quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Mais cartões postais sobre a revolução

Por todo o blog mostrei dezenas de modelos diferentes de cartões postais circulados durante e logo após a Revolução de 1932. Hoje trago mais alguns postais que acredito ainda não terem sido postados no blog. Futuramente vou organizar todas estas imagens em um só post para facilitar a pesquisa. Por enquanto conheçam mais estes modelos!

No postal abaixo uma lembrança do "Presídio Flutuante", o navio Pedro I que levou os líderes da revolução ao exílio em Portugal.

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Um dos cartões da "Comissão de Producção Agricola" da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, organizada para otimizar a produção de alimentos durante a economia de guerra.

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A figura dos outros estados se aproveitando da economia de São Paulo em postal circulado em janeiro de 1932.

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Postal vendido em prol da Casa do Soldado em Campinas.

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Núcelo de assistência as famílias do M.M.D.C.

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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Antigo quepe da Guarda Nacional

Trago hoje aos leitores do blog uma bela e curiosa peça, que apesar de mais de um século de existência ainda apresenta formas e cores vibrantes. Trata-se de uma cobertura da Guarda Nacional, usada em um período que provavelmente vai de 1890 a 1910.
A Guarda Nacional foi uma força paramilitar organizada por lei no Brasil durante o período regencial, em agosto de 1831, para servir de "sentinela da constituição jurada", e desmobilizada em setembro de 1922. No ato de sua criação lia-se: "Com a criação da Guarda Nacional foram extintos os antigos corpos de milícias, as ordenanças e as guardas municipais."1 Em 1850 a Guarda Nacional foi reorganizada e manteve suas competências subordinadas ao ministro da Justiça e aos presidentes de província. Em 1873 ocorreu nova reforma que diminuiu a importância da instituição em relação ao Exército Brasileiro. Com o advento da República a Guarda Nacional foi transferida em 1892 para o Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Em 1918 passou a Guarda Nacional a ser subordinada ao Ministério de Guerra através da organização do Exército Nacional de 2ª Linha, que constituiu de certo modo sua absorção pelo Exército.
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Em 18 de agosto de 1831, a criação da Guarda Nacional,  foi uma alternativa liberal e civil para os problemas da manutenção da ordem, além de se colocar como uma organização econômica e eficiente, formada por cidadãos e capaz de ser empregada contra as adversidades do período. A partir daí a Guarda Nacional deveria ser criada pelos Juízes de Paz em todos os municípios do Império. A Guarda Nacional era vista por seus idealizadores como o instrumento apto para a garantia da segurança e da ordem e tinha como finalidade defender a Constituição, a liberdade, a independência e a integridade do Império, mantendo a obediência às leis, conservando a ordem e a tranquilidade pública.
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Em 1842 a Revolta Liberal foi fortemente apoiada pelas Guardas Nacionais das vilas que aderiram ao movimento, tanto em São Paulo como em Minas Gerais. Nesta ocasião, como em várias outras, as Guardas tiveram oportunidade de entrar em confronto direto com o Exército como ocorreu, por exemplo, na célebre batalha de Santa Luzia em Minas Gerais entre o barão de Caxias e Teófilo Ottoni. Em 1850 a Guarda Nacional foi reorganizada e manteve suas competências subordinadas ao ministro da Justiça e aos presidentes de província.

Em 1864 a Guarda Nacional consistia em 212 comandantes superiores e um grande quadro de oficiais. Contava com 595.454 praças, distribuídos na artilharia, cavalaria, infantaria e infantaria da reserva. Em contraposição o exército regular nesta época contava com 1.550 oficiais e 16.000 praças. A relevância da Guarda Nacional se evidencia quando da organização das unidades de cavalaria ligeira, pois a maioria dos corpos de cavalaria do Brasil era constituída por unidades da Guarda Nacional, e assim para os dois regimentos de cavalaria do Exército Imperial existiam 22 corpos da Guarda Nacional. Durante a Guerra do Paraguai a Guarda Nacional teve participação importante, haja vista que do efetivo total de cerca de 123.000 soldados, 59.669 seriam provenientes da Guarda Nacional.

