Força Policial (imagem da Galeria de Comandantes do 1o BPChoque).

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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Capacete de aço infantil

Eis aqui uma peça difícil de ser encontrada e que representa muito bem o envolvimento popular durante a Revolução Constitucionalista. A primeira vista este parece ser mais um modelo de capacete de aço usado pelas tropas paulistas em 32.

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Porém quando comparado com um capacete de aço de tamanho real, percebe-se que este tem um pouco menos que a metade do seu tamanho.

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Não tenho nenhum tipo de informação a respeito da fabricação destes mini-capacetes, que eram feitos de aço usando as mesmas técnicas de fabricação e pintados com as cores usadas nos capacetes reais. O que eu tenho certeza absoluta é que estas peças deveriam ser o sonho de qualquer menino que tinha o pai em um campo de batalha!

Abaixo uma rara imagem mostrando este tipo de capacete em uso. É importante frisar que não houve a participação de crianças na luta armada, ainda que para fins de propaganda batalhões infantis desfilassem pelas ruas sob o mote "Se preciso nós também iremos!".

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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Quepe da Força Pública anos 1920

Trago hoje um quepe usado pela Força Pública e pelas Forças Armadas no início do século. O quepe segue o mesmo modelo daqueles usados pelas forças armadas durante o período Imperial, porém apresentando o brasão da República.

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Abaixo uma imagem do início de 1924 com oficiais da Força Pública usando um modelo parecido de cobertura. Entre eles o então Major Miguel Costa e Júlio Marcondes Salgado.

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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sra. Cecilia Penteado Cardoso de Almeida

Tive a enorme satisfação de ter uma longa conversa com a Sra. Cecilia Penteado Cardoso de Almeida, que me contou uma porção de casos relacionados a Revolução de 1932. Nascida no dia 15 de Novembro de 1919, a dona Cecilia acompanhou de perto a movimentação de sua mãe, dona Rita de Cássia Penteado Cardoso, que em 1932 montou uma oficina de costura em sua própria casa no então longínquo bairro do Jardim América. Com 12 anos, a pequena Cecilia já auxiliava na produção de uniformes militares passando cera nas linhas de costura, para deixá-las mais resistentes. A oficina funcionava ao som das notícias da Rádio Record e quando soavam os acordes de Paris-Belfort uma eletricidade percorria cada uma das pessoas que ali estavam e todos emudeciam para ouvir as notícias do front.

Os pais de Dona Cecilia, Sr. Odon Lima Cardoso e Sra. Rita de Cassia Penteado Cardoso.

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No dia 17 de setembro de 1932, o primo de dona Cecilia, Lauro Barros Penteado morreu aos 28 anos em combate na região do Rio das Almas vítima de um estilhaço de granada. O túmulo do jovem Lauro encontra-se no Cemitério São Paulo.

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Dez anos após a revolução, dona Cecilia casou-se com o Sr. Plínio Cardoso de Almeida, que em 1932 colaborava entregando tecidos para os uniformes justamente na oficina de costura de sua mãe - um amor de longa data e que duraria para sempre. O irmão de Plínio, o Sr. Antonio Cardoso de Almeida foi voluntário no célebre Batalhão 14 de Julho.

Durante os anos 1950, dona Cecilia sempre se encontrava com o cunhado ex-combatente nos desfiles do 9 de Julho. Segundo dona Cecilia, nesta mesma época algumas famílias juntavam objetos da revolução e faziam reuniões para comemorar e lembrar os dias de 1932. A Revolução Constitucionalista foi feita por famílias como a de Dona Cecilia, que se envolveram com a causa paulista e lutaram por um futuro melhor para o Brasil.

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Recebi das mãos de dona Cecilia, um verdadeiro tesouro mantido por ela durante todos esses anos. Não tenho palavras para agradecer pelas histórias que escutei e pelo tesouro que guardarei com muito carinho!

