quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Medalha da Campanha do Uruguai 1865

A agitação política vivida no Uruguai em 1864 refletiu-se de forma negativa junto aos estancieiros brasileiros na fronteira de então Província do Rio Grande do Sul, que passaram a ter as suas propriedades invadidas e o seu gado furtado durante operações de assalto, popularmente conhecidas como "Califórnias". Os brasileiros com propriedades estabelecidas naquele país, estimados em 40 mil pessoas, também passaram a ser alvo de perseguições e violência. O governo imperial brasileiro tentou intervir diplomaticamente junto ao presidente uruguaio, Atanasio Cruz Aguirre, do Partido Blanco, mas sem efeito. Foi então formulado um ultimato a Aguirre, que não foi aceito.

Organizou-se, assim, uma Divisão de Observação, transformada em seguida em Divisão Auxiliadora, integrada por um efetivo de quatro mil homens, sob o comando do brigadeiro Francisco Félix Pereira Pinto. Transpondo a fronteira em Março de 1864, atingiu a localidade de Bella Unión em Junho, onde estabeleceu quartel. Ao mesmo tempo, o Almirante Tamandaré e as forças brasileiras na fronteira receberam ordens de procederem a represálias e adotarem as medidas convenientes para proteger os interesses dos brasileiros na região.

Com estas medidas, ganhou-se tempo para que se coordenasse uma operação de invasão do Uruguai, iniciada a 16 de Outubro, por um efetivo de seis mil homens sob o comando do General João Propício Menna Barreto. Este efetivo marchou sobre Melo, dividido em duas divisões de Infantaria. Alcançado esse objetivo, as tropas brasileiras avançaram sobre Paysandú, sitiada por um mês, enquanto as forças brasileiras ali se concentravam. Enquanto isso, com o apoio da Armada Imperial, as forças uruguaias sob o comando de Venâncio Flores sitiaram a vila de Salto no rio Uruguai, que veio a capitular, sem resistência, a 28 de Novembro desse mesmo ano.

Finalmente, às 9 horas da manhã de 31 de Dezembro de 1864, as tropas brasileiras (com as do Brigadeiro Antônio de Sampaio e as de Carlos Resin justapostas), com o apoio naval da esquadra brasileira, sob o comando de Tamandaré, lançaram o ataque final a Paysandú. As tropas brasileiras atacaram frontalmente e pelo flanco direito, e as do general Flores pelo esquerdo. A resistência de Paysandú foi denodada e pertinaz, tendo durado todo o dia e entrado pela noite. Na manhã de 1 de Janeiro de 1865 a povoação capitulou, tendo o seu comandante Leandro Gomes sido aprisionado, vindo a ser morto por seus compatriotas, em contradição às normas de conduta da guerra. Conquistada Paysandú, as tropas imperiais brasileiras receberam ordens de marchar sobre a capital, Montevidéu.

Desesperado, Aguirre queimou publicamente os tratados assinados com o Brasil, e ordenou o ataque e conquista da cidade brasileira de Jaguarão, entre 27 e 28 de janeiro. Desse modo, uma força de mil e quinhentos uruguaios dividiu-se em dois Corpos, um sob o comando do General Basílio Muñoz e outra sob o do Coronel Timoteo Aparicio (Aparecido), vindo a enfrentar o efetivo brasileiro sob o comando do Coronel Manoel Pereira Vargas, composto por cavalarianos e infantes da Guarda Nacional. O ataque foi sustado e repelido pelos brasileiros. Aguirre, numa manobra política, fez arrastar uma bandeira do Brasil pelas ruas de Montevidéu, afirmando ter sido a mesma apresada em Jaguarão; de nada lhe serviu, entretanto, esse estratagema. As tropas brasileiras, passando por Colônia do Sacramento, impuseram sítio à capital, Montevidéu, no dia 2 de fevereiro. Desse modo, a 15 desse mês, Aguirre foi deposto, constituindo-se um Governo Provisório dirigido pelo general Venâncio Flores. Este declarou nulos os atos contra o Brasil, desagravou a nossa bandeira, içando-a no Forte de São José e saudando-a com uma salva de 21 tiros, respondida, ao mesmo tempo, pela Corveta Bahiana, com a bandeira uruguaia içada no mastro grande.

Finalmente, a 20 de fevereiro de 1865, assinou-se a Convenção de Paz com a presença do Visconde do Rio Branco e do novo Presidente do Senado uruguaio, Tomás Villalba. Por ela, as propriedades confiscadas aos súditos brasileiros no Uruguai eram devolvidas. O governante do Paraguai, Francisco Solano López, pretendendo defender os interesses do partido Blanco do Uruguai neste conflito, terminou por precipitar a eclosão da Guerra da Tríplice Aliança. (Fonte: Wikipedia)

A Medalha da Campanha do Uruguai 1865, também conhecida como Medalha de Paysandú.

Medalha concedida pelo governo Imperial para agraciar os combatentes que compuseram o Exército em Operações na República do Uruguay, por relevantes serviços prestados sob o Comando do Marechal de Campo João Propício Menna Barreto. Conforme decreto nº 3468 de 08 de maio de 1865, todos os praças de linha e Guarda Nacional que participaram da Campanha no Uruguay, deveriam usar a medalha pendente por fita em duas cores, azul e vermelho, em listras de mesmo tamanho. Abaixo vemos o General Osório usando a Medalha de Paysandú pendente ao pescoço.

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Os Oficiais Generais utilizavam pendente ao pescoço, enquanto os Oficiais Superiores, Capitães e Subalternos e praças de pret utilizavam ao lado esquerdo do peito, sendo as dos primeiros em ouro, as dos segundos em prata e as dos últimos em liga de cobre e estanho. Através do decreto nº 3488 de 28 de junho de 1865, faz-se extensivos aos combatentes que compuzeram as guarnições dos Navios da Esquadra, sob o comando do Visconde de Tamandaré, o uso da Medalha da Campanha do Uruguai.

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Um comentário:

  1. Ola Ricardo! mais uma aula de historia,eu não sabia dsse confrito com o Urugua.
    Grande abraço!!!!!
    Gonçalo

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