quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O mapa de uma revolução

Reproduzo abaixo uma matéria que recebi da amiga Marlene Laky, da Casa Guilherme de Almeida. É uma baita descoberta para aqueles que se interessam sobre a história do famoso mapa de Wasth Rodrigues. A matéria datada de 1977, é de autoria da escritora Stella Carr (1932-2008).

 photo mapa_1932.jpg

O MAPA DE UMA REVOLUÇÃO

A história de um mapa clandestino, que quase leva à prisão seu impressor e à destruição uma gráfica. Em 1932, quem ousasse imprimir um mapa de São Paulo Constitucionalista, estava se expondo até à pena de morte. 45 anos depois uma verdadeira jóia litográfica é encontrada por detrás do forro de um teto, onde seu assustado impressor a deve ter ocultado. No original em 6 cores, vêem-se claramente desenhados os exércitos de São Paulo e do resto do Brasil, com suas bandeiras, e os famosos aviõezinhos que ameaçavam bombardear a cidade. No canto à esquerda, os dizeres “Esta he a carta verdadeira da revolução que houve no Estado de São Paulo no anno de MCMXXXII”.

Em 1972 a Gráfica Editora Hamburg, adquiria o controle WEISS e Cia Ltda, gráfica das mais antigas do Brasil, localizada na Rua dos Apeninos desde 1928, no bairro da Aclimação. Prédio muito velho, fazia-se necessária uma reforma. Ao ser derrubado o antigo forro, foi encontrado entre os escombros um rolo de papéis. Alguns funcionários com mais de 37 anos de casa reconheceram logo pelas letras JWR escritas no canto direito as iniciais de José Wasth Rodrigues , um dos maiores gravadores do Brasil e primeiro ilustrador de Monteiro Lobato.

Contaram que, acabada a revolução, soldados vieram revistar a gráfica por que o dono fora denunciado por ser impressor de um mapa ”separatista”.

Um coronel do Recife, porém achou que como estrangeiro, Weiss tinha se envolvido involuntariamente e concordou em deixa-lo em paz, se os mapas fossem destruídos e as matrizes quebradas. As matrizes, pedras pesadíssimas, de 30 a 40 kilos, foram quebradas ali mesmo. Mas alguns mapas, verdadeiras obras de arte impressas em 6 cores (hoje usam-se no máximo 4 ) foram preservados e escondidos.

Explica-nos Wilson Savieri, um dos atuais donos da empresa, que encontrou ao chegar, um arquivo organizadíssimo de matrizes de pedras e a máquina “ Planeta Cleinod “, verdadeira peça de museu, onde supõe terem sido impressos os mapas. E descreve seu processo de impressão: “ Nesse mapa, foram usadas 6 dessas pedras, uma para cada cor. São chamadas ‘pelure’, e encontradas somente numa região vulcânica da Itália e Alemanha. O desenho é passado em papel de seda para cada uma das pedras separadamente e a gravação é feita totalmente à mão. Cada pedra substitui um dos filmes que atualmente são usados para este fim. E é por isso que o ‘off set’ até hoje é chamado litografia, de litus-pedra. O gravador tinha que ser um autêntico artista, como JWR, que passava o desenho da pedra à chapa de metal, que só então ia para a máquina imprimir. Jóias como esta - lamenta Savieri - não existem mais!

(trecho de uma matéria publicada na revista “SIMBOLO” de junho de 1977-pg 8 escrita por Stella Carr ).

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