Diferentemente de 1932 os
acontecimentos de julho de 1924 em São Paulo não contaram com o apoio popular, muito pelo contrário: Quem tinha condições deixou a cidade. Os mais pobres, que habitavam os bairros operários, sofreram na pele os efeitos de uma guerra civil na porta de suas casas. Foram centenas de mortos e milhares de feridos - a esmagadora maioria eram civis desarmados. Por vinte e três dias a cidade de São Paulo experimentou a guerra moderna com fogo de armas automáticas, artilharia pesada e bombardeio aéreo. As fotos do conflito não deixam a menor dúvida sobre a intensidade e violência dos combates.
Neste link é possível ver uma série de manchetes de jornais circulados durante a revolta de 1924.
Artilharia legalista apontada para o centro da cidade.
Um poste de iluminação em metal furado como uma peneira.
Tanques de guerra reais.
Tanques de guerra improvisados.
Uma escola na Rua dos Trilhos na Moóca.
Uma sala do
Quartel da Luz que recebeu um impacto direto.
A mesma sala atualmente.
Vitória das tropas legalistas.
Abaixo dois exemplares da
Medalha da Legalidade, outorgada aos soldados e oficiais da Força Pública que lutaram pela restituição da ordem em 1924. A fita da medalha da direita pertenceu ao
General Julio Marcondes Salgado e foi gentilmente cedida pelo seu neto ao autor do blog.
Braçal de voluntário da Cruz Vermelha, usado em São Paulo em 1924.
Excelente lembrança. Obrigado.
ResponderExcluirEssa escola na rua dos trilhos 1269, teve a sua fachada reformada e abriga uma pizzaria. Os tdelhados de 2 aguas ainda existem, claro, que com novas telhas.
ResponderExcluirO que precisa ser dito sobre a Revolta de julho de 1924, é que Carlos de Campos, governador do Estado de São Paulo na época, agiu como um criminoso de guerra ao ordenar o bombardeiro indiscriminado da Capital paulista por artilharia pesada.
ResponderExcluirFoi um ato covarde, desproporcional, cruel e desnecessário que matou centenas de habitantes indefesos e que sequer sabiam o porquê daquela luta terrível em plena zona urbana.
Infelizmente a amnésia histórica nacional deixou impune Carlos de Campos, Artur Bernades (presidente da República na ocasião)e seus generais assassinos.
Eu li muito sobre a Revolução de 1924, mas sinceramente não me lembro de que o bombardeio tenha sido ordenado pelo presidente Carlos de Campos, que fugiu da cidade. Quem decidiu pelo bombardeiro foram os comandantes das forças federais lá na Penha e Guaainazes, mas não levaram em conta a população civil. Isso está nas centenas de livros e matérias de jornal de jornal sobre o assunto.
ExcluirQuem deve ser lembrado por sua atitude seria o presidente da Associação Comercial, José Carlos de Macedo Soares,que pediu ao General Sócrates que poupasse a cidade do bombardeio, mas em vão.
Macedo Soares passou horrores depois da revolta, pois durante a ocupação da cidade pelos rebeldes ele conseguiu, em nome do prefeito Firmiano M Pinto, autorização dos mesmos para reorganizar o abastecimento da cidade.
Macedo Soares não era simpatizante dos rebeldes, mas pagou o preço por se preocupar com os civis: foi preso e posteriormente exilado.
Correção do texto acima: "quem decidiu pelo bombardeio..."
Excluir"Guayauna" e não "Guaainazes". A estação de Guayauna foi rebatizada como Carlos de Campos como homenagem post-morten ao presidente do Estado de SP, em 1927.
Correção: no texto acima, leia-se bombardeio e não bombardeiro.
ResponderExcluireu nao sabia sobre isso, minha vó de 100 anos me diz sobre guerras e coisas que aconteceram no passado mas agora que tive a chance de ler isso posso prestar mais atenção as histórias dela, fazer assimilações, muito obrigado por me informar mais sobre o pais e sobre a cidade onde vivo.
ResponderExcluirORGULHO DE SER PAULISTA! Vamos resgatar o nosso orgulho!
ResponderExcluirotimo comentario de João Marcos Carvalho.
ResponderExcluirÉ um registro histórico que não pode ser esquecido, inclusive esse comentário do João Marcos Carvalho
ResponderExcluirmaravilhoso arcervo faz viajar no tempo lembrar o que meu pai comentava ele nasceu em 1918 mesmo jovem lembrava das açoes foram tempos dificeis mas de muito orgulho para povo paulista
ResponderExcluirO Blindado q aparece no pátio do quartel da luz(atual 1o BP/Choque "Tobias de Aguiar"-ROTA) na sétima foto de cima prá baixo foi construído por oficiais da Força Pública com a ajuda de técnicos das oficinas ferroviárias,q usaram chapas de metal sob o chassi de um caminhão inglês,talvez um Mac Corning Derring ou um Thornycroft,pois sua direção era do lado esquerdo.Não tinha torre giratória,mas cinco seteiras de onde se podiam disparar armas automáticas,metralhadoras hotchkiss ou fuzis mauser 7mm,armas usuais às forças militares da época.CURIOSIDADE!!!O VEÍCULO FICOU TÃO PESADO Q NEM SEQUER SAIU DO LUGAR!!!!
ResponderExcluirA revolta de 1924 foi esquecida nas prateleiras da nossa História, principalmente pelo que aconteceu depois que os rebeldes deixaram a cidade.
ResponderExcluirEu estou fazendo um trabalho de identificar, nos dias de hoje, os locais fotografados em 1924.
A rua Florencio de Abreu e o viaduto Santa Ifigenia foram locais de intensos tiroteios, pois eram o caminho natural das tropas rebeldes que vinham da Luz para o centro, via rua Florêncio e Casper Libero.
Quem tiver curiosidade pode ver picotes causados por balas de fuzil na fachada da igreja de Sta. Ifigenia que estão lá até hoje.
Um excelente livro para se ter mais um ponto de vista sobre essa revolta é A Noite das Grandes Fogueiras de Domingos Meirelles. Esta revolução foi o ponto de partida da Coluna Prestes e minha mãe, que na ocasião contava com 7 anos e morava na Vila Mariana contava que os projéteis de artilharia passavam sobre sua casa, que ficava na rua que posteriormente veio a se chamar Joaquim Távora, morto nessa revolta. Na garagem dos bondes, que ficava onde hoje é a estação Vila Mariana do Metrô, eram empilhados os cadáveres recolhidos pela cidade, segundo ela o sangue corria pelo meio fio. Meu avô optou por se refugiar com a família numa chácara no Bosque da Saúde, fora da zona de combate, houve desabastecimento e a fábrica da Lacta, que ficava na Rua José Antonio Coelho e foi bombardeada e incendiada, foi saqueada.
ResponderExcluirDois detalhes interessantes: A avenida Paulista (originalmente batizada por Avenida das Acácias), em 1929 teve seu nome alterado para Avenida Presidente Carlos de Campos; em 1955, a Avenida Jabaquara também teve seu nome alterado para Avenida Getúlio Vargas. Embora nos dois casos tratam-se de personalidades diferentes, as tais mudanças de nomes não foram do agrado dos paulistanos (até por motivos óbvios) que exigiram o cancelamento do "rebatismo" das avenidas.Forçados pela situação, o poder públco rendeu-se à vontade popular.
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