sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Bom carnaval para todos!

TREM BLINDADO
(João de Barro, 1933)

Meu bem, pra me livrar da matraca
Da língua de uma sogra infernal
Eu comprei um trem blindado
Pra poder sair no Carnaval

Mulata, por teu encanto
Muito eu levei na cabeça
Porém agora eu duvido
Que isto outra vez aconteça
Do teu falado feitiço
Eu pouco caso lhe faço
Mandei fazer em São Paulo, mulata
Um capacete de aço

Mulata, quando eu te vi
Logo pedi anistia
Pois os teus olhos lançavam
Terrível fuzilaria
E pra ninguém aderir
Ao nosso acordo amoroso
Botei na porta da casa, mulata
Um canhão misterioso

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Antiga caneca da Companhia Antarctica Paulista

Trago hoje aos leitores do blog uma peça que além de linda, tem um enorme significado histórico: Trata-se de uma caneca promocional da Companhia Antarctica Paulista.

A Cia. Antarctica Paulista foi fundada em 1885 e inicialmente era um abatedouro de suínos, de propriedade de Joaquim Salles junto com outros sócios, localizada no bairro de Água Branca, na cidade de São Paulo. A empresa possuía uma fábrica de gelo com capacidade ociosa e isso despertou o interesse do cervejeiro alemão Louis Bücher, que desde 1868 possuía uma pequena cervejaria. Os dois empresários se associaram, e em 1888 criou-se a primeira fábrica de cerveja do país com tecnologia de baixa fermentação, com uma capacidade de produção de 6 mil litros diários. A Antarctica teve seu primeiro anúncio publicado no então jornal "A Província de São Paulo", atual "O Estado de São Paulo", em março de 1889: "Cerveja Antarctica em garrafa e em barril - encontra-se à venda no depósito da fábrica à Rua Boa Vista, 50".

Em 9 de fevereiro de 1891 foi oficialmente fundada a "Companhia Antarctica Paulista" como sociedade anônima, com 61 acionistas. O decreto n.217 de 15 de maio de 1891 firmado pelo presidente da República, Marechal Deodoro da Fonseca autorizou a Companhia Antarctica Paulista a funcionar com os estatutos apresentados dentro da legislação vigente na época. (fonte: Wikipedia)

A caneca datada de 1923 é de fabricação alemã, pela tradicional Villeroy & Boch, na cidade de Mettlach na região de Saarland. As primeiras canecas desta tradicional empresa foram feitas em 1840 sendo que a produção permanece até os dias atuais. As diferentes marcações e datas usadas por este fabricante são objeto de estudo deste site.

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Na tampa da caneca podemos ver as instalações da fábrica na Avenida Presidente Wilson na Móoca.

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Marcação do tradicional fabricante alemão Villeroy & Boch.

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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Monumento a Ibrahim Nobre

Ali em frente ao obelisco, meio escondida no Parque do Ibirapuera, está a estátua a Ibrahim de Almeida Nobre (1888-1970) o "Tribuno da Revolução de 1932". Inaugurada em 1972 a estátua clama por reparos: Uma limpeza no bronze e a re-colocação de uma das placas que ficava em uma das laterais e acabou sendo substituída pela que ficava na parte traseira. Típico e lamentável "jeitinho brasileiro".

Acompanhe nas imagens a seguir a inauguração e a estátua atualmente.

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Ibrahim Nobre em seus últimos anos de vida, recebendo uma homenagem no Palácio dos Bandeirantes.

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Logo após sua morte em 1970, foi inicialmente inaugurada a Praça Ibrahim Nobre. Dois anos depois seria inaugurada sua estátua.

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A placa abaixo foi roubada e no local colocada a que ficava na face de trás da obra, que ficou sem placa.

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Reparem na marca da placa que está faltando.

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Será que nos países que cultuam sua história com respeito as pessoas deixam "recados" nas placas de bronze dos monumentos?

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Ibrahim Nobre, como sempre deve estar: Velando e louvando os Heróis de 1932.

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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Álbum de família: memória, identidade paulista e a Revolução de 32

Trago hoje aos leitores do blog, uma importante colaboração da Professora Barbara Weinstein, chefe do Departamento de História da NYU New York University, com a qual tive a oportunidade de trocar algumas informações no final do ano passado. É um grande prazer saber que este blog é acessado por pesquisadores de fora do Brasil, e é muito bom poder compartilhar trabalhos sobre São Paulo produzidos no exterior, como fizemos no ano passado com uma matéria da Historia y Vida Magazine da Espanha.

Barbara Weinstein, já publicou dois livros sobre a história do Brasil que foram traduzidos e lançados por aqui. Se dedica desde 1998 a uma pesquisa sobre a identidade paulista tendo a Revolução de 32 e o IV Centenário como temas principais. Em meu nome e também em nome dos leitores do blog, agradeço a Professora Weinstein pela colaboração!

