sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O incêndio do Joelma

Nesta última quarta-feira completou-se 38 anos de uma das maiores tragédias já vividas na cidade de São Paulo: O tenebroso incêndio do Edifício Joelma.

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Um dos Heróis daquele dia foi o então Capitão Hélio Barbosa Caldas.
Abaixo um trecho da matéria da Revista Veja, publicada logo após o ocorrido:

À noite, em sua última entrevista a repórteres de rádio, o capitão Hélio Caldas, comandante do Serviço de Salvamento do Corpo de Bombeiros, reconheceu o mérito de sua insistência: "As informações do senhor Correia foram valiosíssimas. Realmente as pessoas estavam lá e estavam vivas. Foram resgatadas".

MÉDICO HIPPIE - Antes das entrevistas, contudo, Caldas, um veterano de muitos incêndios e coragem que ele próprio considera próxima da loucura, rodopiou longos minutos preso a uma corda de 12 metros pendente de um helicóptero, na tentativa de repetir o feito de há dois anos, quando foi o primeiro a descer no terraço do Edifício Andraus para organizar o salvamento dos refugiados. Não foi possível: o pequeno helicóptero da FAB não teve condicões de se aproximar do prédio e ele teve de providenciar a colocação de um cabo, ligando o terraço do Joelma ao Edifício Saint Patrick, na rua Santo Antônio, para finalmente chegar ao terraço. "Uma das primeiras pessoas que vi", contou depois, "foi um médico meio hippie, que estava preso também na teto do Edifício Andraus. 'Você aqui outra vez, rapaz', perguntei, mas ele não disse nada, procurava ajudar os vizinhos."

Mesmo ao relatar a incrível coincidência, Caldas não exibe o ar de quem se diverte. Suas reflexões sobre o novo incêndio são amargas: "Esse foi pior que o Andraus. Por incrível que pareça, aquele prédio tinha melhores condições de segurança, principalmente pelo seu heliporto e por suas paredes isolantes".

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Abaixo, algumas insígnias que pertenceram ao CEL Caldas, falecido em 20 de junho de 1999.

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Brevê do Serviço de Salvamento do Corpo de Bombeiros, do qual o CEL Caldas foi Comandante.

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Abaixo um comentário do leitor e grande colaborador deste blog, João Marcos Carvalho que achei interessante fazer parte do post:
Em 24 de fevereiro de 1972, na condição de repórter estagiário dos Diários Associados, cobri o incêndio do Edifício Andraus, na avenida São João. Foi uma experiência terrível para quem iniciava a carreira jornalística. Foram 16 mortos e mais de 300 feridos. Um fato interessante nessa história é que até dois meses antes funcionava, na Base Aérea de Cumbica (a 20 km do centro de SP) o Segundo Esquadrão do 10º Grupo de Aviação (2º/10º GAV.), da FAB, especializado em busca e salvamento, que utilizava helicópteros H1H, os mais equipados e modernos na ocasião. Por azar do povo de SP, esse esquadrão fora transferido para Florianópolis em dezembro de 1971. No dia do incêndio, a maioria dos helicópteros usados para o salvamento era civil. Mesmo assim, um dos H1H foi deslocado de Floripa e prestou grande ajuda. È importante ressaltar que o Andraus tinha um heliporto, o que facilitou muitos salvamentos.
Em 1º de fevereiro de 1974, lá estava eu novamente cobrindo outro incêndio dantesco. O Joelma, na praça da Bandeira, ardia em chamas, numa reprise piorada do Andraus. Os números foram impressionantes: 188 mortos e mais de 700 feridos. Até hoje guardo na memória o som das pancadas de corpos se estatelando no chão. Muitos optaram saltar para a morte do que ser tragados pelas chamas. Entretanto, a emoção maior, confesso, é lembrar a extraordinária dedicação dos bombeiros que, sem os equipamentos sofisticados que se tem hoje, realizaram proezas de acrobatas de circo para salvar vidas em lugares inalcançáveis. Ao contrário do Andraus, no Joelma não havia heliporto. O teto era de telhas de amianto, o que transformou a cobertura numa imensa “chapa quente”, onde dezenas de seres humanos foram simplesmente assados vivos.
Mas nenhum depoimento escrito pode superar a força das imagens. Por isso convido os leitores do seu blog a assistirem os filmes abaixo, acessando os endereços:

Edifício Andraus:
http://www.youtube.com/watch?v=LX7dYMbectA&feature=player_embedded#!
Edifício Joelma:
http://www.youtube.com/watch?v=-3RRsCQb1kY&feature=related

Eles são os documentos vivos dessas tragédias que traumatizaram o povo paulistano.
Abaixo raras imagens de soldados da ROTA no salvamento das vítimas do incêndio. Participaram da operação todas as unidades de elite da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

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Um comentário:

  1. João Marcos Carvalho7 de fevereiro de 2012 14:03

    Caro Ricardo,

    Em 24 de fevereiro de 1972, na condição de repórter estagiário dos Diários Associados, cobri o incêndio do Edifício Andraus, na avenida São João. Foi uma experiência terrível para quem iniciava a carreira jornalística. Foram 16 mortos e mais de 300 feridos. Um fato interessante nessa história é que até dois meses antes funcionava, na Base Aérea de Cumbica (a 20 km do centro de SP) o Segundo Esquadrão do 10º Grupo de Aviação (2º/10º GAV.), da FAB, especializado em busca e salvamento, que utilizava helicópteros H1H, os mais equipados e modernos na ocasião. Por azar do povo de SP, esse esquadrão fora transferido para Florianópolis em dezembro de 1971. No dia do incêndio, a maioria dos helicópteros usados para o salvamento era civil. Mesmo assim, um dos H1H foi deslocado de Floripa e prestou grande ajuda. È importante ressaltar que o Andraus tinha um heliporto, o que facilitou muitos salvamentos.
    Em 1º de fevereiro de 1974, lá estava eu novamente cobrindo outro incêndio dantesco. O Joelma, na praça da Bandeira, ardia em chamas, numa reprise piorada do Andraus. Os números foram impressionantes: 188 mortos e mais de 700 feridos. Até hoje guardo na memória o som das pancadas de corpos se estatelando no chão. Muitos optaram saltar para a morte do que ser tragados pelas chamas. Entretanto, a emoção maior, confesso, é lembrar a extraordinária dedicação dos bombeiros que, sem os equipamentos sofisticados que se tem hoje, realizaram proezas de acrobatas de circo para salvar vidas em lugares inalcançáveis. Ao contrário do Andraus, no Joelma não havia heliporto. O teto era de telhas de amianto, o que transformou a cobertura numa imensa “chapa quente”, onde dezenas de seres humanos foram simplesmente assados vivos.
    Mas nenhum depoimento escrito pode superar a força das imagens. Por isso convido os leitores do seu blog a assistirem os filmes abaixo, acessando os endereços:

    Edifício Andraus:
    http://www.youtube.com/watch?v=LX7dYMbectA&feature=player_embedded#!

    Edifício Joelma:
    http://www.youtube.com/watch?v=-3RRsCQb1kY&feature=related

    Eles são os documentos vivos dessas tragédias que traumatizaram o povo paulistano.

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