Tive recentemente a grata oportunidade de ser recebido pelos netos do General Marcondes Salgado, o CEL PM Elyseu Guilherme Salgado Rocha e pela Sra. Eloísa Maria Rocha Salvato. Nesta ocasião pude conhecer o fantástico acervo da família, muito bem guardado e conservado pelo seu neto Elyseu. São centenas de objetos, troféus, fotos e documentos que contam a história do General Salgado e a história de São Paulo.
Acredito que é de suma importância preservarmos a memória dos nossos verdadeiros Heróis e com este pensamento convidei seu neto Elyseu, estudioso da vida de seu avô, a escrever uma pequena biografia do General Salgado - a qual reproduzo a seguir. Permeando o texto fotos inéditas do acevo da família Salgado, muitas delas divulgadas publicamente pela primeira vez. Na próxima parte desta matéria, a ser postada em um futuro próximo, mostraremos um pouco mais dos objetos que fazem parte deste importante acervo.
Agradeço ao CEL PM Elyseu Guilherme Salgado Rocha e a Sra. Maria Edelweiss, ao CEL PM Américo Victor Salvato e a Sra. Eloísa e também ao CEL PM Roberto dos Santos Salgado pela calorosa recepção e por confiar a este blog a missão da preservação da memória do General Marcondes Salgado. Em nome dos leitores, e em meu nome, nosso muito obrigado!
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Nasce a 01 de Julho de 1890, em Pindamonhangaba, Julio Marcondes Salgado, filho de Da. Anna Euphrosina Marcondes do Amaral Salgado e de Victoriano Clementino Salgado. Recebeu como herança uma fortuna moral, representada por dois nomes respeitáveis que ornavam sua pessoa: MARCONDES e SALGADO.

Marcondes, família ilustre do norte do Estado, que tantos filhos notáveis deu à Pátria, como o Coronel Marcondes de Oliveira Melo, 1º Barão de Pindamonhangaba, Comandante da Guarda de Honra do Príncipe Dom Pedro, por ocasião do Grito do Ipiranga. O Conselheiro Barão Homem de Melo, que era Marcondes, figurava no 2º Império como Ministro, Presidente de várias províncias e grande historiador.
Os Salgado, outra família ilustre que figurou na monarquia e deu a São Paulo homens como: Antonio Salgado da Silva – Visconde de Palmeiras, Inácio Bicudo de Siqueira Salgado - Barão de Itapeva e Benedito Corrêa Salgado, companheiro do Barão de Pindamonhangaba na jornada épica, cheia de glórias, de Sete de Setembro.
Na velha Jambeiro, de propriedade de seus pais, o jovem Julio viveu uma infância feliz. No “Castanho”, sua montada favorita, ia ele a Pindamonhangaba, ou corria as matas da fazenda, e nesse garoto vivo e inteligente, já se prenunciava o cavaleiro – Centauro, que iria brilhar em futuras competições hípicas.
No Grupo Escolar de Pindamonhangaba, recebeu as primeiras letras, e já havia cursado o 2º ano, quando a adversidade bateu à sua porta: sua extremosa mãe falecera, perdendo assim os carinhos maternos.
Novo golpe: seu progenitor recebeu com a queda do café, sustentáculo econômico da fazenda, que vai de roldão pela hipoteca contraída, então insolvível. Seu pai transfere residência para São Bento do Sapucaí, retirando o jovem filho da escola, que passa a servir no comércio como empregado de seu parente, levando vida singela e apagada.
A 26 de Junho de 1907, aos 16 anos, alistou-se o futuro General, como simples Soldado, no Corpo de Cavalaria. Cursou o Pelotão de Alunos Cabos, foi promovido a Anspessada a 1º de Agosto de 1908, obtendo, então, a primeira divisa, inicial de uma carreira que iria finalizar no Generalato.
A 19 de Maio de 1911, foi promovido, por merecimento, a Segundo Sargento, contraindo nesse mesmo ano matrimônio com Da. Ophélia Acritelli, descendente de tradicional família de Santa Branca.


