quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Capacete de uma tropa gaúcha

Dando sequência na pequena série de posts sobre capacetes, apresento um capacete "inimigo". Diferente do capacete de cortiça exibido aqui, que foi usado pelo Exército em 1932 (inclusive por batalhões paulistas), este capacete é de uma tradicional unidade gaúcha que efetivamente combateu os paulistas no Setor Sul em 1932: O 6o RAM (Regimento de Artilharia Montada) com sede em Cruz Alta no Rio Grande do Sul, atualmente designado 29o GAC/AP (Grupo de Artilharia de Campanha Auto Propulsado) Grupo Humaitá.

Esta unidade gaúcha tem um longo histórico de serviços prestados à Pátria: Destaca-se sua participação na Revolução Farroupilha, ao lado dos Maragatos, lutando em defesa da soberania nacional. No estrangeiro, lutou contra Oribe e Rosas em 1851, combateu em Montes Caseros (1852), e em Paysandú contra Aguirre em 1864. Em Humaitá (1868), no Paraguai, desmembrou-se do Corpo de Artilharia a Cavalo e passou a denominar-se 4º Corpo Provisório de Artilharia, com a particularidade de ter sido a única Unidade Militar Brasileira criada em território estrangeiro. Participou ativamente das ações de combate em Humaitá, Itororó, Lomas Valentinas, Tuyuty, Avay, Piquissiri, Angostura e Cordilheiras e em todas obteve êxito. Por ocasião da 2° Guerra Mundial a unidade enviou 150 praças para integrar a Força Expedicionária Brasileira na Itália.

Especificamente durante a Revolução de 1932, o então 6o RAM fez parte do Destacamento Saião que atuou na região de Campina do Monte Alegre, Aracaçú e Fazenda Paranaptinga com a missão de barrar o retorno dos paulistas a Estação de Vitorino Carmilo na região de Buri. A composição das tropas governistas do Destacamento Saião neste setor eram as seguintes:

- 14o BC
- 1o, 2o, 8o e 13o RI
- BC da Força Pública de Santa Catarina
- BC da Força Pública de Pernambuco
- 2o RC da Brigada Militar do Rio Grande do Sul
- 9o RAM
- 6o RAM

No mesmo setor, contra os paulistas, ainda operaram o Destacamento Dorneles, Destacamento do Tenente Coronel Ângelo de Melo, Destacamento Bonaerges e o Destacamento Plaisant - todos sob o comando do General Waldomiro Lima.

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

Photobucket

A artilharia governista martelando as posições paulistas em 1932.

Photobucket

(Fonte: Monografia da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, "As Operações Militares na Revolução de 1932" do Major Int. Antonio Ramos, 1989)


6 comentários:

  1. Belíssimo, belíssimo post amigo Ricardo! Altamente informativo! Obrigado por colaborar para o esclarecimento da história da Revolução de 1932. Sua coleção está incrível! Digna de ja ser abrigada em um Museu! Parabéns novamente e, novamente também te convido para conhecer novos lugares em Eleutério/Sapucaí/Gravi e Mogi Mirim! Além do bunker, encontramos algumas trincheiras que você irá adorar conhecer! É só marcar! Grande abraço!

    ResponderExcluir
  2. Ola Ricardo,um FELIZ ANO NOVO PRA VOCE E SUA FAMILHA.
    Lindas fotos,pena q não são amigos mas tudo bem oq importa e a historia.
    Novidade!! atraves de um Amigo ENCONTREI UM TUNEL E UMA TRINCHEIRA DO LADO
    DE MINAS GERAIS.Eu sei q e difisil pra voce mas se quizer conheser comuniqe nos.
    ABRAÇO GOÇALO.

    ResponderExcluir
  3. João Marcos Carvalho12 de janeiro de 2013 11:41

    Seu blog representa uma luz a iluminar os porões do passado. Cada post é um maravilhoso mergulho na História. Parabéns e um grande 2013. Lembrando que eu estou sempre à sua disposição.
    Abraços.

    ResponderExcluir
  4. João Marcos Carvalho12 de janeiro de 2013 12:27

    Este modelo de capacete (verde-oliva), adotado a partir 1930, contribuiu para que o uniforme do Exército (então cáqui), fosse também mudado para a mesma cor (1931), o que, finalmente, o diferenciou das polícias estaduais.
    É importante lembrar ainda que o novo uniforme (verde) só começou a ser "pago" gradativamente no segundo semestre de 1932, sendo que os primeiros a usá-lo foram os oficiais que serviam no Distrito Federal (RJ).
    Neste período, o EB substituiu suas insígnias (galões com laços húngaros) pelas estrelas atuais. Ressalte-se ainda que, até 1932, as forças públicas usavam galões sem os laços húngaros. Mas passaram a adotá-los depois que EB os trocou pelas estrelas, utilizando-os até 1970, quando as PMs também as adotaram.

    ResponderExcluir
  5. Tenho seguido você e acho admirável manter a memoria viva do que foi esse movimento, não os que contam nos livros "didáticos" porém a real saga destes heróis. Meu sogro lutou na frente de Itapetininga, Terceiro Sargento Sebastião de Meira Barros, sendo preso depois na Ilha das cobras.
    Minha esposa sempre comentou que o desejo dele seria ser enterrado no Mausoléu, mas na época da sua morte não conseguiram realizar.
    Pelo conhecimento que você tem, possivelmente poderia nos orientar onde poderíamos reivindicar o translado de seus restos de modo a cumprir seu desejo.
    Outra pergunta: Existe um Museu o Sociedade onde poderíamos expor suas fotos e medalhas?
    meu e mail: joemckey@gmail.com

    ResponderExcluir
  6. Uma correção, Revolução Farroupilha foi entre 1835 e 1845, os "Maragatos" foram os revolucionarios Federalistas de 1893. O revolucionario Honorio Lemes invadiu o territorio do Rio Grande com voluntarios uruguayos, muitos descendentes de espanhois da região da Maragateria. Com o tempo passou a designar-se Maragato a todo federalista, que usavam um lenço vermelho ao pescoço. Hoje o lenço vermelho do gaucho chama-se "Lenço Maragato".
    Um abraço!
    Emanuel Quiroz de Porto Alegre
    emanuelq11@hotmail.com

    ResponderExcluir