A Guarda Nacional foi perdendo espaço com o advento da República, cuja instalação se deu por conta do Exército, historicamente oposto à Guarda. Foi transferida em 1892 para o Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Em 1918 passou a Guarda Nacional a ser subordinada ao Ministério de Guerra, através da organização do Exército Nacional de 2ª Linha, que constituiu de certo modo sua absorção pelo Exército. Sua última aparição pública no dia 7 de setembro de 1922, quando do desfile pela independência do Brasil na cidade do Rio de Janeiro, marcando aquele, também, o ano de sua oficial desmobilização.
(Fonte: Wikipedia)
Abaixo vemos uma ilustração de Wasth Rodrigues na qual podemos ver os tipos de cobertura usados uma década após a proclamação da República.

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A peça foi fotografada da forma que chegou em minhas mãos, antes de uma higienização para retirar o acúmulo de poeira sobre o tecido.

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As três faixas douradas na parte frontal do quepe indica o posto de Capitão, e os fuzis cruzados a arma de Infantaria. Ainda não identifiquei qual foi a 113a  unidade da GN. Assim que o fizer postarei por aqui.

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Segundo a pesquisa do Professor Adilson José de Almeida (título no final do post), "A imagem do guarda nacional como um cidadão que se destacava dos demais era assinalada materialmente pelo uniforme, através da boa qualidade de seus elementos componentes. No comércio de uniformes, em razão da preocupação em valorizá-los para venda, estas qualidades recebiam toda a atenção". A fabricação desta peça é obra de uma das casas mais tradicionais do Rio de Janeiro.

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Nas duas imagens abaixo podemos ver fotos de milicianos da Guarda Nacional usando coberturas mais ou menos semelhantes ao quepe em questão.

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Para um estudo detalhado sobre a Guarda Nacional e seus uniformes, eu recomendo a leitura da dissertação de mestrado do Professor Adilson José de Almeida, "Uniformes da Guarda Nacional (1831-1852): a indumentária na organização e funcionamento de uma associação armada." História Social FFLCH/USP 1999.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Centenário da Aviação Militar Paulista

Neste ano a aviação militar paulista completa seu primeiro centenário. Para comemorar este importante marco na história de São Paulo, trago abaixo um pouco desta história e também algumas fotos inéditas da nossa aviação durante a Revolução de 1932, vindas de um álbum muito especial. Mostro também fotos com as diferentes pinturas usadas pelo GRPAe em suas aeronaves, além das insígnias de cada uma das bases do grupamento espalhadas pelo Estado de São Paulo. Tenho certeza que os leitores do blog vão gostar de ver cada uma dessas imagens!

Agradeço ao Ten Cel PM Galdino Viera da Silva Neto - Sub Comandante do GRPAe, Ten Cel PM Edson Luís Gaspar - Comandante Interino do GRPAe, e ao Cel PM Ricardo Gambaroni - Comandante do GRPAe pela costumeira colaboração com o blog!

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A aviação paulista tem suas origens no início do Século passado quando o Presidente do Estado de São Paulo Francisco de Paula Rodrigues Alves, sancionou em 17 de dezembro de 1913 a Lei No 1395-A que criava a Escola de Aviação da Força Pública no Campo do Guapira na Zona Norte de São Paulo, sendo responsáveis pelo curso os aviadores Edú Chaves e Cícero Marques, brevetados na França. Após o ímpeto inicial, a escola de aviação enfrentava enormes dificuldades técnicas e os aparelhos ficavam no solo por falta de manutenção e equipamentos agravada ainda mais por conta da 1a Guerra Mundial.

Na imagem a seguir vemos o avião São Paulo, projetado, construído e voado pela FPSP entre 1925 e 1930.

