sábado, 30 de março de 2013

Capacete da Divisão de Reserva da Guarda Civil

Trago hoje mais um capacete paulista que na minha opinião é um dos mais interessantes mostrados aqui no blog: Trata-se de um raríssimo capacete da Divisão Reserva da antiga Guarda Civil. O capacete é de fibra e tem as bordas reforçadas por uma borracha. As letras GC são pintadas com êstencil e o símbolo frontal de Inspetor Chefe é um belíssimo decal.

Criada em 7 de Maio de 1934 na então Guarda Civil do Estado de São Paulo, tinha a finalidade de atender aos serviços extraordinários, incluindo ações de controle de tumultos e distúrbios civis - sendo que nesta época surgiu o policiamento em praças desportivas (o primeiro policiamento executado em estádios, foi realizado no Parque Antártica, em 3 de Julho de 1934, com um efetivo de 207 homens). Em 1968 a Divisão de Reserva passou a denominar-se Divisão de Policiamento Especializado. Em 1970 com a fusão da Força Pública e Guarda Civil e criação da Polícia Militar, o batalhão passou a denominar-se Batalhão de Operações Especiais, o que perdurou até 15 de Dezembro de 1975, quando recebeu a denominação atual de 2º Batalhão de Polícia de Choque "Anchieta".

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Abaixo uma insígnia de Inspetor Chefe esmaltada, para uso em quepe.

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Na foto abaixo tirada em 3 de outubro de 1968, no episódio que ficou conhecido como "A Batalha da Maria Antônia" onde estudantes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e da Universidade Presbiteriana Mackenzie entraram em confronto, vemos alguns policiais da Divisão Reserva da Guarda Civil.

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quarta-feira, 27 de março de 2013

O dinheiro paulista de 1932

Em meados de 2010 eu mostrei neste link o "Bonus Pró Constituição". Hoje trago mais um pouco sobre o dinheiro paulista usado em 1932. O texto abaixo foi baseado na pesquisa do Professor Hernâni Donato, que me enviou por carta algumas anotações sobre este assunto, no início de 2011.

Como sabemos, São Paulo durante a revolução precisava estimular toda a produção possível por todo o Estado de São Paulo e para isso era preciso muito dinheiro circulando. Como obviamente o Governo Federal não faria o aporte do capital necessário, resolveu-se criar um dinheiro do próprio Estado de São Paulo - e isso foi feito em 14 de Julho de 1932.

Para as cédulas da 1a Estampa foram escolhidos os bandeirantes Domingos Jorge Velho e Fernão Dias Paes Leme. Já as cédulas da 2a estampa traziam brasileiros notáveis como Tamandaré, Caxias, Barroso e Rui Barbosa - reforçando o caráter nacionalista do movimento. A Cia Melhoramentos foi a responsável pela emissão das cédulas em tempo recorde. Em sua fábrica em Caieiras fabricava diversos tipos de papel e nas gráficas do bairro da Lapa imprimia selos e apólices.

Corre a lenda de que para criar cédulas difíceis de serem reproduzidas os técnicos da Melhoramentos usaram na mistura do papel, fios verdes e vermelhos arrancados às pressas da blusa de uma assustada operária! Em apenas cinco dias o dinheiro já estava circulando na cidade, o que motivou diversos elogios aos gráficos e operários da fábrica por parte do governo paulista. Como é praxe no nosso País, não tardou a aparecerem oportunistas falsificando este dinheiro, e a polícia logo desmantelou uma gráfica clandestina na Travessa Varnhagen (travessa da Ladeira Porto Geral, no centro). Os falsários foram presos e posteriormente acusados de sabotadores a serviço da ditadura. Para tentar fazer as notas falsas produzidas pararem de circular, técnicos da Cia Melhoramentos escoltados por policiais foram colocados em balcões pela cidade - e com base nos fios verdes e vermelhos da blusa da operária de Caieiras, atestavam se as notas eram verdadeiras ou falsas (estas eram destruídas imediatamente). Mais uma célebre página do esforço de guerra paulista!!

Abaixo vemos a série completa de 5 a 100 Mil Réis da 1a Estampa.

