quinta-feira, 31 de maio de 2012

Medalha Sangue do Brasil, 1945

Regulamentada pelo Decreto-Lei 7709 de 5 de julho de 1945, a "Medalha Sangue do Brasil" foi criada para agraciar os feridos de guerra brasileiros durante a Campanha da Itália em 1945. Os oficiais, praças, assemelhados e civis destacados para o teatro de operações fizeram jus a esta medalha, desde que hajam recebido algum ferimento em consequência de ação objetiva do inimigo.   
                                          
A entrega da medalha foi feita nos próprios hospitais, no teatro de operações, ou em locais para onde haviam sido evacuados os feridos ou aos seus herdeiros quando falecidos.

Em bronze, no anverso o sabre das Armas da República, sobre um resplendor cujo foco se encontra na cruzeta e se irradia em todas as direções do campo. Coroando a lâmina do sabre, três estrelas esmaltadas em vermelho representam os três ferimentos recebidos pelo General Sampaio em 24 de maio de 1866, data da Batalha de Tuiutí. Envolvendo o campo da medalha, dois ramos de "Pau Brasil" lembram a Pátria e origens do seu nome glorioso. A fita tem a cor vermelha, com um friso central dividido em três partes iguais de cores amarelo, verde e amarelo.

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Abaixo a bandeira do Regimento Sampaio, trazendo o simbolismo da bravura do General Sampaio através do leão e as três estrelas representando os três ferimentos recebidos por ele na Batalha de Tuiutí. Os nomes no estandarte são dos locais onde o regimento esteve em combate na Guerra do Paraguai e na Segunda Guerra Mundial.

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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Mini documentário sobre a Força Pública de 1966

Compartilho com os leitores do blog um interessante vídeo feito em 1966 sobre a Força Pública do Estado de São Paulo dirigido pelo francês Jean Manzon, autor de diversos documentários sobre o governo veiculados nos cinemas brasileiros durante o regime militar. Destaque para as cenas no interior do Mausoléu do Ibirapuera.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O avião WACO CSO no Museu da TAM

Hoje trago mais uma série de imagens tiradas no Museu da TAM em São Carlos, desta vez do avião WACO CSO usado pela Aviação Constitucionalista em 1932, também conhecido como "Waco Verde". Mais um importante pedaço de nossa história muito bem preservado para a posteridade. Abaixo reproduzo um trecho do post sobre o aviador Mario Machado Bittencourt que menciona este avião.
Ao meio dia e quinze minutos o Major Ivo ordena a partida da esquadrilha.
Pilotando o avião modelo Curtiss O1-E Falcon, batizado de KAVURÉ-Y Machado Bittencourt e Gomes Ribeiro partem em direção ao Porto de Santos, na penosa missão de bombardear a esquadra ali estacionada numa tentativa de romper o bloqueio que impossibilitava as nossas forças de obter armamentos e suprimentos de guerra. Junto deles decolam Lysias Rodrigues e Abilio Pereira de Almeida no "Kyri-Kyri" e Motta Lima junto com Hugo Neves no "Waco Verde". Fariam o primeiro bombardeio e aterrariam no Campo da Praia Grande onde se reabasteceriam com bombas para novas investidas.
A foto abaixo traz o WACO com a proteção em volta do motor.

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As faixas brancas nas asas usadas pela aviação paulista.

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quarta-feira, 23 de maio de 2012

O blog que virou vídeo

Caros leitores, como muita gente ainda não viu publico novamente o teaser do projeto que vai contar um pouco da história de São Paulo e do Brasil através de objetos antigos. Vamos colocar o pé na estrada e conhecer os locais aonde os fatos se desenrolaram. A produção é da Porão Filmes. Espero que gostem e compartilhem!

Segunda-feira, 23 de maio de 1932

Martins, Miragaia, Dráusio, Camargo e Alvarenga.
São Paulo não esquece,
não transige e não perdoa.

O mês de maio daquele ano de 1932 já tinha se iniciado com muita tensão no ar: Greves, comícios, articulações políticas e militares iam aos poucos dando forma ao movimento revolucionário. Vargas por sua vez, acenava com a Assembléia Constituinte apenas para o ano seguinte, causando indignação e descontentamento entre os paulistas.
No dia 13 de maio outro grande comício na Praça da Sé reúne comerciantes, estudantes, entidades de classe e políticos que exigem eleições imediatas além de um secretariado verdadeiramente paulista.