Dedicava-se, de corpo e alma, aos estudos, e a 4 de Dezembro de 1913 via coroados seus esforços, abrindo para ele a Escola de Oficiais. A 27 de Fevereiro de 1915 diplomava-se Oficial. A 1º de Maio desse mesmo ano entrava definitivamente para o Oficialato da Força Pública, no posto de Alferes. Exerceu em 1916, as funções de 2º Tenente Quartel-Mestre, onde revelou dedicação incomum ao trabalho e honestidade sem par. A 24 de Janeiro de 1918 era promovido a 1º Tenente por estudos. Em 16 de Junho de 1922 foi agraciado com a “Cruz de Cavaleiro da Ordem de Leopoldo II” concedido por Sua Majestade o Rei Alberto da Bélgica, quando em visita a São Paulo.

A 20 de Março de 1924 foi promovido ao posto de Capitão por merecimento. Em 1924 é que demonstra de modo irretorquível seu valor militar na Guerra, como já o conservara na Paz. A 5 de Julho, deflagra nesta Capital um movimento revolucionário. As convicções profundamente legalistas desse grande Soldado, entretanto, não lhe permitem vacilar no que considerava o verdadeiro cumprimento do dever. Integra-se nas hostes fiéis ao Governo Legal, assumindo durante a peleja vários Comandos que o consagraram verdadeiro condutor de tropa, demonstrando em todos os instantes da luta incruenta, valor indômito e bravura desdobrada. Conquistava ele a 6 de Novembro, os galões de Major, pela brilhante atuação na Defesa do Poder Legal.


A 14 de Junho de 1925, recebe a Medalha de Ouro da Legalidade. Em 14 de Maio de 1927 a Medalha de Mérito Militar, em bronze. A 4 de Junho desse ano era promovido ao posto de Tenente Coronel, assumindo o Comando do Regimento de Cavalaria. Grande esportista, foi campeão Paulista de Polo e Esgrima, além de exímio cavaleiro. Conquista em 25 de Novembro de 1929, o 1º lugar no Campeonato Brasileiro – Prova Presidente da República – Dr. Washington Luiz Pereira de Souza, saltando com o cavalo BOEMIO, 1 metro e 85 centímetros de altura, e em 19 de Janeiro de 1930, recebe a Medalha de Cultura Física.

Ainda no ano de 1930, a situação se transforma com a vitória da Revolução e os Comandos Militares passam às mãos de Oficiais de confiança do Governo Provisório. Assim, mesmo retirado do Comando do Regimento de Cavalaria, os revolucionários reconhecem seu valor pessoal, e lhe entregam o Comando do Centro de Instrução Militar.

Em 1931, comanda o 4º Batalhão de Caçadores da Capital, hoje em Baurú, e o 5º Batalhão de Caçadores, sediado na Capital, hoje com sede em Taubaté, e que pelo Decreto nº 31.766, de 28 de Junho de 1990, denominou-se 5º Batalhão de Polícia Militar do Interior “General Julio Marcondes Salgado”.

Em 23 de Maio de 1932, o Dr. Waldemar Ferreira, assumindo a Pasta da Justiça e da Segurança Pública, teve como seu primeiro ato a indicação ao Interventor Federal do Estado de São Paulo, Doutor Pedro de Toledo, do nome do Tenente Coronel Julio Marcondes Salgado para o Comando Interino da Força Pública. Em 25 de Maio foi promovido a Coronel e efetivado para o mesmo cargo.

O bravo e destemido Coronel Salgado procurava dar ao Exército Constitucionalista de São Paulo, mais uma arma, o morteiro, a fim de conquistar a vitória, quando em experiência, violento e deplorável desastre fere-o mortalmente. Numa explosão acidental voam estilhaços, e um deles atingiu o Coronel Salgado, seccionando-lhe a carótida. O bravo Comandante caiu morto instantaneamente, tomba o valente Soldado sobre aquele sagrado trato da terra Paulista, que lhe servira de berço que tanto amara, exaurindo ali sua mocidade e sua vida.
O Governador Constitucional do Estado de São Paulo, Doutor Pedro de Toledo, presta-lhe sua última homenagem, promovendo-o ao posto de General da Força Pública, pelo Decreto nº 5.602, de 23 de Julho de 1932, data de seu falecimento, classificando-o como lídimo paladino da Contitucionalização do País.

Os filhos do General Marcondes Salgado, Waldemar e Jandira.


A Família Salgado em missa realizada em homenagem ao General Marcondes Salgado no Mausoléu do Ibirapuera, na década de 90.

O neto do General Marcondes Salgado, CEL PM Elyseu Guilherme Salgado Rocha comandando o desfile de 9 de Julho e empunhando a espada do avô.

Abaixo alguns importantes documentos do acervo da família Salgado.










