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Enfim em 1920 a escola foi transferida para o Campo de Marte também na Zona Norte e lá com uma infra estrutura adequada e sob a instrução de Orton William Hoover a aviação militar paulista entrava em uma nova fase. Em 1927 a história ganhou uma célebre página com o vôo do hidroavião Jahú que marcou a terceira travessia aérea do Atlântico Sul, a primeira da história sem escalas. A tripulação do Jahú era composta por João Ribeiro de Barros (piloto civil), 1o Tenente Aviador João Negrão (Força Pública de São Paulo), Capitão Newton Braga (piloto observador do Exército) e Vasco Cinquini (piloto-mecânico civil).

Hangar Tenente Chantre, no Campo de Marte - final da década de 20.

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Chegada do "Jahú" na Represa de Santo Amaro em 1927.

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Extinta após a Revolução de 1930, quando São Paulo foi sistematicamente desarmado, as asas paulistas voltaram a se abrir em 1932 quando o Governador Pedro de Toledo cria através do Decreto No 5590 de 15 de Julho de 1932 o GMAP - Grupo Misto de Aviação da Força Pública. Durante os poucos meses de luta o GMAP efetuou inúmeras missões de reconhecimento e ataque em praticamente todos os setores da luta.

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Major-Brigadeiro Lysias Augusto Rodrigues no Campo de Marte.

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O rudimentar abastecimento das aeronaves durante a revolução.

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O Governador Pedro de Toledo em visita ao Campo de Marte.

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General Klinger e Governador Pedro de Toledo.

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Equipe de pilotos e mecânicos da Força Pública de São Paulo no Campo de Marte.

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Décadas depois após sua segunda extinção, mais precisamente no ano de 1983, ocorriam na cidade de São Paulo manifestações públicas e protestos com depredações e saques a estabelecimentos comerciais além de um considerável aumento dos índices criminais. Com dificuldades para controlar a situação e com poucos meios disponíveis, a Polícia Militar contou com helicópteros a fim de ajudar no restabelecimento da ordem pública e na diminuição da criminalidade. Imediatamente o Governo do Estado, reconhecendo a eficiência do uso desse equipamento, resolveu adquirir dois aparelhos sendo um para a Polícia Militar. Em 15 de agosto de 1984 foi entregue a primeira aeronave: O "Águia 01", ou Águia Uno e assim foi criado o Grupamento de Radiopatrulha Aérea. Em 1995, a Unidade passou a denominar-se "Grupamento de Radiopatrulha Aérea João Negrão", em homenagem ao oficial da antiga Força Pública membro da tripulação do Jahú. (Fonte: http://www.pilotopolicial.com.br)

Abaixo as diferentes pinturas e aronaves utilizadas pelo GRPAe.

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Atualmente o GRPAe operam em 11 bases espalhadas pelo Estado de São Paulo, com aproximadamente 23 aeronaves de asas rotativas e 4 aeronaves de asas fixas, sendo a maior unidade do gênero na América Latina, no Hemisfério Sul e uma das 15 maiores de todo o mundo. Em 2012 o GRPAe ultrapassou a marca de 25 mil missões realizadas em todo o Estado em todas as áreas de atuação da Polícia Militar.

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Insígnias do GRPAe. A águia representa o Comandante do grupamento.

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Ao longo dos últimos três anos e meio fizemos algumas matérias relacionadas a aviação militar paulista. Abaixo uma série de links com acesso a cada uma delas:

Águias Paulistas, o Grupamento de Radiopatrulha Aérea
Aeronaves usadas pela Aviação Paulista em 1932
Mario Machado Bittencourt - O Herói da Ilha da Moela no Guarujá
78 anos da morte de Mario Machado Bittencourt e José Angelo Gomes Ribeiro
O avião WACO CSO no Museu da TAM
O hidroavião Jahú no Museu da TAM
Brevês da aviação militar brasileira
Mais insígnias da aviação paulista
Mais brevês da aviação militar brasileira
Lembranças do vôo do Jahú
Lembranças do vôo do Jahú - Parte II
Salvo-conduto de um dos tripulantes do Jahú