sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Túnicas da antiga Guarda Civil

Apresento aos leitores duas túnicas da antiga Guarda Civil de São Paulo. Ambas com corte elegante e na famosa cor azul marinho que eternizou a coorporação, as peças sobreviveram a algumas décadas em muito bom estado. Na primeira delas abaixo, é interessante notar o uso das estrelas na gola e nos botões, semelhantes aos usados nos uniformes da Força Pública.

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Já na túnica abaixo (provavelmente usada no inverno) vemos o botão "liso" apenas com as estrelas ao redor, sendo esta uma túnica de Inspetor, mais recente que a primeira.

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Para fechar esta postagem com "chave de ouro" trago uma raríssima imagem de São Paulo nos anos 50-60 originalmente a cores, garimpada na internet. A túnica é a mesma mostrada acima e a cobertura foi mostrada neste link.

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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Trincheira em São Bento do Sapucaí

No final de semana passado, visitei uma cidadezinha no interior de São Paulo onde é possível se hospedar em um hotel que mantém uma trincheira de 1932 e um pequeno museu com objetos da época. A visita foi muito agradável e de fato o local tem uma história interessante a ser contada.

São Bento do Sapucaí é uma cidade situada bem no meio das montanhas da Serra da Mantiqueira, no Estado de São Paulo, que faz divisa com Campos do Jordão, Santo Antonio do Pinhal, Sapucaí Mirim, Gonçalves e Brasópolis, Piranguçú e Paraisópolis, como podemos ver abaixo no Mapa das Frentes de Batalha de J.W. Rodrigues.

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O surgimento de São Bento do Sapucaí, primeiramente batizada Terras Altas do Sapucaí, foi impulsionado pelo bandeirismo e a mineração. Acreditava-se que a região ocultava uma grande oportunidade para a extração de ouro, o que foi o principal atrativo para a vinda dos sertanistas da região. Com o declínio da exploração do ouro, os desbravadores foram percebendo a riqueza do solo das Terras Altas do Sapucaí - assim, o cultivo do fumo, da cana-de-açúcar e do café foi possibilitando o crescimento do lugarejo que, após ter sido elevado à categoria de Freguesia, no ano de 1832, passou à Vila, em 1858, e quase uma década depois, tornou-se Cidade pela Lei nº 48, finalmente tornando-se Estância Climática em 26 de janeiro de 1976.

Durante a Revolução de 32 os voluntários de São Bento dispersaram-se por toda a divisas da região para não permitir a entrada de tropas Getulistas por nenhuma delas. A população assustada, em sua maioria, se escondia no mato e até no forro de suas próprias casas com medo dos soldados. Ninguém saia nem entrava na cidade e em caso de muita urgência, havia o salvo-conduto, tirado na estrada de Paraisópolis, antes da divisas. Os alimentos ficaram racionados e se adotou o sistema de fichas, pessoas foram requisitadas para trabalharem na abertura de trincheiras e pontes, além da abertura de picadas no mato. Havia ainda os que transportavam as armas para as trincheiras. Ocorrendo a revolução em tempo de plantio, a lavoura foi muito prejudicada; por outro lado, boa parte dos homens se alistou como voluntários a fim de garantir a sua subsistência e a de seus familiares, outros que permaneceram em seus lares não podiam plantar, pois corriam o risco de serem atingidos por balas perdidas.

Trincheiras foram abertas na divisas dos dois estados, Minas e São Paulo, na estrada que liga São Bento do Sapucaí a Paraisópolis, numa posição que privilegiou a tropa paulista no duro combate que ali se travou no dia 30 de setembro. O fogo cruzado durou cerca de vinte e quatro horas, quando a ordem de cessar fogo chegou ao quartel general. Conta-se que na noite de combate, a população entrou em pânico e se evadiu em sua maioria, alguns se escondendo no morro do Cruzeiro, outros fora da cidade. A tropa paulista não sofreu nenhuma baixa. Quando a ordem de cessar fogo chegou ao quartel general de São Bento, a revolução já havia terminado há dois dias. Após cessar fogo, a cidade foi invadida pela Tropa federal, mas foi uma ocupação pacífica; a maioria dos soldados paulistas se embrenhou no mato e alcançaram estradas mais seguras, com medo de represálias.

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O General Julio Marcondes Salgado morou em São Bento antes de se alistar na Força Pública de São Paulo.

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Abaixo vemos o interior da Pousada do Quilombo que foi construída no início dos anos 2000 no alto de um morro no Bairro do Quilombo, justamente em cima de um dos sistemas de trincheiras que defendeu a cidade em 1932 - e é esse o grande mérito do proprietário do hotel que optou por preservar a história ao invés de simplesmente tapar a trincheira, o que infelizmente é mais comum!

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A direita na foto abaixo vemos um corredor com a trincheira. O bambuzal foi plantado justamente para preservar o local. Esta enorme trincheira segue morro acima.