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Porém, foi no dia 22 que o pavio foi definitivamente aceso com a chegada de Osvaldo Aranha a mando de Vargas com o intuíto de mediar a questão do secretariado. Com o apoio da imprensa, os frentistas alardeiam que a real intenção de Aranha é não outra a não ser dividir a Frente Única. Este, que já não tinha a simpatia dos paulistas chega a cidade como um verdadeiro intruso.

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De um lado, a Legião Revolucionária (força paramilitar comandanda por Miguel Costa que apoiava a ditadura Vargas) que planejava receber Osvaldo Aranha com todas as honras. Do outro lado a massa paulista que cerca, vaia e hostiliza o emissário de Vargas por todo o seu caminho. Durante a tarde uma carga de cavalaria da Força Pública é lançada contra os protestantes na Avenida Tiradentes, mas logo a situação se acalma com o pedido de desculpas e a garantia que não haveria mais repressão aos manifestantes - vindos do Comandante em Exercício da Força Pública Cel. Elisário de Paiva.

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Na manhã do dia 23 de Maio, Miguel Costa é definitivamente afastado do comando da Força Pública e em seu lugar é nomeado um aliado da Frente Única, o Coronel Júlio Marcondes Salgado. Osvaldo Aranha, que tinha passado a noite abrigado no Quartel General do Exército, retorna ao Rio de Janeiro totalmente alarmado com a situação em São Paulo. Durante essa tarde jornais tenentistas são invadidos pela multidão que toma as ruas enquanto lojas de armas são saqueadas. Pequenos choques contra provocadores da Legião Revolucionária acontecem nas estreitas ruas do centro. A situação se agrava a cada minuto.
Sangue paulista será derramado.

A Batalha da Praça da República:


No final da tarde daquela segunda-feira de maio, os paulistas já não queriam mais os membros da Legião Revolucionária andando com seus lenços vermelhos, armados, mandando e desmandando na cidade. Havia chegado a hora de colocar um ponto final naquele verdadeiro abuso que São Paulo estava sofrendo. A multidão paulista estava decidida a protestar na sede da Legião Revolucionária. Encontraram legionários armados e dispostos a tudo. Inclusive a matar.

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No início da noite a massa indomável se dirige pela Rua Barão de Itapetininga e finalmente alcança a esquina da Praça da República. Ali funciona a sede do Partido Popular Paulista, braço político da Legião Revolucionária. No seu interior, legionários frustrados com a deposição de seu chefe, armados e dispostos a tudo pretendem defender a sede do partido custe o que custar.

A massa se divide entre as esquinas da Rua Dom José de Barros e a Praça da República. Quem entrasse pela Barão de Itapetininga virava alvo dos legionários entocados. No primeiro ataque tombam Euclides Miragaia, estudante de direito e Antonio de Camargo Andrade, além de inúmeros feridos.

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A foto abaixo, originalmente veiculada nos anos 50, é tida como a última imagem em vida dos Mártires da Revolução.

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Das janelas no alto do prédio situado na esquina da Rua Barão de Itapetininga com a Praça da República tem-se uma ampla visão destas duas ruas. Foi dali que os membros da Legião Revolucionária controlaram a tiros o avanço da multidão logo abaixo. Era possível alvejar alvos tanto na Rua Barão de Itapetininga, como na Praça da República.

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Do quarto andar são disparadas rajadas de armas automáticas.

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Os que estão na rua se abrigam.

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Pânico e correria na calçada da Praça da República.

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Um bonde é tomado pelos manifestantes e ao apontar na esquina é crivado de balas vindas de cima. A rajada atinge o estudante Mário Martins de Almeida que virá a falecer no pronto socorro da Polícia Central. São mais de quatro horas de tiroteio, quando no início da madrugada um destacamento da Força Pública negocia a rendição de oito atiradores enquanto a massa é mantida afastada. No chão jaz o garoto de quatorze anos Dráusio Marcondes de Souza. Ferido gravemente está Orlando de Oliveira Alvarenga - que falecerá no dia 12 de agosto. Os ocupantes do PPP são retirados em um caminhão pela Força Pública e levados dali - nunca seriam identificados os autores dos tiros que vitimaram os cinco jovens.

Uma imagem da sede do PPP após o violento combate, e atualmente no mesmo local uma moderna sala de reuniões.

