Vinte e três originais desta série encontram-se no acervo da Pinacoteca Municipal e dois deles em um acervo particular. As imagens postadas abaixo são digitalizações dos postais da Marfim, cujo autor deste blog possui um exemplar. A reprodução destas imagens não tem caráter comercial, sendo apenas uma forma de homenagear o Mestre Wasth Rodrigues e a cidade que ele tanto amou, que faz aniversário no dia de hoje.
Parabéns São Paulo!
Igreja do Colégio

Igrejas da Sé e de São Pedro

Igreja de São Francisco e Faculdade de Direito

Pátio e Arcadas da Antiga Faculdade de Direito

Igreja dos Remédios

Igreja e Mosteiro de São Bento

Obelisco da Memória e Chafariz do Piques

Rua da Quitanda, esq. da Rua do Comércio

Sobrado com mucharabiê (Rua XV de Novembro)

Igreja de São Bento vista do Tamanduateí

Recolhimento de Santa Teresa (Rua do Carmo)

Igreja e Chafariz da Misericórdia (Chafariz do Tebas)

Igreja de Santo Antônio

Antiga Casa da Câmara de São Paulo

Igreja de São Bom Jesus do Brás

Igreja da Consolação

Rua Direita, Igreja e Chafariz da Misericórdia

Igreja de Santa Efigênia

Rua do Comércio (Álvares Penteado)

Igreja e Convento do Carmo

Rua do Rosário (15 de Novembro)

Igreja do Rosário (Praça Antônio Prado)

Sobrado com mucharabiê (Rua XV de Novembro)

Antigo Palácio do Bispo (Rua do Carmo)

Rua Direita (ao fundo, Igreja de São Pedro no Largo da Sé)

O Bom Washt Rodrigues
por CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Não vi nos jornais do Rio notícia do falecimento de José Wasth Rodrigues, ocorrido na noite de 21 de abril, nesta mesma cidade. Isso dá idéia do que foi esse homem ilustre e discreto, que podia muito bem reivindicar para si o título de um dos maiores historiadores brasileiros não pela palavra escrita, mas pela imagem. Todo o imenso trabalho de Wasth Rodrigues, muito estimado pelo estudiosos, é quase desconhecido do público. Ele nada fez por tornar-se notícia. Sua sombra me desculpará se agora o converto em crônica.
Wasth Rodrigues era pintor, com prêmio de viagem, à Europa, mas o Brasil antigo o preocupava mais que a realidade de hoje. Então saiu pelo Brasil de agora a pesquisar o antigo e praticamente não há casa, igreja e ponte coloniais que ele não houvesse fixado, em desenho ou aquarela, a título documental. Antes de expandir-se o gosto pela documentação fotográfica, já o seu lápis tomava apontamentos fiéis de coisas que não mais existem foram desfiguradas, e esses croquis serviriam ao inventário de nossas riquezas artísticas como elementos preciosos de informação. A muitos anos de passagem por um objeto digno de contemplação histórica, a memória de Wasth era capaz de reconstituí-lo num desenho seguro, feito à canhota.
Mas não era só um fixador de formas antigas, no papel ou na tela. Das três coisas entendia como gente grande, e não sei se alguém ganharia dele na perspicácia em identificá-las: o móvel, a indumentária e a arma. O conhecimento do mobiliário antigo, de velhos uniformes e de velhas espadas e clavinotes armazenava-se ordenadamente em sua cabeça, tornando-o enciclopédia viva e, o que é mais admirável, sem traço de presunção. Wasth não ostentava ciência possuía-a simplesmente. Ninguém o via deitando doutrina em rodas de artistas, críticos ou pesquisadores; consultado, informava e calava-se, comum silencia astuto de caipira - esse caipira civilizado, quem pendurava ainda na sua voz, como dizem que distinguia também a de seu coestaduano Almeida Júnior. Diante de, falastrões, olhava, no máximo sorria de leve, não contraditava. Rodrigo M. F. de Andrade observou que ele não tinha o menor empenho em fazer prevalecer o seu ponto de vista.
O Documentário Arquitetônico, em oito volumes, a iconografia dos Uniformes do Exército Brasileiro, e numerosos estudos esparsos sobre temas de sua especialidade constituem, subsídios inapreciáveis para a subsídios para a história da arte em geral e dos ritos civis e militares no Brasil. Á eles deve juntar-se o exaustivo Dicionário de Armaria, que deixou concluído, e umas deliciosas memórias de comprador de antigüidades, que andava escrevendo nos últimos tempos, para distrair o espírito nas horas da enfermidade. Tive o privilégio de ler os originais e, encantou-me mais de uma história do padre Lucindo, o famoso vigário e colecionador de Santa Bárbara, ou a do pato preto, com dentes e chifres, que toda a tarde ia torrar um pé de cana no sítio de um casal mineiro: a mulher, do gênero praguejante, vivia invocando o nome do demo, e este passou a freqüentar-lhe a plantação, da qual só se retirou depois de um severo pito" do santo arcebispo d. Silvério, extensivo à agitada senhora. Essas coisas, Wasth as ia recolhendo na sua peregrinação pelo Brasil barroco, e é pena que a morte não o deixasse concluir notações assim despretensiosas e cheias de humor, que colorem a seriedade de seus estudos.
Em Paris, na mocidade, foi companheiro de quarto - e de pobreza - do pintor Modigliani, que lhe fez o retrato e lhe deu inúmeros quadros, infelizmente perdidos. Wasth estava longe de prefigurar o renome mundial do amigo, de quem louvava a grande bondade. Por sua vez, morre pobre, como é tradição entre artistas e estudiosos brasileiros. Colaborador silencioso da D.P.H.A.N., doador de livros e desenhos de sua autoria ao acervo da repartição, o bom Wasth Rodrigues foi em tudo um brasileiro exemplar, pela dignidade, pelo profundo saber, pela encantadora modéstia.


Acho lindo ver fotos de um tempo contemporâneo de uma cidade tão prospera.Pena que os jovens nem sequer imaginam que isso existiu,graça a você Ricardo,podemos fazer diversas viagens ao passado,obrigado.
ResponderExcluirAdorei. Ver como era o lugar onde pisamos hoje. Trabalho muito bonito.
ResponderExcluirExcelente trabalho de divulgação da São paulo antiga e,principalmente , do pintor e desenhista José Wasth Rodrigues.
ResponderExcluirParabéns.
PARABÉNS. ISTO SIM É MATÉRIA JORNALÍSTICA DE QUALIDADE! LUIS MARCELO ARANHA CAMARGO
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