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No alto do morro, ainda dentro do hotel, é possível ver a trincheira cavada fundo na terra - preservada 82 anos depois.

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Do alto do morro além da cidade vemos a Mantiqueira e a famosa Pedra do Baú.

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Alguns objetos que foram encontrados durante a construção do hotel estão preservados em uma pequena casinha de pau a pique que funciona como um museu da revolução para os hóspedes e para as escolas da região. É louvável a iniciativa do hotel em manter este acervo.

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Outra atração à parte é uma escultura em madeira de um soldado constitucionalista de autoria do famoso Ditinho Joana, um dos maiores artistas populares do Brasil, nascido e criado no Bairro do Quilombo bem perto do hotel.

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Deixamos nossa mensagem no livro de hóspedes. Fica aí a dica para quem quer passar um final de semana comendo bem e hospedado no charmosíssimo hotel construído em um local histórico. O link da Pousada do Quilombo é www.pousadadoquilombo.com.br

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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Cohesão e Disciplina

Apresento hoje uma pequena série de distintivos "Cohesão e Disciplina", presentes no Album Paulista. Uma dessas peças vieram da família do veterano Amadeu Augusto, do Batalhão Marcílio Franco de Pirassununga. Será que o lema "Cohesão e Disciplina" e os distintivos eram deste batalhão?

A pulseira exibida abaixo é do acervo do colecionador Rodrigo Telles.

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Uma curiosidade é que o distintivo "Cohesão e Disciplina" foi a base da ilustração da capa do livro Cruzes Paulistas.

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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Medalha Cinquentenário do 7o BPM/M

Trago hoje aos amigos do blog a belíssima medalha comemorativa do Cinquentenário do 7o BPM/M. A medalha foi mandada cunhar pela ABFIP ONU em homenagem ao 7º BPM/M e foi criada e desenhada pelo Sr. Alfredo Duarte - o qual nos brinda com o texto abaixo. Chamo a atenção dos leitores para o trecho que se refere a jornada de 1932, bastante interessante!

Agradeço ao amigo Alfredo Duarte e aos amigos do 7o Batalhão de Polícia Militar pela deferência e pelo apoio ao blog. Fico extremamente feliz de participar desse momento histórico do batalhão - que completa 50 anos servindo a população de São Paulo em uma das áreas mais nevrálgicas da capital.

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Histórico do Batalhão

Em 28 de agosto de 1964 a Guarda Civil do Estado de São Paulo instalou na Avenida Angélica, 1647 o seu “Serviço de Fundos”. Em 08 de abril de 1970 ocorreu a unificação da Guarda Civil de São Paulo com a Força Pública de São Paulo, originando a atual POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO. Em decorrência dessa fusão o “Serviço de Fundos” (tesouraria) da Guarda Civil foi extinto, passando o prédio da Av. Angélica, 1647 a abrigar efetivo da Polícia Militar renomeado como 25º Batalhão de Polícia Militar, porém, realizando por certo período a folha de pagamento dos inativos da Força Pública e da Guarda Civil.

Em 01 de maio de 1971 foi fixado o primeiro Quadro Operacional do 25º BPM; Unidade que então atuava como um Batalhão de Apoio.  Através do Decreto nº 7.289 de 15 de dezembro de 1975, que reorganizou a PMESP, o 25º BPM foi renomeado como 7º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, subordinado ao Comando de Policiamento de Área Metropolitana UM, permanecendo aquartelado no prédio histórico da Av. Angélica, 1647 – bairro de Higienópolis, tendo como primeiro Comandante o Cel. QOPM Camilo Dias dos Anjos.

O 7º BPM/M é a Unidade Operacional da Polícia Militar encarregada da Preservação da Ordem Pública na parte mais central da cidade de São Paulo, realizando até o ano de 2005 a segurança da Praça da Sé, assim como do Páteo do Colégio.

A Nota de Instrução nº CPM-017/03/86 criou o Policiamento Ostensivo a Pé na região hoteleira, nos locais de maior afluxo de turistas e nos grandes eventos no centro da cidade de São Paulo. Esta modalidade de policiamento foi formada por Policiais bilíngues, sendo implantada oficialmente em 27 de novembro de 1986, e tendo o 7º BPM/M como uma de suas Unidades Operacionais precursoras. Através do Boletim Geral nº 186, publicado em 03 de outubro de 1989, foi aprovado o Símbolo de Atividade de Intérpretes do Policiamento de Apoio ao Turista “POLITUR” da Polícia Militar do Estado de São Paulo, cuja sede era no 7º BPM/M.

Em 01 de dezembro de 1987 o 7º BPM/M foi uma das Unidades implantadoras do Rádio Patrulhamento Padrão (RPP), na cidade de São Paulo. Em 04 de outubro de 1989, visando o aprimoramento das modalidades de Policiamento, implantaram-se na área do 7º BPM/M, cabines policiais, precursoras das atuais Bases Comunitárias.

