quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A Imperial Ordem da Rosa - REDUX

Em dezembro de 2010 publiquei uma matéria sobre a mais bela e romântica Ordem de todos os tempos, a Ordem da Rosa. Estou re-publicando a mesma matéria porém com novas imagens. Tenho certeza que os leitores vão apreciar!

A Ordem da Rosa é uma ordem honorífica brasileira criada em 1829 pelo Imperador D. Pedro I para perpetuar a memória de seu matrimônio com Dona Amélia de Leuchtenberg.
É formada por uma estrela branca de seis pontas maçanetadas, unidas por guirlanda de rosas. Ao centro, monograma com as letras "P" e "A" entrelaçadas circundado por orla azul com a legenda "AMOR E FIDELIDADE". No reverso a data 2-8-1829 e a legenda "PEDRO E AMÉLIA". Em alguns graus o conjunto traz no topo a Corôa Imperial.

Diferenciação entre os graus da Ordem
Os seis diferentes graus da Ordem da Rosa são definidos através do uso de suas insígnias:

-Grão Cruz - (com corôa) Colar/Fitão + Placa
-Grande Dignitário - (com corôa) Insígnia GRANDE de pescoço + Placa
-Dignitário - (sem corôa) Insígnia de pescoço + Placa
-Comendador - (sem corôa) medalha suspensa pela fita
-Oficial- (sem corôa) Placa
-Cavaleiro - (com corôa) medalha suspensa pela fita

A Ordem da Rosa foi concedida durante o 1o e 2o Império e assim como as demais ordens Imperiais, foi extinta após o banimento da Família Imperial brasileira e o início da República. Abaixo vemos uma placa de Grande Dignitário da Ordem.

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Abaixo vemos uma ampliação do contraste com a cabeça de Mercúrio, que indica a fabricação francesa entre 1840 a 1879.

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Criação da Ordem da Rosa
Reza a lenda que a Ordem da Rosa foi imaginada por D. Pedro I ao ver o vestido de D. Amelia de Leuchtenberg ao desembarcar no Rio de Janeiro. Acontece que seu casamento foi no dia seguinte e logo após este evento deu-se a primeira distribuição das honrarias. Não seria possível que tudo fosse feito de um dia para o outro.

Porém foi enviado um retrato de D. Amelia para que D. Pedro conhecesse sua fisionomia. Uma rosa lhe ornava o toucado. Inúmeros monumentos foram erguidos por todo o Rio de Janeiro para celebrar o casamento Imperial. Em um deles em especial, na Praça do Comércio, de autoria de Grandjean de Montigny, continha as legendas: Valor, Lealdade, Prudência, Amor, Fidelidade e Constância - O que faz parecer que os elementos estavam lá e a criação desta insígnia reuniu estes elementos.

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Autoria do projeto das insígnias
Muitos acreditam errôneamente que o desenho da ordem é de autoria de Jean-Baptiste Debret. Abaixo os originais de Eugène de la Michellerie e Pezerat, do arquivo do Museu Imperial de Petrópolis. Esses são os projetos que foram aprovados, ainda que com algumas modificações.

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Agraciados com a Ordem da Rosa
Houve durante o período Imperial uma grande distribuição desta comenda. Poucas foram concedidas no 1o Reinado enquanto no 2o Reinado houve um significativo aumento - mais especificamente durante a Guerra do Paraguai.

Isso deveu-se ao fato de não existir uma medalha específica para atos de bravura individual durante a Guerra do Paraguai (a que existiu nunca foi distribuída - a Medalha aos Mais Bravos). Desta forma o Império contava com as ordens vigentes para preencher tal lacuna. A que foi mais usada foi a da Rosa no seu grau de Cavaleiro. Abaixo vemos uma Ordem da Rosa recebida em 1870 por um soldado paulista, Voluntário da Pátria na Guerra do Paraguai.