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Álbum de família: memória, identidade paulista e a Revolução de 32
Barbara Weinstein
Departamento de História
New York University

Num breve, mas instigante ensaio intitulado 1932: Imagens Contraditórias, Emília Viotti da Costa observa que “como toda revolução, a de 32 gerou sua mitologia”[1]. Por sinal, esse ensaio acompanhou uma preciosa coleção de documentos organizada por Ana Maria Camargo e distribuída pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo em 1982, quando a Revolução de 32 completou 50 anos. Com este ensaio, Emília Viotti levou o debate sobre 32 a um novo nível, transferindo o enfoque de uma discussão “positivista” sobre as causas e motivos que levaram os paulistas a pegarem em armas contra o regime getulista, para os vários usos de histórias e memórias de 32, e os imaginários – muitas vezes contraditórios – que se sustentaram no legado da Revolução. A meu ver, o ensaio mudou o discurso sobre 32 da esfera da “objetividade” para a questão da subjetividade[2].

Seguindo a linha de argumento primeiramente articulada nesse ensaio há trinta anos, a apresentação a seguir pretende examinar os diferentes usos de 32 em dois momentos específicos: o de 1954, ocasião do IV Centenário da Fundação da Cidade de São Paulo, e o de 1957, o ano do Jubileu de Prata da Revolução Constitucionalista[3]. A escolha dessas datas reflete duas considerações: a primeira, e mais óbvia, é que foram dois pontos cronológicos, um referente às grandes comemorações de 9 de julho e outro referente à variedade de festejos e publicações em torno do tema de 32. A segunda é que esses momentos – que ocorreram numa época de surto de nacionalismo e intensificação de tensões na esfera política – foram especialmente complicados e ricos para a comemoração de uma revolução aparentemente “regional” e “regionalista”[4].

Tanto em 54 quanto em 57, podemos perceber duas correntes relativas à representação dos eventos de 32. Elas não se encaixam no típico binômio “a favor” ou “contra” a Revolução de 32. Nesse sentido, as imagens aparentemente não são nada contraditórias – todas representam 32 como motivo de orgulho ou de algo positivo; aliás, os comentaristas nem discutem a revolução neste sentido. O que distingue uma vertente de outra não é a questão de julgar a revolução como uma causa justa ou não. É muito mais uma questão de quem pode se identificar com o espiríto de 32 e qual é o significado do movimento constitucionalista no contexto dos anos 50. Eram essas questões, e de certa forma a “sensibilidade” invocada nas comemorações, que distinguiram uma corrente de outra.

Como era inteiramente previsível, o IV Centenário em geral foi uma expressão de intenso regionalismo e triunfalismo. Os festejos e eventos foram organizados por representantes das elites paulistas (tanto intelectuais como empresariais), entre eles homens e mulheres com ligações estreitas com a revolta de 32. Ao mesmo tempo, era um momento cheio de tensões entre aqueles cuja intenção era usar a Revolução Constitucionalista como emblema de paulistanidade, num sentido que excluía muitos habitantes de São Paulo da categoria “paulista”; enquanto outros grupos envolvidos na política eleitoral e mais sensíveis ao crescimento de sentimentos nacionalistas procuravam ampliar o significado de “32”[5].

Apenas três anos depois, os paulistas comemoraram o Jubileu de Prata da Revolução Constitucionalista. Na época destes festejos, em 1957, foi evidente uma alteração nas representações da “causa paulista,” que agora estava sendo reimaginada como uma luta pela democracia (um tema que não aparece com frequencia na época da Revolução). Porém, podemos perceber que uma certa construção “paulista/ liberal” da democracia continuava ancorada numa noção de direitos de cidadania como algo que pertence mais às regiões modernas e “progressistas” do Brasil e menos às regiões “atrasadas” (WEINSTEIN, 2006, ps. 281-306)[6].


[1] (COSTA, 1982, p.1)
[2] A historiografia de 32 é grande demais para mencionar todos os trabalhos importantes. Uma boa introdução à sua história é o pequeno estudo de CAPELATO, 1982
[3] Sobre o IV Centenário da Cidade de São Paulo, veja LOFEGO, 2004, e ARRUDA, 2001.
[4] Sobre a questão da memória de 32, veja BORGES, 1997, e RODRIGUES, 2012.
[6] Barbara Weinstein, “Racializando as diferenças regionais: São Paulo X Brasil, 1932,” Esboços, no. 16, Florianópolis, 2006, 281-303.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Quatro anos no ar !

Hoje é o aniversário de quatro anos do blog.
Aqui você acessa a primeira postagem de fevereiro de 2010.