Por meio da Lei nº 13.506 de 17 de abril de 2009, passou a Unidade a denominar-se 7º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano “1º Tenente PM Roberto Calegari de Lima” (7º BPM/M – 1º Ten. PM Calegari), oficial que, na condição de 2º Tenente comandante de guarnição de Patrulhamento Tático Móvel (atual Força Tática) do 7º BPM/M, tombou heroicamente no cumprimento do dever em 05 de abril de 1983.

Medalha Comemorativa “CINQUENTENÁRIO DO 7º BATALHÃO DE POLÍCIA MILITAR METROPOLITANO – 1964-2014”

Mandada cunhar pela ABFIP ONU em homenagem ao 7º BPM/M, tendo em vista os méritos e os relevantes serviços prestados pelo Batalhão a esta Associação, à Sociedade Paulista e para perenizar o seu Cinquentenário de Criação.

O escudo português remete às origens de nossa nacionalidade, além de ser uma tradição heráldica da Polícia Militar do Estado de São Paulo. O Triângulo equilátero de prata e o campo azul-escuro evocam as insígnias heráldicas do 7º BPM/M, sendo as cores representativas da integridade, firmeza, obediência, lealdade e justiça de seus componentes. A Cruz da Ordem de Cristo, primeiro símbolo de nossa nação, evoca a cidade de São Paulo, e mais especificamente parte de seu “Centro Velho”, área de atuação da OPM. A cor amarelo-ouro do chefe evoca a nobreza da atividade policial.

O Capacete de Aço modelo Paulista remete à Epopéia Constitucionalista de 1932; efeméride cuja memória e tradições a Polícia Militar é a grande guardiã, destacando que o 7º BPM/M tem sob sua responsabilidade a preservação da Ordem Pública no histórico endereço da Rua Sergipe nº 37, local onde em 9 de Julho de 1932 os líderes constitucionalistas montaram o quartel-general do Coronel Euclides Figueiredo, líder militar das forças paulistas, aí incluída a Força Pública, e dali partiram as ordens que deram início à Revolução Constitucionalista. Esse endereço foi transformado em senha e contrassenha para as comunicações entre os revolucionários. Um dizia: “Sergipe”; o outro respondia: “37”.

Os troféus militares – a espada e as pistolas cruzadas – evocam os princípios constitucionais de JUSTIÇA, AUTORIDADE e FORÇA. O fitão de cor vermelha remete à ousadia e à fortaleza dos Policiais Militares cujo sangue foi derramado em defesa da Sociedade Paulista. As quatro estrelas de ouro representam os pontos cardeiais; recordando-nos que os Policiais Miliatres estão prontos a manter a Lei em todos os locais e situações. Os numerais 1964 e 2014 evocam o Cinquentenário da OPM. O pavilhão, assim como a fita, formados por treze listras verticais nas cores preta e branca evocam a bandeira do Estado de São Paulo que os Policiais Militares envergam em seus uniformes, e também nos lembram o trabalho diuturno da missão Polícial Militar de servir e proteger.


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Em 28 de agosto de 2014 completou o 7º BPM/M seu cinquentenário de criação, cumprindo nesses 50 anos de existência os mais relevantes e meritórios aspectos de sua atividade de policiamento, preservação da ordem pública e cumprimento de sua missão constitucional.

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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A alma do paulista

O Estadão do domingo trouxe na coluna Paulistices do jornalista Edison Veiga um texto meu sobre o Obelisco do Ibirapuera.

“EU SOU A ESPADA QUE A MADRE TERRA,
QUANDO AO SEU SEIO SE ACONCHEGARAM OS FILHOS MORTOS,
MATERNALMENTE DESEMBAINHOU.”

No trecho acima, extraído do poema A Espada de Pedra, Guilherme de Almeida resumiu brilhantemente o significado do Obelisco do Ibirapuera para São Paulo.

Eu passo quase diariamente pelo Obelisco desde que me entendo por gente, e não tem uma única vez que eu não fixo o olhar nele e sinto uma pontada de orgulho ao vê‐lo ali. Imponente. Desafiador. Dominando a paisagem.

Em suas faces está contada a história de um povo que não se ajoelhou.

Clique aqui para ler o texto na íntegra.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Antigo quepe da Polícia Rodoviária

Apresento hoje um antigo quepe de Oficial da Polícia Rodoviária na cor cáqui, usado entre os anos 60 e 70. Este tipo de quepe com seu formato distinto acabou se tornando símbolo da Polícia Rodoviária paulista por conta do seriado "Vigilante Rodoviário" exibido pela TV Tupi nos anos 60. Não é difícil imaginar este quepe em uso nas viaturas amarelas, rasgando a Castelo Branco atrás de uma quadrilha de malfeitores!

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Abaixo vemos um quepe similar usado pelo ator Antônio Fonzar em um remake de 1978 do seriado Vigilante Rodoviário - que acabou não sendo exibido na época.

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