quarta-feira, 20 de março de 2013

Grupo de Ações Táticas Especiais - GATE

Comemorando com um certo atraso os três anos do TUDO POR SÃO PAULO no ar, estou publicando a primeira de uma série de três matérias sobre o 4o Batalhão de Polícia de Choque, que reúne três diferentes Companhias de Operações Especiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Mas por que falar da polícia "moderna" em um blog que trata da Revolução de 32? A resposta é simples: Todas estas tropas paulistas vem do mesmo embrião e trazem consigo uma tradição centenária. Nas suas passagens estão os capítulos que tratamos diariamente aqui no blog - Guerra do Paraguai, Revolução de 1924, Revolução de 1932 e outros conflitos internos e externos. Os batalhões atuais da Polícia Militar são as tropas de Piratininga que escreveram algumas das páginas mais gloriosas da história do Brasil.

Portanto, mãos à obra para esta matéria e para mais três anos de blog. Agradeço a visita de cada um de vocês!

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As origens do 4o BPChq remontam ao início dos anos 1950 quando foi criado o Canil da então Força Pública, embrião do que é hoje a 3a Companhia do atual Batalhão. Décadas depois nos anos 1970 com a sucessão de inúmeros atentados praticados por grupos guerrilheiros, a necessidade de se criar grupos especializados para atender e combater esse tipo de ocorrência parecia urgente. Foi então criado o primeiro Pelotão de Operações Especiais POE inicialmente operando no 1o BPChq e posteriormente incorporado ao 3oBPChq, onde juntamente com o Canil passou a formar a 2a Cia COE-CANIL.

Atentado a bomba em 1968 na sede do DOPS no centro de São Paulo.

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Tropa formada no Quartel da Luz.

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O tempo passou e as características dos crimes se modificaram. Em 1987 uma ocorrência na qual três marginais mantiveram um bebê de apenas 3 meses como refém foi determinante para que o Estado criasse um grupo com treinamento diferenciado que auxiliasse o policiamento de área neste tipo de evento. Surgiu então no final de 1987 um grupo de estudos com o objetivo de tornar realidade este grupamento especial. Formado pelo Cap PM Clóvis José Mentone, 1o Ten PM Adilson de Toledo Souza, 1o Ten PM Danilo Antão Fernandes, 2o Ten PM Paulo Adriano Lucinda Telhada e 2o Ten PM César Augusto Luciano Franco Morelli - Essa equipe de oficiais deveria estruturar a criação de uma tropa especializada, do tipo "SWAT" para o atendimento de ocorrências designadas como atípicas. Nasce então na sede do 3o BPChq o GATE - Grupo de Ações Táticas Especiais sendo que segundo a conclusão do grupo, "uma tropa especial deveria receber um treinamento rígido e constante, uma doutrina clara e bem estabelecida, armamentos e equipamentos diferentes do padrão policial convencional, e para tanto um regime de prontidão". O primeiro curso especial realizado pela tropa foi o de Salvamento em Altura no 2º GB no bairro de Campo Belo, ministrado por Bombeiros e posteriormente o Curso de Operações Especiais em Aeronaves pela VASP e Paraquedismo.

A partir de agosto de 1988, o GATE passa a subordinar-se diretamente ao Comando de Policiamento de Choque e um novo grupo de oficiais foi incumbido de continuar o trabalho já realizado: 1o Ten PM Wanderley Mascarenhas de Souza; 1o Ten PM Valter Alves Mendonça; 1o Ten PM Luciano Daniel; 2o Ten PM Carlos Celso Castelo Branco Savioli e 2o Ten PM Diógenes Viegas Dalle Lucca, providenciaram a seleção dos cabos e soldados, desenvolveram técnicas de emprego dos equipamentos e armamentos, normas de instrução e serviço de emprego operacional. Nesta época o GATE realizou o curso de explosivos na Polícia Federal Argentina, dando origem ao Esquadrão de Bombas. Em 2008 durante um plano de reestruturação da PMESP o GATE passa a compor a 2a cia do 4o BPChq - Batalhão de Operações Especiais.

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Nas paredes do quartel situado no bairro da Vila Maria em São Paulo uma tradução artística do alto nível de motivação da tropa que ali trabalha. A ilustração abaixo é uma belíssma alegoria do 3o BPChq Humaitá que divide o prédio com o 4o BPChq e pode ser vista logo na entrada do Batalhão.

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As três companhias que formam o 4o Batalhão de Polícia de Choque: Gate, COE e Canil.

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O GATE é um dos mais modernos grupos de táticas especiais do país, focando a sua atuação em situações de alto risco, como resgate de reféns, incursões em locais de alto risco e desarmamento de bombas em regiões urbanas por todo o Estado de São Paulo. O GATE também é responsável pela elaboração de laudos técnicos periciais sobre as ocorrências envolvendo artefatos explosivos ocorridas no âmbito estadual.  Seus integrantes fazem inúmeros e constantes cursos de aperfeiçoamento no Brasil e no exterior - com as unidades mais especializadas da polícia mundial.