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Um detalhe interessante é que este conjunto de insígnias de cavaleiro e miniatura, trazem representada a corôa de D. Pedro I. As ordens feitas após a coroação de D. Pedro II apresentam uma corôa mais arredondada no topo da insígnia. Isso nos permite presumir que esta medalha tenha sido fabricada por volta de 1830 e que tenha ficado em estoque até ter sido concedida em 1870.

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A Ordem da Rosa também tinha uma aplicação civil, e era constantemente usada para condecorar pintores, músicos e pessoas ligadas a arte em geral. No final do império foi usada por D. Pedro II como moeda de troca para incentivar fazendeiros a alforriar escravos. Além de brasileiros foi grande a distribuição desta ordem para membros da corte européia e também militares daquele continente. Na imagem abaixo vemos o Brigadeiro José Antonio da Fonseca Galvão, Comandante das Forças Expedicionárias em Mato Grosso contra o Paraguai - morto em combate em 1865.

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Tratamento e honras militares
-Grão Cruz - tratamento de "Excelência"
-Grande Dignitário - tratamento de "Excelência"
-Dignitário - tratamento de "Senhoria"
-Comendador - tratamento de "Senhoria"
-Oficial - honras de Coronel
-Cavaleiro - honras de Capitão

Abaixo o diploma de concessão da Ordem da Rosa recebido pelo Capitão de Voluntários da Pátria Antonio Lopes Guimarães.

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Bibliografia:
• Ordens Honoríficas do Brasil, Luiz Marques Poliano, Imprensa Nacional - 1943
• A Guerra do Paraguay na Medalhística Militar Brasileira, Francisco Marques dos Santos – 1937
• Medalhas e Condecorações Brasileiras – Collectanea de Actos Officiaes, Coronel Laurenio Lago – 1935

4 comentários:

  1. Meu bisavô, Capitão João Pimenta, que lutou na
    Guerra do Paraguai, recebeu a comenda do Imperador. Minha tia-avó doou a medalha na campanha Ouro para o bem de São Paulo, em 1932. O diploma de concessão sobrou.
    Marisa Guimarães

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  2. Ricardo. Muito interessante e preciso a publicação sobre a Ordem da Rosa.
    Gostaria de acrescentar que, realmente D. Pedro recebeu um retrato de sua consorte, trazido por um de seus assessores, meses da chegada de D. Amélia ao Brasil.
    Outro fato interessante é entender o que motivou o imperador a contemplar a futura segunda esposa, neta ilegítima de Napoleão Bonaparte, criando-lhe a referida Comenda. Fato que não aconteceu em seu primeiro casamento com a imperatriz Maria Leopoldina, a qual lhe deu nove filhos em nove anos.
    O fato é que as aventuras amorosas de D. Pedro no Brasil se espalharam pela Europa e ganharam eco nas cortes. Segundo a pesquisadora e amiga Claudia Thomé Witte, após a morte de D. Leopoldina, D. Pedro I, mais velho e consciente da dificuldade que seus assessores tiveram para lhe encontrar uma segunda mulher - sua fama de violento ainda dominava as cortes europeias em função das inúmeras cartas que D. Leopoldina escrevia a sua irmã na Áustria, e ele ouviu oito recusas, da Baviera ao Piemonte, até ser aceito -, foi amoroso e atencioso com a 'nova' imperatriz. Nesse contexto entende-se a criação de uma das mais belas ordens imperiais brasileira, afinal o que estava em jogo era a solidão do imperador.

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  3. Boa tarde
    Eu possuo uma comenda da Rosa e gostaria de saber o valor histórico dela. Sou bisneta do Marechal Gregório Thaumaturgo de Azevedo.

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  4. Bem poderia dizer-me se a medalhas que se situa na casaca de Eduard Strauss, músico Áustrico, amigo de Dom Pedro II, e que lhe condecorou em homenagem pela composição "A glória do Brasil, Marcha", agora extinta, seria realmente a Ordem da Cruz?!
    A imagem à qual me refiro esta neste video, link; https://www.youtube.com/watch?v=TL4BwDEWvvM
    Grato.

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