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domingo, 24 de março de 2013

Distintivo paulista

Ao adquirir um lote de peças da Revolução de 32 vindos de uma antiga coleção, me deparei com uma pequena barra esmaltada de aproximadamente 5cm com quinze listas pretas e brancas. Algum tempo se passou sem que eu encontrasse qualquer referência sobre a peça - e então me deparei com a foto abaixo, cujo verso está escrito "Frente Norte 1932, Comandantes" e encontro na túnica do militar do meio exatamente o mesmo distintivo. Qual o seu siginicado? Ainda não descobri...mas provavelmente trata-se de mais um distintivo que orgulhosamente desfilava nas lapelas paulistas daquele ano de 1932.

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quarta-feira, 20 de março de 2013

Grupo de Ações Táticas Especiais - GATE

Comemorando com um certo atraso os três anos do TUDO POR SÃO PAULO no ar, estou publicando a primeira de uma série de três matérias sobre o 4o Batalhão de Polícia de Choque, que reúne três diferentes Companhias de Operações Especiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Mas por que falar da polícia "moderna" em um blog que trata da Revolução de 32? A resposta é simples: Todas estas tropas paulistas vem do mesmo embrião e trazem consigo uma tradição centenária. Nas suas passagens estão os capítulos que tratamos diariamente aqui no blog - Guerra do Paraguai, Revolução de 1924, Revolução de 1932 e outros conflitos internos e externos. Os batalhões atuais da Polícia Militar são as tropas de Piratininga que escreveram algumas das páginas mais gloriosas da história do Brasil.

Portanto, mãos à obra para esta matéria e para mais três anos de blog. Agradeço a visita de cada um de vocês!

...

As origens do 4o BPChq remontam ao início dos anos 1950 quando foi criado o Canil da então Força Pública, embrião do que é hoje a 3a Companhia do atual Batalhão. Décadas depois nos anos 1970 com a sucessão de inúmeros atentados praticados por grupos guerrilheiros, a necessidade de se criar grupos especializados para atender e combater esse tipo de ocorrência parecia urgente. Foi então criado o primeiro Pelotão de Operações Especiais POE inicialmente operando no 1o BPChq e posteriormente incorporado ao 3oBPChq, onde juntamente com o Canil passou a formar a 2a Cia COE-CANIL.

Atentado a bomba em 1968 na sede do DOPS no centro de São Paulo.

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Tropa formada no Quartel da Luz.

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O tempo passou e as características dos crimes se modificaram. Em 1987 uma ocorrência na qual três marginais mantiveram um bebê de apenas 3 meses como refém foi determinante para que o Estado criasse um grupo com treinamento diferenciado que auxiliasse o policiamento de área neste tipo de evento. Surgiu então no final de 1987 um grupo de estudos com o objetivo de tornar realidade este grupamento especial. Formado pelo Cap PM Clóvis José Mentone, 1o Ten PM Adilson de Toledo Souza, 1o Ten PM Danilo Antão Fernandes, 2o Ten PM Paulo Adriano Lucinda Telhada e 2o Ten PM César Augusto Luciano Franco Morelli - Essa equipe de oficiais deveria estruturar a criação de uma tropa especializada, do tipo "SWAT" para o atendimento de ocorrências designadas como atípicas. Nasce então na sede do 3o BPChq o GATE - Grupo de Ações Táticas Especiais sendo que segundo a conclusão do grupo, "uma tropa especial deveria receber um treinamento rígido e constante, uma doutrina clara e bem estabelecida, armamentos e equipamentos diferentes do padrão policial convencional, e para tanto um regime de prontidão". O primeiro curso especial realizado pela tropa foi o de Salvamento em Altura no 2º GB no bairro de Campo Belo, ministrado por Bombeiros e posteriormente o Curso de Operações Especiais em Aeronaves pela VASP e Paraquedismo.

A partir de agosto de 1988, o GATE passa a subordinar-se diretamente ao Comando de Policiamento de Choque e um novo grupo de oficiais foi incumbido de continuar o trabalho já realizado: 1o Ten PM Wanderley Mascarenhas de Souza; 1o Ten PM Valter Alves Mendonça; 1o Ten PM Luciano Daniel; 2o Ten PM Carlos Celso Castelo Branco Savioli e 2o Ten PM Diógenes Viegas Dalle Lucca, providenciaram a seleção dos cabos e soldados, desenvolveram técnicas de emprego dos equipamentos e armamentos, normas de instrução e serviço de emprego operacional. Nesta época o GATE realizou o curso de explosivos na Polícia Federal Argentina, dando origem ao Esquadrão de Bombas. Em 2008 durante um plano de reestruturação da PMESP o GATE passa a compor a 2a cia do 4o BPChq - Batalhão de Operações Especiais.

