segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Monumento em Santos

Na Praça José Bonifácio em Santos, encontra-se um dos mais belos monumentos relacionados a Revolução de 1932. A obra do escultor italiano Antelo Del Debbio foi inaugurada em 1956 com uma grande festividade que contou com a presença de líderes da revolução, ex-combatentes e das Forças Armadas. Abaixo a transcrição do texto do jornal A Tribuna daquela data.

 photo h0186e2_zpsc3355585.jpg
Jornal A TRIBUNA, 26 de janeiro de 1956.

Inauguração do Monumento ao Soldado Constitucionalista de 1932 - Em solenidade a realizar-se hoje, às 10 horas, será inaugurado, na Praça José Bonifácio, o Monumento do Soldado de 19332, com que Santos homenageará, perpetuando-a em bronze, a memória de seus filhos que participaram da Revolução Constitucionalista. Antes dessa solenidade, será celebrada missa, às 8,30 horas, na Catedral, pelo padre soldado monsenhor Lino dos Passos. Especialmente convidados, virão a Santos, a fim de assistir à inauguração do belo monumento, os srs. José Rodrigues Alves Filho, prof. Fonseca Teles, prof. Valdemar Ferreira, Paulo Duarte, Herbert Levy, Ibraim Nobre, Uriel de Carvalho, Haroldo Levy e Lúcio Prudente Corrêa, representando os veteranos do M.M.D.C. A Marinha brasileira, com algumas unidades presentemente em nosso porto, participará das cerimônias de hoje, com a presença de sua oficialidade.

No ato da inauguração do monumento, falarão os srs. dr. Lincoln Feliciano, secretário da Justiça; prof. André Freire e o prefeito municipal, dr. Antônio Feliciano. A Comissão Pró-Monumento do Soldado de 1932 não expediu convites especiais, avisando, entretanto, que estão convidadas todas as autoridades civis, militares e eclesiásticas, bem como a população santista, solicitando a presença do maior número possível dos que desejarem abrilhantar as festividades, prestando, assim, com o seu comparecimento, merecida homenagem aos que participaram da epopéia constitucionalista, que marcou novo e brilhante capítulo na história política do nosso Estado e do Brasil. Embora estejamos em plena vigência do estado de sítio, novamente prorrogado, deve merecer o maior destaque a homenagem que hoje se prestará aos jovens que lutaram e morreram acreditando na liberdade, em defesa da Democracia e da Constituição. No regime de exceção em que nos encontramos, cresce precisamente de vulto o sentido dessa homenagem, quando a cidade de Santos entregará ao seu povo, nesta data histórica, o monumento ao soldado de 32, como testemunho de que continuará fiel aos ideais de democracia e de liberdade, que imortalizaram a juventude paulista, naquele empolgante movimento de civismo.

Jornal A TRIBUNA, 27 de janeiro de 1956.

Foi verdadeiramente tocante a inauguração do monumento ao soldado de 1932. Uma grande multidão, não obstante o forte calor que fazia, comprimiu-se na Praça José Bonifácio, a fim de participar do ato cívico em homenagem aos mortos santistas sacrificados pelo bravo movimento constitucionalista bandeirante. Um grande número de veteranos da revolução esteve presente. Alguns traziam seus antigos capacetes, as cores de São Paulo e condecorações. Uma das maiores emoções, vividas pelos que participaram daquela festa cívica, foi provocada pela presença de um mutilado paulista, o capitão Daiton Rezende, que, tendo que se locomover carregado pelos braços de outros, veio de São Paulo especialmente para assistir à missa e presenciar a inauguração do monumento.

Vultos da revolução - Diversos vultos que se notabilizaram no movimento constitucionalista de 1932 estiveram em Santos no dia 26. Entre eles destacaram-se o deputado Herbert Levy, presidente da Federação dos Voluntários Paulistas; os professores Valdemar Ferreira e Fonseca Teles, secretários de Estado no governo do dr. Pedro de Toledo, durante a revolução. Diretores e representantes do Clube Piratininga e do M.M.D.C também se fizeram representar.

Oradores - A fita inaugural do monumento foi cortada pelo prefeito Antonio Feliciano, ao som de ritmos marciais executados pela banda do 6º B.C., e sob a salva de vinte e um tiros em homenagem aos soldados mortos. A Marinha, que se encontrava em nosso porto desde as primeiras horas daquele dia, com um contingente de cinqüenta aspirantes, manteve guarda ao monumento e, no momento da inauguração, compareceu, nas pessoas do vice-almirante Carlos Silveira Carneiro, comandante das Forças de Alto Mar, e dos comandantes dos cruzadores Barroso e Tamandaré. Em nome da comissão, que entregou ao município o monumento, falou o professor André Freire, reportando-se ao feito dos soldados mortos e do orgulho com que a cidade os homenageava, perpetuando suas memórias no bronze em uma das praças centrais de Santos. Em seguida falou o secretário da Justiça, dr. Lincoln Feliciano, que, na solenidade, representava o governador Jânio Quadros. Começou nomeando, um a um, os soldados santistas desaparecidos na revolução. Fortemente emocionado, com a voz embargada, o sr. Lincoln Feliciano invocou a memória daqueles moços e o ideal em que acreditaram, e seu trágico desaparecimento na luta pela lei e pela liberdade.