Obrigado a todos que nos visitam diariamente, que compartilham e curtem nossas publicações.
Juntos mantemos vivos os ideais daqueles que deram TUDO POR SÃO PAULO!

Um abraço,
Ricardo

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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Capacete paulista do 2o G.A.P.

Apresento aos leitores do blog um sensacional capacete da Revolução de 32, recuperado diretamente dos familiares do combatente Sr. Alfredo A. Ferreira, que lutou no Setor Túnel incorporado ao antigo 2o G.A.P. - Grupo de Artilharia Pesada de Quitaúna, sob o comando do Capitão Arcy da Rocha Nobre, um jovem de 33 anos que entrou na luta com a difícil incumbência de assumir e fazer funcionar a escassa artilharia instalada de forma totalmente ineficaz desde o início do conflito naquele setor.

Segundo o livro "O Túnel da Discórdia", elementos do 2o G.A.P. chegaram no Túnel por volta do dia 16 de julho durante uma situação desoladora para os defensores paulistas daquela posição, que estava sendo fustigada pela artilharia inimiga e correndo o risco iminente de ser tomada num golpe de mão.
Imediatamente o Capitão Arcy e seus oficiais re-posicionam as três peças de 75mm no alto do morro sobre o túnel e sem demora abrem fogo contra a posição mineira a mais de dois mil metros dali, acertando o alvo em cheio, calando os canhões inimigos - ao mesmo tempo que tropas do 2o B.C. da Força Pública e do 5o R.I. de Campinas reforçam o flanco esquerdo do Túnel.
Guilherme de Figueiredo, filho do Coronel Euclydes, disse posteriormente em uma entrevista que o Capitão Arcy "era um grande atirador e tinha uma precisão de tiro formidável...De longe ele calculava o tiro e o tiro caía exatinho onde ele queria". Assim se salvou a posição paulista de meados de julho até fins de setembro de 1932.

O capacete de modelo paulista, traz o emblema da arma de Artilharia pintado na parte frontal, e por baixo desta pintura é possível ler nitidamente a inscrição 2o G.A.P.  A pintura feita a mão misturando as cores dourado e vermelho aplicadas ao fundo verde escuro do capacete, resulta em uma combinação única de tons. Somando as características físicas deste capacete com a história contada pelos familiares do combatente, devidamente atestada pelos livros - temos uma peça absolutamente singular!

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Na foto abaixo, de uma tropa paulista de artilharia em local não identificado, é possível observar um capacete com a pintura bastante similar a peça em questão. Infelizmente eu não tenho esta imagem em resolução para poder visualizar os detalhes, mas a pintura no capacete do elemento no centro da foto é muito próxima a do capacete aqui apresentado - o que ilustra bem o costume deste tipo de personalização nos capacetes.

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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Uma miniatura e a ressureição do Monumento do IV Centenário

A história da Cidade de São Paulo tem muitas passagens interessantes e desconhecidas da maioria das pessoas - é o caso do monumento-símbolo do IV Centenário, projeto de Oscar Niemeyer que seria construído em concreto na entrada do Parque Ibirapuera. Ele foi amplamente usado em inúmeras lembranças do IV Centenário de São Paulo e se tornou um símbolo das comemorações da cidade.

Acontece que o formato projetado por Niemeyer não era possível de ser construído com os materiais e com a tecnologia da época, e a cada tentativa a estrutura simplesmente ia ao chão. As vésperas da inauguração do parque, a solução foi construir o monumento em juta e gesso - e torcer para não chover antes do dia 25 de janeiro. Logo após a inauguração, na primeira chuva, o monumento "derreteu" e sua estrutura acabou sepultada na entrada do parque. Para saber detalhes desta fabulosa história, vale ler esta entrevista com Mauris Warchavchik, testemunha ocular dos fatos.

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Recentemente encontrei em uma feira de antiguidades uma miniatura de presenteação da escultura de Niemeyer, oferecida pela Comissão do IV Centenário, em metal com base de madeira - com aproximadamente 30 centímetros. Na base uma placa em prata com as datas de fundação e do aniversário de São Paulo. Uma significativa peça da história de São Paulo.

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Minha ideia inicial era fotografar a bela peça usando o Ibirapuera como cenário de fundo. Porém ao fazer as primeiras fotos, percebi que poderia "encaixar" a estrutura no parque - e acabei conseguindo as imagens que vem a seguir...Como se o monumento estivesse de fato instalado no Ibirapuera desde 1954. É incrível como a estrutura "conversa" com as diversas formas do parque!

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Levei a miniatura para a frente do Auditório do Ibirapuera, construído em 2002 para completar o grupo de edifícios concebidos por Niemeyer. O símbolo do IV Centenário parece dançar uma valsa com a estrutura do auditório. Talvez a Prefeitura de São Paulo devesse considerar a construção do monumento na entrada do parque, tal qual a ideia original...

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