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Nas paredes do quartel situado no bairro da Vila Maria em São Paulo uma tradução artística do alto nível de motivação da tropa que ali trabalha. A ilustração abaixo é uma belíssma alegoria do 3o BPChq Humaitá que divide o prédio com o 4o BPChq e pode ser vista logo na entrada do Batalhão.

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As três companhias que formam o 4o Batalhão de Polícia de Choque: Gate, COE e Canil.

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O GATE é um dos mais modernos grupos de táticas especiais do país, focando a sua atuação em situações de alto risco, como resgate de reféns, incursões em locais de alto risco e desarmamento de bombas em regiões urbanas por todo o Estado de São Paulo. O GATE também é responsável pela elaboração de laudos técnicos periciais sobre as ocorrências envolvendo artefatos explosivos ocorridas no âmbito estadual.  Seus integrantes fazem inúmeros e constantes cursos de aperfeiçoamento no Brasil e no exterior - com as unidades mais especializadas da polícia mundial.

Com o efetivo de 90 militares com patentes que vão de Soldado a Capitão, o GATE atende uma média de quatro ocorrências diárias envolvendo o uso de explosivos - em sua maioria relacionadas a caixas eletrônicos. Além do atendimento as ocorrências diárias, o GATE é formador de especialistas em quatro cursos distintos oferecidos pela companhia: Curso de Ações Táticas Especiais; Curso de Gerenciamento de Crises; Curso de Negociação de Crises com Reféns e o Estágio de Armamentos Explosivos.

O ingresso no GATE se dá mediante a conclusão do Curso de Ações Táticas Especiais, com duração de 30 dias. Considerado um dos mais exigentes curso da polícia paulista o curso apesar de não ser extenso exige grande dedicação e excelente preparo físico e sobretudo psicológico para o teste de ingresso. Outro aspecto importante é a voluntariedade, uma vez que a doutrina internacional estabelece que a esta é condição primordial para qualquer integrante de forças especiais - uma vez que este vive praticamente em função de sua profissão.

Uma tropa treinada e em prontidão permanente para atender ocorrências atípicas e de alto risco.

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Na sala de troféus do Batalhão, centenas de souvenirs de cursos realizados e ministrados em unidades especiais de todo Brasil e do mundo.

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Os equipamentos a disposição da tropa são manuseados e checados diariamente. Além de escudos balísticos e ferramentas especiais o GATE usa tecnologia de ponta no desempenho das inúmeras missões atribuídas a tropa.

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Vestes especiais para o manuseio de material explosivo garantem a segurança em operações extremamente perigosas.

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Algumas das armas à disposição das equipes do GATE. De baixo para cima uma Benelli CAL .12, fuzil FAL, fuzil COLT M16, submetralhadora HkMP5-SD6 e a submetralhadora Taurus SMT40.

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Detalhe da submetralhadora HkMP5-SD6.

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Submetralhadora Taurus SMT40.

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Fuzil FAL e fuzil COLT M16.

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Diversos veículos totalmente customizados para atender diferentes ocorrências em deslocamentos por todo o Estado de São Paulo. Para transporte do robô AVISPA IV Israelense teve a viatura 94201 adaptada, tornando-a  a primeira viatura camuflada urbana e que deu origem a camuflagem nas viaturas das tropas de Choque.

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Todo militar do GATE é um voluntário. Isso garante que todos que ali estão tem um alto grau de motivação e compromisso nas difíceis missões desempenhadas no dia a dia.

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Acima a arte do Soldado PM Ignácio da 1a Cia COE nas paredes do Batalhão e abaixo vemos as insígnias usadas pelo GATE em suas versões originais e camufladas. O desenho na luneta, é a visão da sala do Comandante Geral olhando-se para o prédio do antigo BANESPA.

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Agradeço ao Cel PM César Augusto Luciano Franco Morelli - Comandante do Policiamento de Choque, ao Ten Cel PM Salvador Modesto Madia- Comandante do 4º Batalhão de Polícia de Choque, ao Cap PM Ricardo Orlandi Folkis - Comandante da 2ª Cia - GATE, a 1a Ten PM Tania Roldão - Oficial de RP do 4º Batalhão de Polícia de Choque, ao Coronel Paulo Adriano Telhada e ao amigo Milton Basile pela colaboração na elaboração desta matéria.