O orador seguinte foi o deputado federal Herbert Levy, que pronunciou um belíssimo improviso sobre o movimento constitucionalista, aproveitando-se do ensejo para comparar o feito dos revolucionários de 1932 ao patriótico comportamento da Marinha, ali presente, nos últimos acontecimentos. A multidão recebeu com aplausos vibrantes a lembrança do deputado Herbert Levy. Falou, ainda, o prefeito Antonio Feliciano. Foram breves suas palavras, mas profundamente tocantes, pela homenagem que teceu aos jovens santistas de 1932. Ao final, falou o ex-combatente Márcio Prudente Corrêa, presidente da caravana dos revolucionários do M.M.D.C., lendo, ao encerrar o discurso, o poema de Guilherme de Almeida dedicado aos mortos de São Paulo.

Pessoas presentes - Entre as incontáveis autoridades presentes, foi-nos possível anotar os nomes do prefeito Antonio Feliciano, Aristóteles Ferreira, presidente da Câmara Municipal; d. Idílio José Soares, bispo diocesano; coronel Hugo Alvim, comandante da Guarnição Militar; major Paulo Salema Garção Ribeiro, comandante da Base Aérea de Santos; capitão-de-mar-e-guerra Bulcão Viana, comandante dos portos de Santos; tenente-coronel Luiz de Cicco, comandante do 6º B.C.; dr. Carlos Eugênio Bittencourt da Fonseca, delegado auxiliar; dr. José Manoel Arruda, diretor do Fórum; dr. Aldo de Assis Dias, juiz de Menores; general Paulo Rosas Pinto Pessoa, deputado Athié Jorge Coury, Lincoln Feliciano, secretário da Justiça; deputado Herbert Levy, prof. Valdemar Ferreira e Fonseca Teles, membros do governo revolucionário de 1932; dr. Joaquim Pacheco Cirilo, representando o secretário do Governo, Dervile Alegreti; o sr. Renato Campelo, representando o secretário da Agricultura; M. Nascimento Júnior e o sr. Giusfredo Santini, diretor de A Tribuna e presidente da Comissão "Pró-Monumento ao Soldado de 1932".

(fonte: Novo Milênio)
 photo DSC01332_zpsace18d17.jpg

 photo DSC01335_zpsf6ae1128.jpg

 photo DSC01308_zps83aabb5e.jpg

 photo DSC01339_zps5b8acecd.jpg

 photo DSC01311_zps154eb329.jpg

 photo DSC01342_zpsc48be1e8.jpg

 photo DSC01322_zps873b23f7.jpg

 photo DSC01313_zpsb8aaf3bc.jpg

 photo DSC01312_zpsdd421359.jpg

 photo DSC01340_zpsd25bb80e.jpg

 photo DSC01318_zps33972c0d.jpg

 photo DSC01317_zpsd8081a1f.jpg

 photo DSC01316_zps1ca855e7.jpg

 photo DSC01324_zps8fc287a8.jpg

 photo DSC01325_zps43efc8bd.jpg

 photo DSC01327_zps131149eb.jpg

 photo DSC01323_zps1c9b9353.jpg

 photo DSC01337_zpse6686ce8.jpg

 photo DSC01328_zps114912ea.jpg

 photo DSC01336_zps842b7ee9.jpg

 photo DSC01319_zpsa900a2a6.jpg

3 comentários:

  1. TRABALHO DIGNO DE ELOGIOS - MUITAS PESSOAS DESCONHECEM A EXISTÊNCIA DESSE MONUMENTAL MONUMENTO EXISTENTE EM SANTOS, ALUSIVO AO MOVIMENTO CONSTITUCIONALISTA DE 1932.

    ResponderExcluir
  2. Lindo e Imponente monumento ,esse eu não conheço. Parabéns
    GONÇALO

    ResponderExcluir
  3. João Marcos Carvalho24 de outubro de 2013 11:42

    A matéria mostra que ao longo dos anos o paulista nunca deixou de reverenciar seus mortos em combate e os ideais revolucionários.
    É preciso que essa prática continue sendo aplicada, e que as novas gerações continuem sendo abastecidas de informações sobre nossa história recente. Isso é fundamental para construção da cidadania. Parabéns ao Ricardo por carregar a bandeira da memória com tanta vibração e competência.
    Em outro plano, chamo a atenção para a precisão da descrição do repórter da época sobre os aspectos mais sutis que ele observara na praça José Bonifácio naquele ensolarado 26 de janeiro de 1956. Diferente do jornalismo frio e pasteurizado de hoje, a narrativa tinha alma.

    ResponderExcluir