Com o efetivo de 90 militares com patentes que vão de Soldado a Capitão, o GATE atende uma média de quatro ocorrências diárias envolvendo o uso de explosivos - em sua maioria relacionadas a caixas eletrônicos. Além do atendimento as ocorrências diárias, o GATE é formador de especialistas em quatro cursos distintos oferecidos pela companhia: Curso de Ações Táticas Especiais; Curso de Gerenciamento de Crises; Curso de Negociação de Crises com Reféns e o Estágio de Armamentos Explosivos.

O ingresso no GATE se dá mediante a conclusão do Curso de Ações Táticas Especiais, com duração de 30 dias. Considerado um dos mais exigentes curso da polícia paulista o curso apesar de não ser extenso exige grande dedicação e excelente preparo físico e sobretudo psicológico para o teste de ingresso. Outro aspecto importante é a voluntariedade, uma vez que a doutrina internacional estabelece que a esta é condição primordial para qualquer integrante de forças especiais - uma vez que este vive praticamente em função de sua profissão.

Uma tropa treinada e em prontidão permanente para atender ocorrências atípicas e de alto risco.

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Na sala de troféus do Batalhão, centenas de souvenirs de cursos realizados e ministrados em unidades especiais de todo Brasil e do mundo.

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Os equipamentos a disposição da tropa são manuseados e checados diariamente. Além de escudos balísticos e ferramentas especiais o GATE usa tecnologia de ponta no desempenho das inúmeras missões atribuídas a tropa.

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Vestes especiais para o manuseio de material explosivo garantem a segurança em operações extremamente perigosas.

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Algumas das armas à disposição das equipes do GATE. De baixo para cima uma Benelli CAL .12, fuzil FAL, fuzil COLT M16, submetralhadora HkMP5-SD6 e a submetralhadora Taurus SMT40.

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Detalhe da submetralhadora HkMP5-SD6.

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Submetralhadora Taurus SMT40.

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Fuzil FAL e fuzil COLT M16.

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Diversos veículos totalmente customizados para atender diferentes ocorrências em deslocamentos por todo o Estado de São Paulo. Para transporte do robô AVISPA IV Israelense teve a viatura 94201 adaptada, tornando-a  a primeira viatura camuflada urbana e que deu origem a camuflagem nas viaturas das tropas de Choque.

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Todo militar do GATE é um voluntário. Isso garante que todos que ali estão tem um alto grau de motivação e compromisso nas difíceis missões desempenhadas no dia a dia.

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Acima a arte do Soldado PM Ignácio da 1a Cia COE nas paredes do Batalhão e abaixo vemos as insígnias usadas pelo GATE em suas versões originais e camufladas. O desenho na luneta, é a visão da sala do Comandante Geral olhando-se para o prédio do antigo BANESPA.

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Agradeço ao Cel PM César Augusto Luciano Franco Morelli - Comandante do Policiamento de Choque, ao Ten Cel PM Salvador Modesto Madia- Comandante do 4º Batalhão de Polícia de Choque, ao Cap PM Ricardo Orlandi Folkis - Comandante da 2ª Cia - GATE, a 1a Ten PM Tania Roldão - Oficial de RP do 4º Batalhão de Polícia de Choque, ao Coronel Paulo Adriano Telhada e ao amigo Milton Basile pela colaboração na elaboração desta matéria.

7 comentários:

  1. Seu simbolo na luneta, é a visão da sala do Comandante Geral olhando-se para o prédio do antigo BANESPA; teve em sua viatura adaptada para transporte do robô AVISPA IV Israelense,a primeira viatura camuflada urbana, 94201, a qual deu origem a camuflagem nas viaturas das tropas de Choque. Pela sua especialidade, demos origens ao uso pelas Policiais Femininas das pistolas Walter as quais eram destinadas aos Oficiais. Nosso primeiro curso especial foi de salvamento em altura no 2GBS aeroporto, ministrado por Bombeiros e posteriormente o Curso de Operações Especiais em Aeronaves pela VASP e Paraquedismo; Na segunda geração de Oficiais, o GATE realizou curso de explosivos na Polícia Federal Argentina, dando origem ao esquadrão de bombas.

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    1. Prezado José Roberto Saldanha, agradeço as informações - que já foram incorporadas no texto! Abraço,

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  2. João Marcos Carvalho24 de março de 2013 11:10

    Certamente há um equívoco quanto às origens do 4º BP Choque no que se refere ao "Canil da Guarda Cívica, nos anos 1950", já que esta corporação foi extinta em 1924, sendo seu efetivo incorporado ao da Força Pública e empregado na perseguição à 1ª Divisão Revolucionária (Coluna Prestes) entre 1925 e 1927.

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  3. Boa a matéria, o que diferencia o gate do coe, de certa forma o coe também realiza essas operações?

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    1. a diferença que o COE é especializada em salvamento e prisão de marginais embrenhados em mata fechada e o GATE é mais utilizado em area urbana

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  4. Existe atirador de elite (snipers) no GATE ? Como se tornar um ?

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