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No dia 24 de maio, as iniciais dos nomes dos mortos formarão a sigla da sociedade secreta que traçará o destino do Revolução Constitucionalista: MMDC. Anos depois a história faria justiça a Alvarenga, e a sigla seria complementada formando MMDCA.

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Mario Martins de Almeida

Nasceu em São Manuel, no Estado de São Paulo no dia 08 de fevereiro de 1901.
Filho do Coronel Juliano Martins de Almeida e de Dona Francisca Alves de Almeida.
Foi estudante do Mackenzie College, tendo terminado seus estudos sob a direção do Professor Alberto Kullmann. Era fazendeiro em Sertãozinho, estando no dia 23 de Maio de 1932 de passagem em São Paulo em visita a seus pais.

Euclydes Bueno Miragaia
Nasceu em São José dos Campos no dia 21 de Abril de 1911. Era filho do Sr. José Miragaia e de Dona Emília Bueno Miragaia. Foi aluno da Escola de Comércio Carlos de Carvalho, de onde passou no terceiro ano para a Escola Alvares Penteado. No dia 23 de Maio estava no centro a serviço de um cartório.

Drausio Marcondes de Souza
Nasceu a Rua Bresser na cidade de São Paulo em 22 de Setembro de 1917.
Filho do Sr. Manuel Octaviano Marcondes, farmacêutico e de Dona Ottilia Moreira da Costa Marcondes.

Antonio Americo de Camargo Andrade
Nasceu no dia 03 de Dezembro de 1901, filho do Sr. Nabor de Camargo Andrade e de Dona Hermelinda Nogueira de Camargo. Era casado com Dona Inaiah Teixeira de Camargo e deixou três filhos: Clesio, Yara e Hermelinda.

Orlando de Oliveira Alvarenga
Nasceu em Muzambinho, Minas Gerais, no dia 18 de Dezembro de 1899. Filho do Sr. Ozorio Alvarenga e de Dona Maria Oliveira Alvarenga. Deixou viúva Dona Annita do Val e um filho de nome Oscar. Era escrevente juramentado, e faleceu no dia 12 de Agosto de 1932 vítima dos ferimentos do dia 23.

No Mausoléu do Ibirapuera o "Herói Jacente" abriga os despojos das primeiras vítimas da Ditadura em 1932.

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DULCE ET DECORUM EST PRO PATRIA MORI. É DOCE E BELO MORRER PELA PÁTRIA.
(Horácio, ode II, livro III, versículo 13)


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Sra. Maria Zilda De Padua Salles Barboza Ferraz

Tenho a honra de apresentar para os leitores do blog a minha amiga Sra. Maria Zilda De Padua Salles Barboza Ferraz - a paulista mais orgulhosa de sua terra que já conheci. Filha do combatente Estanilslau de Padua Salles, que combateu no Túnel da Mantiqueira junto ao Batalhão Bahia, Dona Maria Zilda é guardiã de um verdadeiro museu de objetos, fotos e documentos da Revolução de 32. Defensora férrea do glorioso passado de São Paulo e das tradições paulistas, Dona Zilda conhece e guarda inúmeras histórias sobre a revolução contadas por seu pai e amigos - as quais sempre compartilha em minhas visitas a sua casa.

Conheci Dona Maria Zilda há dois anos através de amigos em comum ligados ao mundo das artes e recentemente fui muito bem recebido por ela, suas filhas e netos para poder trazer aqui para o blog um pouco deste belíssimo acervo de família. Tenho certeza que os leitores gostarão muito de ver as imagens a seguir.

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Estanislau de Padua Salles em pé, segundo da esquerda para direita.

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Um bonito quadro com inúmeros distintivos paulistas, a maioria deles muito raros!

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O capacete de combate personalizado, com o Brasão da República pintado na parte da frente.

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Um porta objetos feito com a famosa granada paulista.

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Inúmeros documentos trazem a trajetória do combatente durante a Revolução e a lembrança de dias difíceis.

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Uma relíquia absolutamente sensacional: Um tijolo da construção original da capela do Pateo do Colegio.

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A contribuição da família de Dona Maria Zilda à Pátria não foi apenas de seu pai: O Sr. Caio Barboza Ferraz com quem Dona Maria Zilda se casou, foi piloto da FAB treinado nos Estados Unidos e durante a 2a Guerra Mundial participou da patrulha do Atlântico Sul. Abaixo seus brevês e medalhas.

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