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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Ex Libris do General Bertoldo Klinger

Abaixo um Ex Libris do General Bertoldo Klinger.
Mas o que é um Ex Libris?
"Ex libris é uma expressão latina que significa literalmente dos livros empregada para determinar a propriedade de um livro. Portanto, ex libris é um complemento circunstancial de origem (ex + caso ablativo) que indica que tal livro é "propriedade de" ou "da biblioteca de".
A inscrição pode estar inscrita numa vinheta colada em geral na contra capa ou página de rosto de um livro para indicar quem é seu proprietário. A vinheta em geral contém um logotipo, brasão ou desenho e a expressão "Ex libris" seguida do nome do proprietário. É possível que contenha um lema, ou citação. Inscrições de propriedade em livros não eram comuns na Europa até ao século XIII, quando outras formas de biblioteconomia se tornaram comuns. No Brasil, o "ex-líbris" da Biblioteca Nacional foi criado em 1903 pelo artista Eliseu Visconti, responsável pela introdução do art-nouveau nas artes gráficas do País."
(fonte: Wikipedia)
Esse original apareceu recentemente em um leilão de papéis e documentos antigos, e traz a figura de PÉRICLES, grande estadista ateniense, morto em 429 a.C. Filho de Xantipo, governou Atenas no auge do seu poderio, nas décadas de 440 e 430 a.C. Certamente uma figura que inspirava o General Klinger. Em breve postarei um excelente lote de cartas envolvendo o General Bertoldo Klinger. Aguardem!

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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Coronel Grimualdo Teixeira Favilla

Boletim n. 71, de 5 de outubro de 1932
Camaradas! Chegou o momento de separar-me de vós. Não é preciso que eu elogie os vossos feitos. Tendes todos sabido honrar e cumprir o vosso dever!
Destes tudo o que podíeis dar, inclusive o vosso esforço sobrehumano, em favor da causa que abraçastes. O vosso denodo, o vosso valor e os vossos feitos são páginas fulgurantes de civismo, patriotismo e desprendimento pela vida. E ficarão gravados na história de nossa estremecida Pátria.
Terminada está a nossa missão nesta fase de nossa vida.
Voltem, pois, aos vossos lares, cabeça erguida e olhar para o alto. Não fostes vencidos!
Abraçando-vos, comovido me despeço de vós.
Grimualdo Teixeira Favilla
Coronel-Comandante

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Através do blog tive contato com Paulo Sérgio Santanna, bisneto do Coronel Grimualdo Teixeira Favilla, Comandante do 7º BCR - Batalhão de Reservistas de Santos cuja história já foi relatada neste link. Seu bisneto gentilmente me enviou algumas fotos inéditas do acervo pessoal do Coronel Favilla, que trazem detalhes do dia-a-dia do batalhão.
Tenho certeza que os leitores gostarão bastante de ver estas imagens. Não deixem de ler também o livro "Santistas, nas barrancas do Paranapanema" publicado neste link, de onde extraí o trecho abaixo que resume em poucas linhas o que representou o Coronel Favilla para São Paulo:
"Foi um militar à altura dos seus deveres. Deu aos seus soldados e a S. Paulo o máximo de sua abnegação. E da bravura pessoal que o caracteriza. Norteou a sua conduta com sabedoria e prudência. Não se precipitou, como outros, que, à custa do extermínio de vidas preciosas, queriam conquistar galões...
Mas não recuou, também. Observou sempre o que a sua consciência esclarecida de homem desambicioso lhe ditava. E sofreu muito porque se conservou nessa atitude elevada. Não faltou quem tentasse deprimir o seu valor. Inúmeros foram os golpes de perfídia desferidos contra a sua dignidade militar. Mas tudo em vão. O soldado deixou a guerra, quando esta terminou. Tão leal e tão honrado como quando para a guerra entrara. A inveja de uns, o ódio de outros e a canalhice de muitos não o atingiram.
Ele aí está! Hoje, mais do que ontem, respeitado e querido dos voluntários que comandou durante setenta e três dias de campanha."
Não foi apenas em 1932 que o Coronel Favilla se destacou. Durante a revolta de 1924, o então Capitão Grimualdo Favilla foi o responsável pelo alerta da sublevação militar ao General Abílio de Noronha, comandante da 2a Região Militar que retomou o 4º Batalhão de Caçadores para a legalidade:
"Como os oficiais revolucionários haviam se deslocado para o Centro, não foi difícil ao general retomar o quartel. Com os elementos que lá encontrou organizou uma força e marchou rumo aos quartéis da Luz." (São Paulo, cidade aberta - Sérgio Rubens de Araújo Torres).

Abaixo foto tirada no ano de 1930 4o B.C. em Santana.

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O 7º BCR em campanha no ano de 1932.

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Uma rara imagem do serviço de saúde em ação, evacuando um soldado para um hospital de sangue na retaguarda.

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Abaixo a trisneta do Coronel Favilla, Beatriz (a esquerda) logo após o desfile do 9 de Julho segurando orgulhosamente o capacete do seu trisavô - uma relíquia da família.

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